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Coletivo LGBTQIA+ do Sindicato celebra orgulho e resistência em evento na AABB-Tijuca

Encontro reuniu debates, apresentações culturais e manifestações em defesa da diversidade, da igualdade de direitos e do combate à discriminação no Dia Internacional do Orgulho LGBT

Alegria, resistência e celebração à diversidade: o evento do coletivo LGBT do Sindicato 2026 foi um sucesso Fotos: Nando Neves

O Coletivo LGBTQIA+ do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro realizou, neste domingo (28), na AABB-Tijuca, um evento em celebração ao Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. A data é um marco mundial de conscientização e visibilidade da comunidade e tem como objetivos combater o preconceito, promover a igualdade de direitos e celebrar a diversidade.

A programação, iniciada pela manhã, contou com um debate sobre os principais desafios enfrentados pela comunidade LGBTQIA+, além de apresentações culturais e musicais ao longo do dia.

Trajetória da luta

A abertura do evento foi marcada por um debate sobre a história do movimento LGBTQIA+. Herbert Correa, funcionário do Bradesco e diretor do Sindicato, destacou a trajetória da luta por direitos desde os primeiros movimentos organizados.

“É importante lembrar onde começou o Dia do Orgulho, com a luta por liberdade em Nova Iorque. Só podíamos nos encontrar clandestinamente. A polícia prendia e agredia pessoas apenas por serem LGBTQIA+. Hoje estamos aqui, neste espaço, com liberdade para sermos quem somos”, afirmou, homenageando os pioneiros da luta contra a LGBTfobia.

Adversidades também no movimento sindical

O diretor do Sindicato e integrante da Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Rogério Campanate, defendeu uma maior participação da categoria no Coletivo LGBTQIA+.

“A valorização precisa avançar dentro dos bancos e vamos ampliar o debate sobre a situação da comunidade na categoria. É importante que bancárias e bancários participem do nosso coletivo”, afirmou.

Campanate destacou a criação da Secretaria Nacional LGBTQIA+ da CUT durante o último Congresso Nacional da Central (Concut), mas observou que ainda existem resistências dentro do próprio movimento sindical.

“Ainda há muita resistência ao nosso movimento, inclusive no ambiente sindical. Mulheres, pessoas negras e a população LGBTQIA+ continuam sub-representadas nas instâncias de direção”, criticou.

Segundo ele, a organização da categoria é fundamental para fortalecer as reivindicações junto à Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) durante a Campanha Nacional deste ano.

“Precisamos estar organizados para levar propostas aos bancos, já que este ano teremos a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho. Nossa proteção também passa pela CCT. Essa luta é de todos nós”, concluiu.

Situação grave nos bancos privados

Diretor executivo de Políticas Sociais da CUT-RJ e funcionário do Itaú, Thiago Sant’Anna defendeu o combate a todas as formas de preconceito.

“Todos os anos realizamos encontros nacionais da CUT para fortalecer a defesa dos nossos direitos”, afirmou.

Ao relatar sua experiência no banco, ele destacou que a realidade vivida pelos trabalhadores nem sempre corresponde ao discurso institucional.

“No Itaú é bem diferente dos bancos públicos. Existe um fórum, mas todas as decisões são tomadas em São Paulo. A imagem é bonita para o público externo, mas internamente a realidade é outra. Só assumi publicamente minha orientação sexual quando me tornei gerente, por causa da discriminação. As pessoas ainda têm medo”, relatou.

Também funcionário do Bradesco, Herbert Correa criticou a atuação dos espaços de diversidade existentes na instituição.

“No Bradesco existe uma comissão, mas ela atua muito mais em função dos interesses do banco. Chegaram até a tentar me afastar por minha atuação como dirigente sindical”, afirmou. Ele defendeu que esses espaços contem com representantes eleitos pelos trabalhadores.

“Os grupos auto-organizados são voluntários e independem das ações dos bancos”, explicou a funcionária do Banco do Brasil e dirigente do Sindicato dos Bancários do Sul Fluminense, Mariana, que reforçou a importância desses coletivos.

“Sou mulher e sou lésbica. Precisamos falar sobre esses temas sem rivalidades e romper os tabus”, afirmou. Ela também ressaltou a importância da participação política da comunidade nas eleições de 2026.

“Nossos colegas muitas vezes não conhecem nossa realidade. Mas não vão nos calar”, declarou.

Ascensão profissional

Representando a Contraf-CUT, Adilson Barros defendeu maior transparência sobre a presença da população LGBTQIA+ nos bancos, especialmente nos cargos de liderança.

“Meu maior desconforto é a falta de visibilidade. Se os bancos afirmam que estão contratando pessoas LGBTQIA+, precisamos saber onde essas pessoas estão e se também estão tendo oportunidades de ascensão profissional”, afirmou. Criticou também os casos de demissões motivadas por LGBTfobia.

Experiências nos bancos públicos

Empregado da Caixa há 22 anos, Gerônimo Granja destacou os avanços conquistados por meio do Programa Caixa Diversidade e Inclusão.

“Hoje a Caixa publicou um vídeo institucional sobre diversidade. Isso representa um avanço, mas ainda temos muito a conquistar”, afirmou.

Segundo ele, o banco foi pioneiro ao reconhecer direitos de casais homoafetivos em planos de saúde antes mesmo da legislação garantir esse direito.

“Explicamos o significado de cada letra da sigla LGBTQIA+, contamos a história da nossa luta na Caixa e mostramos que fomos pioneiros em diversas conquistas”, disse.

Gerônimo ressaltou ainda que combater atitudes discriminatórias é responsabilidade de todos.

“Precisamos impedir qualquer forma de discriminação, seja ela pequena ou grande.”

Funcionária do Banco do Brasil há 23 anos e integrante do Fórum de Diversidade da empresa, Samantha Monteiro relembrou a criação dos grupos de diversidade.

“O grupo LGBTQIA+ do BB surgiu de forma espontânea. Depois vieram outros coletivos, como o Black Power. Conseguimos levar diversas pautas ao banco, inclusive casos individuais de trabalhadores.”

Ela lembrou das dificuldades enfrentadas durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro e afirmou que houve reestruturação dos espaços de diversidade na atual gestão.

“O BB possui hoje um Conselho de Diversidade. Os fóruns são consultivos, mas conquistamos avanços importantes, como direitos relacionados ao plano de saúde e à união estável. O conselho já integra a estrutura institucional da empresa.”

Movimento entre os moedeiros

Representando a categoria dos moedeiros, que recentemente conquistou a representação junto à Federa-RJ, Karina Albuquerque relatou a experiência da Casa da Moeda na implementação de políticas de inclusão.

“Precisamos ocupar os espaços institucionais das empresas. Havia um decreto garantindo o uso do nome social, mas esse direito ainda não era aplicado na Casa da Moeda. Com muita luta conseguimos avançar.”

Ela também defendeu a realização de um censo interno para dar visibilidade à comunidade LGBTQIA+.

Adilson Barros concordou e afirmou que o levantamento de dados é uma ferramenta importante para fortalecer as negociações com as empresas.

Arte, cultura e celebração

A programação cultural foi um dos pontos altos do evento.

Com um repertório engajado, Negrini Venture apresentou um show que exaltou a diversidade do povo brasileiro, reunindo referências às populações negras, indígenas, ciganas, caboclas, pardas e à comunidade LGBTQIA+, sendo muito aplaudida pelo público.

No entorno da piscina da AABB-Tijuca, Samantha Monteiro apresentou uma emocionante performance de dança do ventre, valorizando a técnica e as tradições culturais originárias do Antigo Egito, do Oriente Médio e do Norte da África.

O público também acompanhou a apresentação da cantora trans Azula, de voz afinada que alterna o grave com o agudo sem perder o tom, emocionou os participantes com um repertório de MPB, que vai de Tim Maia a Djavan, e canções que celebram a ancestralidade e a diversidade. Ela já chegou a cantar no Palco Favela do Rock In Rio, em 2022, e tem canções na plataforma do Spotify.

O ritmo da festa ficou por conta da DJ Nanda Machado, que colocou o público para dançar. E teve ainda a bela performance da drag queen Lili Carabina, que trouxe um espetáculo repleto de humor, glamour e afirmação política, numa celebração em clima de orgulho, resistência e alegria.

 

A cantora Azula, com sua bela voz, cantou canções da MPB, como Tim Maia e Djavan, e um repertório de músicas politicamente engajadas. Ela está na plataforma Spotify
Fotos: Nando Neves

 

O show de Negrini Venture celebrou o amor e a diversidade

O diretor do Sindicato Herbert Correa disse que o Bradesco dificulta a organização da comunidade LGBT no banco

 

Adilson Barros, da Contraf-CUT, relatou dificuldades para os bancários LGBTs conseguirem ascensão profissional e que há casos de demissões por discriminação de opção sexual

 

Jerônimo Granja, funcionário da Caixa e Samantha Monteiro relataram as experiências dos grupos LGBTs nos bancos públicos

Jerônimo Granja, funcionário da Caixa e Samantha Monteiro, do Banco do Brasil, relataram as experiências na organização de grupos LGBTs nos bancos públicos

 

Thiago Sant’Anna descreveu as dificuldades do movimento movimento LGBT no Itaú: muita publicidade fora e pouca ação nos locais de trabalho

 

Karina Albuquerque destacou avanços e impasses da comunidade na Casa da Moeda

 

Lili Carabina abraçada ao diretor do Sindicato, Herbert Correa: performance da artista elogiada pelos participantes do evento

 

Rogério Campanate disse que é preciso acabar com resistências à comunidade LGBT também no movimento sindical

 

Material em defesa da diversidade e pelo fim da discriminação foi distribuído no evento do coletivo do Sindicato