Os representantes da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander cobraram da direção do banco, em reunião realizada nesta quarta-feira (13), na sede da Contraf-CUT, em São Paulo, providências para conter o fechamento acelerado de agências e o aumento da sobrecarga enfrentada pelos bancários. “Com o fechamento de agências e as demissões, os funcionários que continuam nas unidades em funcionamento estão no limite, enfrentando sobrecarga de trabalho e acúmulo de funções, sem falar nas metas abusivas, que estão adoecendo a categoria”, relatou a diretora do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Maria de Fátima Guimarães.
Segundo os dirigentes sindicais, a situação se repete em todo o país. Em diversas regiões, locais que antes contavam com várias agências passaram a ter apenas uma unidade em funcionamento. Em matéria publicada no site da Contraf-CUT, a coordenadora da COE, Ana Marta Lima, afirmou que o cenário atingiu nível crítico. “O fechamento de agências está impactando trabalhadores e clientes. Há casos de longas filas de espera para serviços essenciais”, destacou a dirigente, lembrando que os efeitos atingem principalmente idosos, moradores de periferias, áreas rurais e a população de baixa renda, mais dependentes do atendimento presencial.
NPS e Conduta Certa
Outro problema apresentado pelos representantes dos empregados são os impactos diretos nas avaliações de desempenho. Segundo relatos dos bancários, mesmo quando o atendimento é adequado, as longas filas influenciam negativamente o NPS (Net Promoter Score), indicador de satisfação dos clientes, afetando a remuneração variável dos empregados.
Os dirigentes sindicais também cobraram transparência sobre o Programa Conduta Certa. O banco informou que fará uma apresentação específica sobre o tema no próximo dia 20. Os bancários se queixam de que as mudanças vêm sendo implementadas sem diálogo prévio, deixando os trabalhadores expostos a avaliações consideradas punitivas. “Cresce cada vez mais o número de trabalhadores afastados pelo INSS porque a situação chegou a um nível insuportável para os bancários”, explica Fátima.
Números preocupam
Dados oficiais do próprio Santander revelam que foram extintas 575 unidades entre agências e pontos de atendimento em 2025. No primeiro trimestre de 2026, outras 63 unidades foram fechadas.
Desde 2019, o Santander encerrou 2.018 postos de atendimento, sendo 1.460 agências. Atualmente, restam 868 agências e 754 PABs, segundo dados divulgados pelo banco.
Risco para o Acordo Coletivo
Outro ponto discutido foi o envio de um comunicado de “Atualização do Contrato de Trabalho” a empregados classificados pelo banco como “hipersuficientes” — trabalhadores com remuneração superior a dois tetos do Regime Geral de Previdência Social e diploma de nível superior.
Os sindicatos querem que esses acordos sejam anulados e deixem de existir, por contrariarem o que foi pactuado entre a Fenaban e o Comando Nacional dos Bancários, que impede acordos individuais.
A orientação da COE é para que os trabalhadores não assinem o termo e denunciem ao Sindicato qualquer tipo de pressão, já que o documento pode abrir precedentes para retirada de direitos. O banco se comprometeu a suspender a aplicação desses acordos até a conclusão de uma análise jurídica sobre o processo.
*Texto com informações da Contraf-CUT.