Agindo como se seus lucros não fossem bilionários, os banqueiros representados pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), propuseram ao Comando Nacional dos Bancários, na negociação desta quinta-feira (13/8) da Campanha Nacional Unificada, pagar pisos diferenciados por bancos e reajustar os tíquetes refeição e alimentação também de forma diferenciada, elevando em alguns estados e congelando por um tempo o valor em outros. A ideia é conceder valores inferiores, em cidades de estados menores.
Desta forma, atacam a Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários, acabando com o direito garantido há décadas a pisos e reajustes únicos para a categoria em todo o país, arrochando os salários. A proposta causou indignação e revolta entre os membros do Comando Nacional dos Bancários, tendo sido rejeitada em mesa.
O Comando reafirmou a sua posição de preservação dos direitos conquistados e da pauta da categoria que prevê aumento real, valorização da PLR e dos tíquetes para todos os bancários e bancárias do Brasil e espera que a Fenaban recue no retorno da mesa, logo mais, na parte da tarde.
Após a rejeição, a Fenaban pediu uma interrupção na negociação. Mas, no retorno, ao final da tarde, manteve a mesma proposta, mostrando total intransigência e desrespeito com bancários e bancárias.
A representação dos banqueiros chegou, ainda, a ameaçar ir ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso não houvesse acordo para os modelos de reajustes propostos. Mas, depois de um intervalo durante a negociação de hoje, recuou.
Assembleia e paralisação para dizer NÃO à Fenaban – Com isto, em nova reunião, o Comando Nacional dos Bancários decidiu convocar uma assembleia virtual nacional da categoria bancária no dia 17 de agosto, orientando pela rejeição da proposta e pela aprovação de uma paralisação nacional no dia 20 de agosto. A votação da assembleia será das 20 às 23 horas. Uma plenária virtual para explicar a proposta e sua rejeição será realizada um pouco antes, no próprio dia 17, às 18 horas. O link da plenária será divulgado aqui no site do Sindicato.
Para participar da assembleia, basta clicar aqui: http://votabem.com.br.
Para José Ferreira, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, é urgente que a categoria participe em peso da paralisação a fim de mostrar a sua insatisfação com a proposta de corte de direitos feita pela Fenaban. “A orientação do Comando é que as assembleias rejeitem em peso o que os bancos propuseram e que bancários e bancárias façam uma forte paralisação, para que, desta forma, as negociações possam avançar na direção de uma proposta que respeite os direitos da categoria e contemple as reivindicações apresentadas”, afirmou o dirigente.
A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira, também criticou os banqueiros. “Eles não querem aumentar o custo, querem simplesmente usar o mesmo valor pago hoje com os vales, tirando de alguns trabalhadores para pagar para outros, como se alguns pudessem comer melhor que outros”, criticou.
“O setor bancário lucrou R$ 174 bilhões ano passado. Não tem sentido apresentar uma proposta rebaixada. Por que não tirar dos altos executivos, então, para pagar o reajuste que a categoria bancária exige e tem de direito?”, acrescentou Juvandia, lembrando que a remuneração média per capita anual paga à diretoria estatutária dos três maiores bancos privados do país chegará a R$ 12,5 milhões em 2026. “Esse valor é mais de 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário, considerando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR. É uma diferença salarial que mostra onde os bancos estão escolhendo concentrar a renda”, completou a dirigente bancária.
Clique aqui para ler o edital de convocação da assembleia do dia 17/8: https://bancariosrio.org.br/edital-de-assembleia-geral-extraordinaria-63/.