A direção do Banco do Brasil prometeu aos representantes do funcionalismo, durante negociação realizada nesta sexta-feira (3), em Brasília, apresentar, em breve, uma resposta definitiva para a situação da Cassi, diante da urgência do tema.
A necessidade de uma solução imediata para a Caixa de Assistência levou a própria diretoria da Cassi a encaminhar correspondência às entidades representativas dos trabalhadores e ao Banco do Brasil alertando para a necessidade de medidas urgentes que mantenham as contas da entidade em conformidade com as exigências financeiras e regulatórias.
A CEBB (Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil) já vinha cobrando uma proposta de custeio que não represente aumento de despesas para os trabalhadores e que garanta a sustentabilidade da Cassi.
“O momento é preocupante e o BB precisa solucionar essa situação emergencial para que possamos seguir, de forma perene, na construção de uma solução que traga tranquilidade ao nosso plano. O banco conhece suas responsabilidades e é fundamental que a direção se comprometa para que possamos chegar a uma solução consistente. Aguardamos a resposta da empresa”, afirmou o diretor de Bancos Públicos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, membro da CEBB e representante da Federa-RJ nas negociações com o banco, Alexandre Batista.
Consenso entre as partes
Durante a reunião, houve consenso entre as entidades de que é necessário reforçar junto ao banco a importância de um aporte emergencial de R$ 580 milhões para garantir recursos imediatos e preservar o atendimento aos associados. Também foi defendido o adiamento da cobrança da primeira parcela do adiantamento do 13º salário para o fim de 2027.
Os representantes do Banco do Brasil sinalizaram que a instituição vê a proposta de forma positiva.
Consulta ao corpo social
O negociador do banco relembrou as discussões realizadas no encontro anterior, em 23 de junho, e afirmou que a instituição considera positiva a proposta de um aporte conjunto entre o banco e os associados no valor de R$ 2,3 bilhões até o fim de 2027.
Ele ponderou, entretanto, que a antecipação do 13º salário, isoladamente, não seria suficiente para solucionar o problema de desenquadramento do capital regulatório da Cassi. Também reforçou que qualquer proposta deverá ser submetida à consulta do corpo social.
Na sequência, o presidente da Cassi, Claudio Said, explicou que a comunicação enviada às entidades representativas cumpre o dever de diligência da diretoria da Caixa de Assistência de informar aos patrocinadores — Banco do Brasil e associados — sobre a situação financeira da entidade e as possíveis consequências caso não haja ingresso de novos recursos no Plano de Associados.
Claudio Said lembrou ainda que o tema já havia sido registrado em ata na última reunião do Conselho Deliberativo da Cassi.
Aporte imediato
Durante a negociação, a coordenadora da mesa pelas entidades, Fernanda Lopes, reiterou que há consenso entre as representações dos funcionários quanto à necessidade de um aporte imediato de R$ 580 milhões por parte do Banco do Brasil, além da postergação da cobrança da primeira parcela do adiantamento do 13º salário para 2027.
Segundo ela, essas medidas permitiriam que associados, banco e Cassi construíssem, ao longo dos próximos meses, os termos da consulta ao corpo social, preservando a sustentabilidade da Caixa de Assistência.
Modelo 70% x 30%
Fernanda Lopes também defendeu que a recomposição das reservas siga a proporção de 70% de participação do banco e 30% dos associados, conforme estabelece a legislação vigente.
Outro ponto apresentado na reunião foi a possibilidade de elaboração de um memorando de entendimento, ou documento equivalente, a ser firmado entre as entidades e o Banco do Brasil para registrar os compromissos assumidos durante as negociações e orientar tanto a realização dos aportes quanto a consulta aos associados, sempre observando o princípio da boa-fé negocial.
Ao final do encontro, o negociador do Banco do Brasil informou que a instituição recebeu de forma positiva a proposta apresentada pelas entidades, mas que ainda necessita de tempo para avaliar seus impactos, comprometendo-se a apresentar uma resposta em breve.
Ele ressaltou ainda que, embora a divisão do custeio em 70% para o banco e 30% para os associados esteja prevista na Resolução CGPAR nº 52, atingir esse patamar representa um desafio para a empresa neste momento.
Retorno a curto prazo
Por fim, o representante do banco reafirmou o compromisso de apresentar um retorno em curto prazo, diante da urgência da situação enfrentada pela Cassi, e informou que uma nova reunião será agendada para apresentar uma resposta definitiva às reivindicações das entidades.