O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro realizou, nesta quinta-feira (9), o lançamento oficial da Campanha Nacional dos Bancários 2026. O ato público, realizado no Centro da cidade, teve sua data alterada em razão da greve dos rodoviários na capital, movimento que conta com a solidariedade de todo o movimento sindical.
Os dirigentes sindicais percorreram agências bancárias, saindo da Avenida Presidente Vargas, próximo à Candelária, e seguindo pela Avenida Rio Branco, ao som da bandinha “A Furiosa”. As atividades em defesa dos empregos e contra o fechamento de agências vêm sendo realizadas pelo Sindicato carioca desde o início deste ano.
Campanha nas redes sociais

O Sindicato convocou a categoria a participar da campanha também pelas redes sociais e pelo site da entidade, compartilhando as hashtags da mobilização nacional. “Estamos iniciando a nossa campanha salarial. Os principais pontos da pauta de reivindicações são o aumento real dos salários, o combate ao fechamento de agências, às demissões e ao adoecimento da categoria e melhores condições de trabalho. Contamos com o engajamento das bancárias e dos bancários nas atividades sindicais”, afirmou o diretor do Sindicato, Leuver Ludolff, durante atividade na agência do Bradesco da Avenida Presidente Vargas, a primeira visitada pela caravana.
Em defesa do emprego

O presidente do Sindicato, José Ferreira, destacou que a primeira rodada de negociação com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) teve como tema central a defesa do emprego.
“Os bancos sequer cumpriram o compromisso assumido de não demitir durante a pandemia. Isso levou o nosso Departamento Jurídico a dar como resposta, r a reintegração de um grande número de funcionários dispensados de forma irregular”, afirmou. Ressaltou ainda que a campanha em defesa da manutenção das agências físicas busca também dialogar com a população sobre a importância do direito ao atendimento presencial.
“Não é possível que os bancos pensem apenas em vender produtos aos clientes e impor metas cada vez mais abusivas aos empregados para ampliar seus lucros. Precisamos construir, junto com a sociedade, um projeto que garanta um número adequado de agências e de trabalhadores no setor para oferecer atendimento digno à população, especialmente aos idosos e às pessoas com deficiência”, disse.
O Sindicato lembrou que diversas agências das zonas Norte e Oeste do Rio enfrentam superlotação, longas filas e demora no atendimento.
30 agências fechadas por dia
A presidenta da Federa-RJ, Adriana Nalesso, ressaltou que a tecnologia deve servir para ampliar o atendimento à população e não para eliminar postos de trabalho e restringir o acesso aos serviços bancários.
“Negociamos com um setor extremamente poderoso economicamente e que exerce forte influência no Congresso Nacional. A tecnologia não pode ser utilizada para impedir o atendimento presencial nem para justificar demissões. Ela deve beneficiar toda a sociedade, especialmente idosos e pessoas com deficiência, que dependem do atendimento nas agências. É preciso haver mais caixas e mais funcionários. Hoje, os bancos fecham, em média, 30 agências por dia no país”, criticou.
Assédio também nos bancos públicos
A pressão por metas e o assédio moral, outro eixo da Campanha Nacional 2026, também atingem os bancos públicos. Durante a atividade em uma agência do Banco do Brasil, um funcionário relatou a pressão vivida pelos funcionários.
“Apesar da estabilidade, os funcionários sofrem no Banco do Brasil perseguições quando deixam de realizar visitas a clientes por causa da sobrecarga de trabalho. A cobrança por metas no banco é um problema recorrente”, afirmou.
O diretor do Sindicato Roberto André explicou que o assédio moral no BB é um problema estrutural da empresa. A situação se agravou após os prejuízos provocados pela inadimplência de grandes produtores do agronegócio, aumentando ainda mais a pressão e a sobrecarga sobre os trabalhadores.
Caixa lidera adoecimento

A atividade foi encerrada na agência da Caixa Econômica Federal da Candelária. Chamou a atenção dos dirigentes sindicais o número reduzido de empregados para atender o público. O presidente do Sindicato, José Ferreira, empregado da Caixa, afirmou que o banco lidera os índices de adoecimento da categoria, superando, na média, os bancos privados. Segundo ele, por isso, uma das maiores preocupações dos empregados continua sendo o Saúde Caixa.
Sérgio Amorim, que junto com Rogério Campanate, representa os empregados e empregadas do Estado do Rio na mesa específica fez uma avaliação deste início de negociações. “O Saúde Caixa tem elevado a participação financeira dos empregados nos custos do plano. Defendemos na mesa de negociação o retorno da proporção de custeio de 70% para a Caixa e 30% para os empregados, além da melhoria da rede credenciada. Uma boa notícia é que a Caixa anunciou o início do compartilhamento da rede de atendimento com a Cassi, do Banco do Brasil, medida importante principalmente para os bancários do interior do país”, destacou o diretor Sergio Amorim.
Ao encerrar a atividade, Sônia Eymard lembrou que o Sindicato é formado por toda a categoria e reforçou a importância da participação das bancárias e dos bancários nas mobilizações nos locais de trabalho e nas redes sociais.

Fotos: Nando Neves


