CAMPANHA NACIONAL 2026

Após forte adesão à paralisação de 24h, bancários voltam a se reunir com a Fenaban na segunda-feira (24)

Impasses permanecem também nas mesas dos acordos específicos do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal

A paralisação de 24 horas no Rio de Janeiro, como no resto do país foi um sucesso. O movimento sindical espera que a Fenaban apresente uma proposta digna para toda a categoria, na negociação da próxima segunda-feira (24). Fotos Nando Neves e Robson Monte

O Comando Nacional das Bancárias e dos Bancários volta a se reunir com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) na próxima segunda-feira, 24 de agosto, dando continuidade às negociações da Campanha Nacional Unificada 2026.

A categoria reivindica aumento real de salários, melhores condições de saúde e trabalho, além do fim do fechamento de agências, das demissões e do adoecimento dos trabalhadores do setor, provocado, entre outros fatores, pela pressão das metas abusivas.

Proposta indecente 

A categoria rejeitou a última proposta apresentada pelos bancos na rodada de negociação realizada na terça-feira (18). Na ocasião, os representantes dos trabalhadores iniciaram o encontro apresentando os resultados das assembleias realizadas no dia anterior, em todo o país: 97% dos trabalhadores rejeitaram as propostas da Fenaban.

Mesa única é imprescindível

Os bancos tentaram impor reajustes diferenciados por faixas salariais e o congelamento do piso de ingresso, dividindo a categoria e rompendo com a mesa única de negociação, estratégia mantida com êxito há mais de 20 anos.

Os resultados das assembleias demonstraram a indignação dos bancários em relação à proposta dos bancos. Cerca de 90% aprovaram a realização de uma paralisação nacional de 24 horas, realizada na última quinta-feira (20).

A pressão da categoria, com mais de 50 mil trabalhadores participando das assembleias, levou a Fenaban a recuar das propostas de reajustes por faixas salariais e de congelamento do piso de ingresso. No entanto, o impasse permaneceu: os bancos se recusaram a prosseguir com as negociações caso a categoria mantivesse a paralisação aprovada pelas bases sindicais de todo o país.

Paralisação foi um sucesso

Os trabalhadores mantiveram a paralisação durante todo o dia, e milhares de agências permaneceram fechadas na quinta-feira (20).

Repercussão na mídia 

A mobilização dos bancários teve repercussão em jornais, noticiários de rádio e televisão e nas redes sociais de todo o país. “Essa ação foi uma advertência à Fenaban, pela falta de respostas às reivindicações da categoria, debatidas desde o início de julho, na mesa de negociações”, explicou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, em matéria publicada no site da entidade.

“O resultado das paralisações foi um sucesso: demos o recado de que exigimos respeito e reafirmamos a unidade nacional da categoria, fortalecendo ainda mais a nossa luta nesta campanha”, acrescentou.

Saída negociada

O Comando Nacional dos Bancários busca uma saída negociada, enquanto a Fenaban sinaliza com ameaças de recorrer ao TST (Tribunal Superior do Trabalho). Como a próxima rodada acontecerá na segunda-feira (24), pouco mais de uma semana antes da data-base, em 1º de setembro, o movimento sindical demonstra preocupação com a necessidade de chegar a um acordo com os bancos. É que, com o fim da ultratividade, após a reforma trabalhista do governo Michel Temer (MDB), os trabalhadores ficam sem a garantia de manutenção dos direitos previstos na atual Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) após o término de sua vigência.

“Oito rodadas sem a apresentação de uma proposta de índice de reajuste nos salários, melhorias na PLR, vales-refeição e alimentação, no piso e nas demais reivindicações da categoria, para o combate ao adoecimento mental, fim da gestão por metas abusivas e das desigualdades salariais e de oportunidades, que prejudicam a manutenção e ascensão de mulheres, negros e negras e pessoas com deficiência (PCD) nos bancos”, ressalta Juvandia Moreira.

Impasses também no BB e na Caixa 

Bancários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal também aderiram em massa à paralisação da última quinta-feira (20)

O movimento sindical também exige avanços nas mesas de negociação do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal para a renovação dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs) específicos de cada empresa. Na próxima semana, as mesas específicas nós dois bancos públicos terão prosseguimento, após várias tentativas frustadas de um acordo.

“Temos negociação agendada durante toda a semana, entre o Comando Nacional e a Fenaban, e entre as comissões de empresa dos trabalhadores do BB e da Caixa e os respectivos bancos públicos”, completou Juvandia

*Matéria com informações da jornalista Lilian Milena, da Contraf-CUT.