A Polícia Federal realizou, nesta terça-feira (26), pela segunda vez em menos de uma semana, uma operação na residência do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, localizada na Península, na Barra da Tijuca. Na ação, foram apreendidos dois celulares, documentos e equipamentos eletrônicos. Ao todo, também foram cumpridos outros nove mandados de busca e apreensão.
Segundo decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), André Mendonça, as investigações apontam que Castro manteria “um vínculo pessoal estreito” com o banqueiro Daniel Vorcaro. De acordo com a PF, essa proximidade estaria relacionada à decisão do governo do estado de realizar investimentos considerados arriscados no Banco Master, no valor de R$ 3 bilhões, por meio do RioPrevidência — fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais.
Conversas e encontros
As investigações da Polícia Federal indicam que Castro mantinha conversas frequentes com Vorcaro antes mesmo da operação, incluindo encontros realizados no Brasil e no exterior, que teriam sido custeados pelo banco. Segundo a PF, o então governador também teria feito “indicações estratégicas” para a diretoria do fundo previdenciário, supostamente burlando regras do sistema previdenciário estadual. “Os aportes foram realizados no mesmo período desses encontros”, afirma a PF no relatório da investigação.
Os negócios entre o RioPrevidência e o Banco Master ocorreram quando já eram públicas as dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição. Segundo as investigações, os problemas teriam relação com um suposto esquema fraudulento no sistema financeiro atribuído a Vorcaro.
A defesa de Cláudio Castro nega as acusações.
Vorcaro e Flávio Bolsonaro
Nos Estados Unidos, o senador Flávio Bolsonaro apareceu ao lado do irmão, Eduardo Bolsonaro, em foto com o presidente norte-americano Donald Trump.
O episódio ocorre em meio às revelações publicadas pelo Intercept Brasil de que Flávio Bolsonaro teria solicitado recursos a Vorcaro para a produção de um filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os produtores do documentário negam ter recebido qualquer valor dos R$ 61 milhões que, segundo a reportagem, teriam sido solicitados ao banqueiro.
As investigações também apontam suspeitas sobre recursos que poderiam ter sido utilizados para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, incluindo uma residência de luxo no Texas. O caso foi revelado em reportagem do Intercept Brasil.