CAMPANHA NACIONAL 2026

Abertura de congressos dos bancos públicos ressalta unidade por direitos da categoria e pelo Brasil

Dirigentes sindicais apontam que é necessário reeleger o presidente Lula porque a extrema-direita coloca em risco conquistas trabalhistas, acordos coletivos e a democracia

O auditório da Casa Portugal, em São Paulo, ficou lotado para a abertura solene e conjunta dos bancários e bancárias que participaram do primeiro dia dos congressos nacionais dos bancos públicos Fotos: Contraf-CUT

Foi realizada na noite desta quarta-feira (17), em São Paulo, a abertura solene e conjunta dos trabalhadores dos bancos públicos. Os dirigentes sindicais defenderam no evento, a combinação entre uma Campanha Nacional vitoriosa e a continuidade de um projeto político comprometido com a democracia, os bancos públicos e os direitos da classe trabalhadora, que passam pela reeleição do presidente Lula e a escolha de parlamentares em nível estadual e nacional, bem como governadores, comprometidos com a pauta popular, a democracia e a soberania nacional. Por isso, na avaliação do movimento sindical, não basta garantir a renovação da Convenção Coletiva da categoria e acordos específicos que preservem e avancem nos direitos dos bancários e bancárias, pois as conquistas podem ser perdidas se um.governo que defende somente os interesses de banqueiros e grandes empresários, além da submissão a nações estrangeiras, como os EUA vencer as eleições em 2026. Os dirigentes sndicais apontam que é necessário reeleger o presidente Lula e derrotar porque a extrema-direita coloca em risco conquistas trabalhistas, acordos coletivos, além da democracia e da soberania nacional.

Projetos antagônicos 

A solenidade, realizada na Casa de Portugal, reuniu representantes dos trabalhadores dos congressos nacionais dos empregados do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.

“Não adiantará nada sairmos da campanha salarial com os melhores acordos possíveis para a Convenção Coletiva de Trabalho e os Acordos Coletivos nos bancos se perdermos as eleições presidenciais e legislativas neste ano. O que está em disputa são dois projetos antagônicos. De um lado, o projeto do Estado mínimo para o povo e máximo para uma pequena elite, cujas consequências nós já conhecemos. Do outro, um projeto que defende a democracia, a soberania nacional e garante condições para que os trabalhadores façam suas lutas e conquistem aumento real de salários”, disse a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, presidenta da Contraf-CUT e vice da CUT Nacional, Juvandia Moreira.

A dirigente sindical ressaltou ainda que a disputa política não se limita à Presidência da República, mas é decisivo também, ampliar a representação de parlamentares comprometidos com os interesses da população e a defesa das empresas públicas. “Além da renovação dos acordos coletivos e da Convenção Coletiva, temos a grande tarefa de eleger o presidente Lula e deputados e senadores comprometidos com o povo. Só assim vamos impedir que a população volte para a fila do osso. Essa é a mensagem que precisamos levar para toda a categoria nas bases”, concluiu.

Encerrando a abertura solene, o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, afirmou que a derrota de Jair Bolsonaro em 2022 não significou o desaparecimento do fascismo. Ele avaliou que as eleições de 2026 serão marcadas pela disputa entre projetos antagônicos para o país.

Segundo Edinho, manifestações de intolerância, racismo, misoginia e violência contra as minorias demonstram que o extremismo segue presente na sociedade brasileira. Ao analisar o cenário internacional, o dirigente partidário apontou o crescimento da extrema direita em diversos países do mundo, inclusive na América Latina, e observou que o enfrentamento entre democracia e autoritarismo permanece como um desafio global.

Intolerância e fascismo 

Citando o pensador italiano Antonio Gramsci, o dirigente petista destacou que a intolerância ao diferente é uma das marcas do fascismo e associou esse comportamento a políticas adotadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como a perseguição aos imigrantes e o enfraquecimento de políticas voltadas à diversidade. Na avaliação de Edinho, o Brasil ocupa posição estratégica nesse cenário, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exerce um papel relevante na defesa da democracia.

“De um lado, está um modelo baseado nas privatizações, no sucateamento dos serviços públicos, no negacionismo e no enfraquecimento da ciência e das universidades. Do outro, está um projeto que defende a soberania nacional, a redução das desigualdades, a valorização da educação e o desenvolvimento tecnológico. Queremos um Brasil que transforme suas riquezas em desenvolvimento, modernização da indústria e geração de empregos de qualidade para as próximas gerações”, concluiu o presidente nacional do PT.

Os participantes da abertura solene defenderam ainda, a democracia, a soberania nacional e o papel social dos bancos públicos e do estado no desenvolvimento econômico e social do Brasil.

Importância das estatais 

Representando a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a coordenadora-geral em exercício Cibele Vieira, destacou a necessidade de fortalecer um projeto voltado à valorização dos trabalhadores e das empresas estatais.”Temos que voltar a sonhar e acreditar que fortalecer os direitos dos trabalhadores e as empresas públicas é fortalecer o Brasil”, destacou.

Saúde Caixa 

Representando a Comissão Executiva dos Empregados (CEE) da Caixa, Felipe Pacheco destacou os desafios da campanha deste ano, especialmente em relação ao Saúde Caixa. “Precisamos garantir os direitos conquistados e avançar em novas reivindicações. Uma das prioridades é o fim do teto de custeio de 6,5% do Saúde Caixa, e isso exige unidade da categoria”, afirmou.

Campanha no BB  

Pela Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes ressaltou que a categoria chega à campanha em um momento decisivo e agradeceu o apoio dos trabalhadores nas eleições da Cassi, da Previ e do Economus.

“Estamos nos preparando para uma nova batalha e é fundamental saber que estamos juntos. Essa confiança é o que nos dá a certeza de que sairemos vitoriosos”, declarou.

Saúde mental é prioridade 

O crescimento das doenças da mente no trabalho no Brasil, com a categoria bancária entre as mais afetadas, também terá prioridade na Campanha Nacional deste ano.

O coordenador da Comissão de Negociação dos Funcionários do Banco do Nordeste (BNB), Robson Araújo, chamou atenção para os debates realizados durante o congresso do banco sobre a aplicação da NR-1 e os riscos psicossociais. Segundo ele, as entidades sindicais também precisam construir diagnósticos próprios sobre o adoecimento da categoria.”Esse levantamento pode se tornar uma ferramenta importante para enfrentarmos os problemas de saúde mental que atingem os bancários”, afirmou.

Precarização do trabalho  

As propostas e estratégias que serão aprovadas nos congressos dos bancos públicos serão encaminhadas e deliberadas na 28 Conferência Nacional dos Bancários, que acontece de sexta-feira (19) até domingo (21), no Holiday Inn Parque Anhembi, também na capital paulista.

Pelo fim da 6 x 1 

Representando a Intersindical, Rita Lima defendeu o fim da escala 6×1 e a necessidade de enfrentar a lógica contra os interesses da população e dos trabalhadores”, avaliou.

Bancário da Baixada Fluminense e representante da corrente Fórum, Fernando Correia de Sá, destacou que a pluralidade de ideias fortalece o movimento sindical.

“Independentemente das correntes políticas, todos buscamos a unidade para defender os direitos dos bancários ativos e aposentados. Só a luta nos garante”, concluiu.

Importância das eleições 

Para José Ferreira Pinto, presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e representante da corrente Articulação Bancária, as eleições deste ano terão impacto direto sobre os direitos da categoria.

“Está em jogo impedir retrocessos e defender os bancos públicos. O sucesso da nossa campanha nacional também será importante para fortalecer a luta da categoria”, disse.

“Nunca foi tão presente a expressão de que o processo eleitoral de 2026 será o mais importante de nossas vidas, pois está em jogo impedir o retorno da ultradireita ao govern, o que significaria um ataque aos mais pobres, aos trabalhadores organizados e, em nosso caso a ameaça aos bancos públicos bem como o ataque a todo um conjunto de direitos e conquistas”, explicou Ferreira, em entrevista à Imprensa do Sindicato do Rio. .

Desafios da categoria 

José Ferreira falou ainda, dos principais desafios da categoria em 2026. “Será muito importante o diálogo com cada colega sobre a necessidade de mobilização para o sucesso de nossa campanha nacional que vem cercada de desafios, como o combate às metas abusivas que nos consomem e adoecem. A luta pela sustentabilidade da assistência à saúde que também está no centro da pauta e merecem todo o nosso vigor. O combate ao fechamento de agências que vem trazendo prejuízo à sociedade, em particular aos idosos e clientes de menor renda e afetando o emprego nos bancos privados”, ressaltou Ferreira. Ele destacou ainda, a luta pra que os bancos públicos continuem a cumprir o seu papel nas políticas públicas que são o verdadeiro diferencial em relação ao mercado bancário. Citou também a necessidade de regulamentação do uso da IA (Inteligência Artificial) como parte dos desafios dos bancários e bancárias, que serão debatidos nos congressos dos bancos públicos, nos encontros nacionais dos bancos privados e, finalmente, na 28ª Conferência Nacional dos Bancários, que será será realizada de sexta-feira (19) à domingo (21), também na capital paulista.

“Mas é preciso reafirmar de que pouco adiantará ter acordos que garantam direitos se ao final a ultradireita vencer o processo eleitoral e por isso defendemos a centralidade da reeleição de Lula e também de mudanças profundas no parlamento elegendo, majoritáriamente, uma bancada progressista. Os desafios estão postos e por isso desejamos que façamos dos nossos congressos mais uma ferramenta para nossas lutas e a conquista da renovação de nossa Convenção Coletiva e acordos específicos que garantam melhores condições de trabalho e de vida”, concluiu.

O diretor de Bancos Públicos do Sindicato do Rio de Janeiro e representante da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, Alexandre Batista também avaliou a atual conjuntura e ressaltou a importância dos bancos públicos para a sociedade, o desenvolvimento e a soberania do Brasil. “A abertura conjunta das Conferências Nacionais dos bancos públicos deixou nítida, a certeza de nossa missão de construirmos e fortalecermos os bancos públicos como patrimônio do povo brasileiro e instrumento de fomento à economia e ao desenvolvimento”, explicou.

“Vivemos momentos difíceis. Precisamos, de forma intransigente, valorizar os funcionários dessas empresas públicas e estatais, que no seu dia a dia impulsionam o desenvolvimento do Brasil. Vamos atuar de forma comprometida na construção dos projetos que estão ao lado da classe trabalhadora e que não coadunam com a sana entreguista e privatista da extrema-direita”, completou Alexandre.

Delegadas e delegados, representando trabalhadores dos bancos públicos de todo o país, debateram o papel social e o fortalecimento dos bancos públicos, a necessidade de regulamentação do sistema financeiro e as reivindicações da categoria para a Campanha Nacional 2026
Fotos: Contraf-CUT