RESPEITEM A CATEGORIA

Se a Fenaban não apresentar proposta decente nesta terça-feira (18), bancários vão aumentar ainda mais a mobilização

Paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira (20) dá sinais de que terá grande participação da categoria, que exige propostas decentes que valorizem os bancários e as bancárias. Categoria rejeitou em assembleias de todo país, com 97% dos votos, a proposta dos bancos

O Sindicato convoca toda a categoria bancária para aderir à paralisação de 24 horas nesta quinta-feira (20) na greve nacional em protesto contra a falta de respeito dos bancos a quem constrói os lucros: os bancários e as bancárias. Foto: Nando Neves

O Comando Nacional dos Bancários volta a se reunir com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) nesta terça-feira (18). Esta é a oitava rodada de negociações da Campanha Nacional Unificada 2026, que reivindica aumento real nos salários, valorização da PLR e dos tíquetes refeição e alimentação, fim do fechamento de agências e das demissões, melhores condições de saúde e trabalho, fim das metas abusivas e igualdade de oportunidades.

Proposta indecente 

Na última rodada, realizada na quinta-feira passada (13), os bancos frustraram os trabalhadores ao não apresentar nenhuma proposta de índice de reajuste salarial.

As únicas propostas apresentadas pela Fenaban, em uma reunião que durou quase oito horas, provocaram indignação entre os dirigentes sindicais do Comando Nacional e revolta nos locais de trabalho. Os bancos propõem o congelamento do piso de ingresso para os novos bancários e reajustes diferenciados para três faixas salariais, sem informar sequer quais seriam os parâmetros dessas faixas nem os percentuais a serem aplicados em cada uma delas. Também foram propostos valores diferenciados para os tíquetes, de acordo com o custo de vida de cada região.

Para piorar, a Fenaban ameaçou recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) caso a categoria não aceite a proposta, considerada rebaixada pelo movimento sindical e que, segundo os representantes dos trabalhadores, retira direitos.

Assembleias rejeitam propostas

Diante da postura intransigente da Fenaban, o Comando Nacional convocou assembleias na segunda-feira (17). A participação da categoria superou os prognósticos mais otimistas, e os bancários rejeitaram, por 97% dos votos, a proposta considerada vergonhosa pelo movimento sindical. A categoria também aprovou, por esmagadora maioria, a paralisação nacional de 24 horas para esta quinta-feira (20).

O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro já está em São Paulo para participar da negociação desta terça-feira (18).

Motivos para aderir à paralisação 

A categoria bancária tem motivos de sobra para aderir à paralisação de 24 horas desta quinta-feira (20).

O patrimônio líquido do setor bancário atingiu, em 2025, R$ 1,2 trilhão. Enquanto o setor fechava 88 mil postos de trabalho e 9,5 mil agências entre 2015 e 2025, os cinco maiores bancos aumentavam em 49% os contratos com correspondentes bancários, terceirizando serviços e reduzindo custos à custa da precarização do trabalho.

Na mesa de negociação com os bancários, a Fenaban repete a choradeira de sempre, alegando dificuldades diante da concorrência no setor, do avanço das plataformas digitais de pagamento e das cooperativas. Mas, quando se trata da cúpula dos altos executivos, os bancos abrem os cofres para remunerá-los. A remuneração média anual dos altos executivos dos três maiores bancos privados chegará a R$ 12,5 milhões em 2026 — valor 120 vezes superior à remuneração anual de um escriturário, considerando salário, 13º, férias, tíquetes e PLR.

Também é falsa a alegação de que não existe demanda para o atendimento presencial nas agências. Em 2025, foram realizadas 7,2 bilhões de transações em agências bancárias físicas, o equivalente a uma média de aproximadamente 28,6 milhões de transações por dia útil. Além disso, muitos idosos ainda precisam do atendimento dos funcionários nas agências por terem dificuldades para utilizar as plataformas digitais.

Dados oficiais do IBGE também apontam que milhões de brasileiros ainda não têm acesso à internet. 6

O lucro por empregado nos bancos é de R$ 438 mil, demonstrando a alta rentabilidade gerada pelo trabalho dos bancários.

Entre maio de 2025 e maio de 2026, 40% das bancárias e dos bancários usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes. O dado reforça a preocupação da categoria com o adoecimento provocado por metas abusivas, sobrecarga de trabalho e assédio moral.

Tíquetes defasados 

Os tíquetes refeição e alimentação também estão defasados. O vale-alimentação acumula perda de 13% entre 2019 e 2025, enquanto o vale-refeição registra perda de 3,7% entre 2023 e 2025. Para recompor o poder de compra de 2019, o VA mensal precisaria subir de R$ 924,47 para R$ 1.293,73, um reajuste de 40%.

PLR minguando 

A PLR da categoria também vem perdendo valor. Em 1995, os bancos privados distribuíam um percentual de PLR que chegava a 14%. Em 2025, a média caiu para apenas 5,9%.

Entre os bancos públicos, somente a Caixa atingiu o teto de 15%, previsto na CCT, enquanto o Banco do Brasil se aproximou desse índice, com distribuição média de 11%.

Hora de Mobilização 

É hora de a categoria bancária expressar toda a sua indignação contra a postura intransigente da Fenaban e lutar por propostas justas e dignas.

Paralisação nacional de 24 horas nesta quinta-feira (20).

Reivindicações da categoria

Aumento real: reajuste acima da inflação nos salários e demais remunerações, como PLR, vale-alimentação e vale-refeição; valorização dos pisos e criação de um piso para os trabalhadores de TI.. Melhores condições de trabalho: fim das metas abusivas, combate ao assédio algorítmico e proibição do monitoramento permanente que intensifica a cobrança por resultados.

Mais contratações: número adequado de funcionários para reduzir filas de atendimento, a sobrecarga e o estresse dos trabalhadores. Outro item fundamental é a igualdade de oportunidades: democratização do acesso ao emprego, garantindo igualdade salarial e de ascensão na carreira para mulheres, negros, indígenas, pessoas com deficiência (PCD) e pessoas LGBTQIA+.

A minuta de reivindicações prevê ainda, o fortalecimento do programa de bolsas de qualificação integral e reserva de vagas para bancárias na área de TI, combatendo a desigualdade de gênero no setor tecnológico.