Na quarta-feira passada, dia 5 de agosto, em São Paulo, a direção da Caixa Econômica Federal apresentou uma proposta considerada “indecente” sobre o Saúde Caixa, na quinta mesa de negociação com o banco. A frustração foi ainda maior porque os representantes da Comissão Executiva dos Empregados (CEE-Caixa) esperavam que a empresa apresentasse uma proposta global sobre o conjunto das reivindicações dos trabalhadores. Em função desta postura do banco em todas as mesas de negociação, sem nenhum avanço e nada de proposta digna, os sindicatos vão intensificar a mobilização.
Por isso, as entidades sindicais da base da Federa-RJ (Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro), realizam nesta quarta-feira, dia 12 de agosto, às 19h, uma plenária online para tratar do desenrolar das negociações, pelo aplicativo Zoom. A próxima mesa de negociação acontece no dia 14 de agosto (sexta-feira). “Nesse momento crucial das negociações todos os nossos movimentos são monitorados pela direção do banco. Portanto, já nesta plenária, precisamos demonstrar que estamos dispostos à luta, participando em massa de nossa Campanha Nacional”, explica o diretor de Administração do Sindicato do Rio e membro da CEE-Caixa, Rogério Campanate.
A direção da Caixa havia prometido apresentar uma proposta que valorizasse os empregados. No entanto, as federações rejeitaram, por unanimidade, e ainda durante a reunião, a proposta considerada inaceitável.
Proposta rejeitada na mesa
Pela proposta da empresa, o teto mensal de participação dos empregados no custeio do plano passaria de 7% para 14% por grupo familiar. Já a contribuição do titular subiria de 3,5% para 5,5%. O valor cobrado dos dependentes diretos aumentaria de R$ 480 para R$ 870; dos dependentes indiretos, para R$ 930; e dos filhos entre 24 e 27 anos, para R$ 1.050. A cobrança continuaria sendo feita em 13 parcelas anuais, o que representaria perda significativa de renda para os trabalhadores. Mesmo que a categoria conquiste reajuste correspondente à inflação acrescida de 5% de aumento real, conforme reivindica a minuta da Campanha Nacional, o aumento das contribuições ao Saúde Caixa consumiria boa parte desse ganho e, em muitos casos, elevaria ainda mais o comprometimento da renda dos empregados.
Os bancários da Caixa cobram o retorno da proporção de 70% para a empresa e 30% para os usuários no custeio do plano, entre outras reivindicações (confira mais detalhes em nosso site). Em 2025, a contribuição líquida da Caixa foi de aproximadamente R$ 2,02 bilhões. As mensalidades pagas pelos beneficiários somaram R$ 1,39 bilhão, enquanto as coparticipações alcançaram R$ 303,6 milhões. Considerando apenas essas receitas regulares, a Caixa respondeu por cerca de 54% do financiamento do plano, enquanto empregados, aposentados e pensionistas arcaram com aproximadamente 46% dos custos. A causa deste injusto disparate é o teto estatutário que limita a participação da empresa a 6,5% da folha de pagamentos e proventos, regra criada durante o governo Michel Temer. Como as despesas médicas crescem acima da evolução da folha salarial, inclusive pelo adoecimento de bancários por causa da sobrecarga de trabalho e pressão por metas, a participação da Caixa permanece limitada e uma parcela cada vez maior dos custos acaba sendo transferida aos usuários. A proposta, considerada absurda pelo movimento sindical, foi rejeitada em mesa.