CAMPANHA NACIONAL 2026

Fenaban não apresenta propostas e saída é intensificar a mobilização dos bancários

Bancos frustram a categoria ao adiar, mais uma vez, a apresentação de uma proposta e prometem resposta na próxima rodada de negociações, marcada para o dia 13 de agosto (quinta-feira)

A Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) deixou a categoria bancária frustrada e indignada na mesa de negociação realizada nesta terça-feira (4). Esta foi a sexta rodada de negociações entre a entidade patronal e o Comando Nacional dos Bancários, mas, mais uma vez, nenhuma proposta concreta foi apresentada. O principal tema do encontro foram os itens econômicos.

Não é por falta de recursos que os bancos não apresentaram uma proposta para os bancários, que constroem os lucros do setor. Em 2025, os cinco maiores bancos do país — Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander Brasil — registraram lucro líquido somado de R$ 123,9 bilhões. Mesmo com a queda do lucro do Banco do Brasil, provocada principalmente pela inadimplência do agronegócio, o setor segue altamente lucrativo.

Avaliação do Sindicato

O Comando Nacional dos Bancários avaliou de forma bastante negativa a postura dos bancos. O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e integrante do Comando Nacional, José Ferreira, afirmou que é hora de ampliar a mobilização da categoria. “Os bancos frustraram mais uma vez as expectativas ao não apresentarem respostas às reivindicações dos bancários. Precisamos transformar essa indignação em mobilização para que, na próxima negociação, efetivamente eles apresentem propostas que valorizem o trabalho da categoria. Cabe a cada bancário e bancária participar das mobilizações nas redes sociais e das manifestações promovidas pelo Sindicato para que possamos avançar nas negociações”, destacou.

Postura intransigente

A Fenaban manteve uma postura considerada intransigente durante a negociação. Os representantes dos bancos chegaram a sugerir que a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) não deveria ser reajustada, sob o argumento de que as instituições já possuem programas próprios de remuneração variável e de que “o lucro do setor bancário está sofrendo com a escalada da concorrência de outros atores do sistema financeiro nacional”.

O Comando Nacional rebateu o argumento, ressaltando que a PLR não pode ser confundida com programas internos de remuneração.

“Os programas próprios não podem substituir a PLR. Cada banco define seu programa específico, muitas vezes relacionado à venda de produtos. Eles podem ser importantes, mas são complementares e não podem substituir nem servir de justificativa para reduzir o valor da PLR”, afirmou a coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira.

O movimento sindical lembrou ainda que a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) permite a distribuição de até 15% do lucro líquido na PLR. No entanto, os grandes bancos privados distribuem, em média, apenas 5,9%.

Promessa de proposta no dia 13

Diante da cobrança do movimento sindical, a Fenaban prometeu apresentar uma proposta global na próxima rodada de negociações, marcada para o dia 13 de agosto ( quinta-feira)

A expectativa é que sejam apresentadas reivindicações relacionadas à remuneração, igualdade de oportunidades, saúde e condições de trabalho.

Reivindicações da categoria

Na pauta econômica, os bancários reivindicam reposição integral da inflação acrescida de 5% de aumento real, com reflexos em todas as verbas salariais; valorização da PLR; reajuste maior nos tíquetes refeição e alimentação; adoção do salário mínimo necessário calculado pelo Dieese (R$ 7.999,44) como piso da categoria; além da criação de um piso salarial para os profissionais de Tecnologia da Informação (TI). “A expectativa da categoria é grande por aumento real dos salários, valorização da PLR, reajuste maior nos tíquetes refeição e alimentação e valorização do piso da categoria. Os bancários também exigem o fim das demissões em massa e do fechamento de agências”, observou Juvandia.

Os bancários vêm sofrendo perda da massa salarial, agravada pela redução dos postos de trabalho. Desde 2014, a massa salarial real da categoria acumula queda de 17%. Somente no último ano, a retração foi de 2%.

O movimento sindical destacou ainda que, em 2025, as receitas com tarifas dos cinco maiores bancos cobriram 123% das despesas com pessoal, incluindo a PLR. Em outras palavras, apenas com o que arrecadaram em tarifas, os bancos conseguiram pagar toda a folha de pessoal e ainda tiveram sobra equivalente a 23%. Sem considerar a PLR, essa cobertura sobe para 142%.

Propostas para as mulheres

A negociação desta terça-feira (4) contou também com a participação de uma especialista convidada pela Fenaban. A consultora Carolina Cavenaghi, fundadora da Fin4She, iniciativa voltada à qualificação e ao fortalecimento da presença feminina no mercado financeiro, apresentou propostas de desenvolvimento e recolocação profissional para mulheres no setor bancário.

Após a apresentação, o Comando Nacional reforçou que a participação feminina nos bancos continua em queda e que as mulheres seguem sub-representadas nos cargos de liderança.

“A proposta de um curso de formação, especialmente quando acompanhada da construção de uma rede de apoio entre as mulheres, é importante, mas não é suficiente para promover mudanças estruturais. Esperamos que a Fenaban apresente também um plano de ação que atenda às nossas reivindicações por mais contratações, igualdade de oportunidades, ascensão na carreira e salários iguais para homens e mulheres”, afirmou a coordenadora do Comando Nacional, Neiva Ribeiro.

Os lucros dos bancos em 2025

Itaú Unibanco: R$ 46,83 bilhões.

Bradesco: R$ 24,65 bilhões.

Banco do Brasil: R$ 20,69 bilhões.

Caixa Econômica Federal: R$ 16,1 bilhões.

Santander Brasil: R$ 15,62 bilhões.

A situação de gênero e raça nos bancos

– A participação das mulheres caiu de 49,1% para menos de 47% entre 2015 e 2025.

– Atualmente, as bancárias recebem, em média, 18,4% menos que os homens.

– Mantido o ritmo observado entre 2016 e 2025, a equiparação salarial entre homens e mulheres no setor bancário levará cerca de 40 anos.

– Em 2025, as mulheres ocupavam 47,7% dos cargos de liderança, mas recebiam remuneração 26% inferior à dos homens em funções equivalentes.

– Pessoas negras (homens e mulheres) ocupavam 25,2% dos cargos de liderança.

– As mulheres negras (pretas e pardas) representavam apenas 9,7% dos cargos de liderança.

 

*Matéria com informações da jornalista Lilian Milena, da Contraf-CUT.