TEM QUE VALORIZAR OS BANCÁRIOS

Lucro do Santander cai 9,5% no primeiro semestre no Brasil, mas resultado global cresce

Apesar da queda dos ganhos no país, lucro global de 7,328 bilhões de euros e alta da receita com tarifas mostram que não há justificativa para as demissões. Brasileiros garantem o segundo maior ganho da holding espanhola no mundo

Ato promovido pelo Sindicato dos Bancários do Rio em frente a uma agência do Santander: trabalhadores brasileiros são responsáveis pelo segundo maior lucro do banco no mundo, atrás apenas dos resultados na Espanha Foto: Nando Neves

O Santander registrou, no Brasil, lucro líquido gerencial de R$ 6,802 bilhões no primeiro semestre de 2026. O resultado é 9,5% inferior ao obtido no mesmo período do ano passado. Em relação ao primeiro trimestre deste ano, quando o banco lucrou R$ 3,788 bilhões, a queda foi ainda maior: 20,4%.

No entanto, o grupo espanhol obteve lucro líquido consolidado de 7,328 bilhões de euros no primeiro semestre de 2026. Os resultados globais demonstram que o banco tem condições de atender às reivindicações dos trabalhadores brasileiros na Campanha Nacional dos Bancários.

“Há outro dado que reforça que o Santander tem condições de atender às nossas reivindicações de valorização dos empregados e não tem justificativa para fechar tantas agências e demitir trabalhadores. Depois da Espanha, país-sede da empresa, cujo lucro foi de 2,534 bilhões de euros, o Brasil é o país que mais contribuiu para os resultados da holding, com 1,093 bilhão de euros”, afirma a diretora do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Maria de Fátima.

Despesas com pessoal caem

Apesar da redução do lucro no Brasil, os números mostram que apenas a receita obtida com as tarifas cobradas dos clientes foi suficiente para cobrir 186,8% das despesas com pessoal, evidenciando que o banco tem plenas condições de valorizar seus empregados, atendendo às reivindicações por melhorias na remuneração, na saúde e nas condições de trabalho apresentadas na mesa de negociação da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos).

O Santander arrecadou R$ 10,949 bilhões com tarifas bancárias no primeiro semestre, alta de 4,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Já as despesas com pessoal, incluindo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), caíram 2,5%, totalizando R$ 6,122 bilhões.

Demissões continuam em 2026

Segundo a coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander, Ana Marta Lima, os números demonstram que o banco insiste em uma estratégia equivocada de gestão, especialmente no que diz respeito à política de pessoal.

“O banco continua reduzindo postos de trabalho, ampliando a terceirização e fechando agências como forma de cortar custos. Essa estratégia sobrecarrega quem permanece nas unidades, compromete a qualidade do atendimento prestado à população e ignora a contribuição dos trabalhadores para os resultados da empresa”, afirma.

O Santander encerrou junho de 2026 com 47.327 empregados, após eliminar 6.591 postos de trabalho nos últimos 12 meses, sendo 2.334 vagas fechadas apenas no primeiro semestre deste ano. No mesmo período, a base de clientes cresceu em 3,5 milhões, alcançando 72,3 milhões de correntistas e clientes, enquanto o banco fechou 178 agências e 179 Postos de Atendimento Bancário (PABs).