“A promoção por mérito foi o único item em que a Caixa trouxe uma proposta concreta, mas consideramos que os critérios e alguns condicionantes – como a excelência no Alcance – são inaceitáveis. A empresa ouviu nossas ponderações e ficou de dar retorno nas próximas mesas”. Assim o diretor do Sindicado e representante da Federa-RJ na Comissão Executiva dos Empregados (CEE), Rogério Campanate, resumiu a rodada de negociação desta sexta-feira (31/7), com a Caixa Econômica Federal, a quarta até aqui.
A CEE acabou rejeitando a proposta para a sistemática de Promoção por Mérito dos anos-base 2026 e 2027. Para os sindicalistas, foi exigido um número muito elevado de requisitos e a inclusão do Alcance.Caixa dificulta excessivamente a conquista dos deltas, sobretudo para quem trabalha na rede de agências e impediria que o pagamento seja realizado em janeiro.
Banco quer impedir o avanço na carreira – “Entendemos que o banco está dificultando o acesso à promoção. Fizemos questionamentos e ela trouxe a exigência da excelência para poder ganhar o segundo delta e nós dissemos que não concordamos”, avaliou Campanate. A rodada tratou ainda da Participação nos Lucros e Resultados e remuneração variável. Abordando também questões relativas ao Saúde Caixa.
A coordenadora da CEE/Caixa, Luiza Hansen, também criticou a proposta do banco. “A Caixa não considera as condições reais de trabalho. Para conquistar o primeiro delta, seriam necessárias dez ações. Para o segundo, o empregado precisaria completar outras dez e ainda depender do resultado do Alcance.Caixa. Na prática, o banco criaria uma série de obstáculos para impedir que grande parte do quadro avance na carreira”, afirmou.
Entenda melhor – A Promoção por Mérito é uma conquista dos empregados e da negociação coletiva. Cada delta representa um acréscimo médio de 2,31% no salário-base dos elegíveis. Ao propor que o Alcance.Caixa seja um dos critérios, o próprio banco admite que o pagamento seria realizado apenas após a divulgação do balanço anual da empresa.
No caso da progressão referente ao ano-base 2026, a CEE cobra que o pagamento seja efetuado em janeiro de 2027. Os deltas relativos a 2025 somente foram creditados em abril de 2026, reduzindo o efeito financeiro da progressão para os empregados.
Objetivo da Caixa é dificultar acesso aos deltas – A Caixa propôs uma sistemática válida por dois anos. A definição antecipada foi considerada positiva pela representação dos empregados, mas não compensou os problemas existentes nos critérios. Para 2027, apesar de manter a estrutura do programa, o banco pretende divulgar as ações que integrarão cada bloco somente até o fim do primeiro trimestre daquele ano.
A proposta divide os requisitos dos empregados ativos em dois blocos: Saúde em Dia, formado por ações de capacitação, saúde e qualidade de vida; e Estratégia Caixa, composto por cursos vinculados ao planejamento estratégico do banco.
A CEE ressaltou que os empregados da rede de agências não possuem as mesmas condições dos trabalhadores das áreas-meio e da matriz para realizar uma grande quantidade de cursos durante o expediente. Mesmo o tempo de capacitação previsto no Acordo Coletivo de Trabalho não é assegurado em muitas unidades.
A representação reivindicou a redução expressiva do número de ações, a exclusão do Alcance.Caixa e a garantia de tempo efetivo, dentro da jornada, para capacitação. A proposta prevê como impedimentos, entre outros pontos, menos de 180 dias de efetivo exercício no ano-base, estar na última referência salarial do PCS, penalidade de suspensão, registro de censura ética, reincidência de advertência nos últimos cinco anos, falta não justificada e contrato suspenso ou extinto.
A Caixa informou que analisará as ponderações apresentadas e deverá elaborar uma segunda versão da proposta. Um avanço confirmado pelo banco foi a aceitação dos comprovantes de vacinação contra a gripe emitidos pelo Sistema Único de Saúde, por clínicas particulares ou pela própria campanha interna da Caixa.
PLR e remuneração variável – “Com relação à PLR, encaminhamos as reivindicações aprovadas no Congresso Nacional dos Empregados: aumento da PLR Social de 4% para 6% e fim do teto de três remunerações-base. A Caixa ficou de levar para as áreas responsáveis e dar o retorno, já na próxima semana, no início de agosto”, adiantou Rogério Campanate.
Em seguida foi tratado o tema remuneração variável: Super Caixa e Bônus Caixa. “Defendemos a necessidade de equidade no atingimento destes itens; e o fim do condicionamento do resultado individual ao da unidade: a pessoa trabalha, bate a meta e não recebe em função do resultado coletivo. A gente entende que o critério deva ser o ‘vendeu recebeu’ e a Caixa insiste que ‘é um programa de premiação’. E respondemos que se é um programa de premiação, não pode ser de punição”, argumentou o dirigente.
Saúde Caixa – Com relação ao Saúde Caixa, o banco sinalizou que na próxima segunda-feira vai disponibilizar o relatório de administração para os empregados. “Portanto, fiquem atentos. Avaliem o relatório”, disse.
O banco antecipou para a CEE o Relatório de Administração do Saúde Caixa referente a 2025. A divulgação pública será realizada na próxima segunda-feira (3). De acordo com os dados, o plano terminou o ano com 273.462 beneficiários, sendo 127.475 titulares e 145.987 dependentes. Ativos e seus dependentes representam 71% da carteira; aposentados e dependentes, 26%; e pensionistas e dependentes, 2%.
O custo assistencial total chegou a R$ 4,29 bilhões, crescimento de 22,38% em relação a 2024. As receitas efetivas somaram R$ 3,76 bilhões e as despesas totais, R$ 4,39 bilhões, resultando em déficit operacional de R$ 627,8 milhões, recomposto, segundo o banco, por mecanismos previstos no ACT e pela utilização da reserva técnica.
A CEE observou que a concentração de despesas na faixa etária acima de 59 anos, acompanha a própria composição da carteira e solicitou informações mais detalhadas sobre os custos por idade. A representação voltou a defender a contratação de empregados. Além de reduzir a sobrecarga e melhorar o atendimento, a renovação do quadro contribui para ampliar e rejuvenescer a base de participantes do Saúde Caixa.
À CEE o banco adiantou que já assinou convênio com a Cassi para o atendimento aos empregados da Caixa. A integração das redes dos dois planos vai beneficiar os funcionários dos dois bancos. “O convênio começará pelo interior onde a rede do Saúde Caixa é menor”, explicou Campanate.