CAMPANHA NACIONAL 2026

Santander poderá priorizar PcDs em bolsas de estudo, mas não apresenta propostas para as demais reivindicações

Tema retomado da primeira rodada avança, mas negociação desta quarta-feira (22) sobre direitos coletivos, garantias de emprego, teletrabalho, diversidade e sustentabilidade continuam sem resposta do banco

Apesar de sinalizar que poderá atender à reivindicação de priorizar PcDs no acesso às bolsas de estudos, o Santander não apresentou nenhuma proposta para os demais itens debatidos na negociação da última quarta-feira (22) Fotos: Contraf-CUT

A Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Santander obteve, na segunda rodada de negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026, realizada nesta quarta-feira (22), em São Paulo, a sinalização de que o banco está disposto a dar prioridade às Pessoas com Deficiência (PcDs) na concessão de bolsas de estudo oferecidas aos funcionários. O tema, já discutido na primeira rodada, representa um avanço para esse segmento dos trabalhadores do grupo espanhol.

Além da questão das bolsas de estudo, a mesa de negociação debateu direitos coletivos e contratuais, garantias de emprego, condições de trabalho, licenças, diversidade, inclusão e sustentabilidade.

Isenção de coparticipação

A COE também defendeu a manutenção da isenção da coparticipação para os trabalhadores que aderirem ao programa Jeito Certo, mesmo durante o período de afastamento pelo INSS. O banco ainda se mostrou disposto a discutir uma melhor distribuição das bolsas entre cursos de graduação, pós-graduação, MBA e especializações.

Isenção total de tarifas é rejeitada 

Em relação à reivindicação de isenção de todas as tarifas bancárias para os funcionários — incluindo a anuidade dos cartões de crédito do titular e dos adicionais —, além de condições diferenciadas para financiamento imobiliário, o Santander informou que está revisando sua política de tarifas e descontos, mas descartou, neste momento, conceder a isenção total.

Garantia de emprego 

Outro ponto debatido foi a garantia de emprego. A representação dos trabalhadores defendeu a criação de mecanismos que impeçam demissões imotivadas, a suspensão de novos processos de terceirização nas empresas do Grupo Santander e a extensão do acordo coletivo a todos os funcionários, independentemente do cargo ou da remuneração.

A COE também reforçou que qualquer alteração nos contratos de trabalho deve ser previamente negociada com o movimento sindical.

Os representantes dos trabalhadores reivindicaram ainda que os empregados em teletrabalho ou em atividade externa permaneçam vinculados à mesma base territorial onde atuam, garantindo sua representação pelo sindicato da respectiva região.

Sobre o banco de horas, os dirigentes sindicais solicitaram esclarecimentos sobre o modelo atualmente adotado pelo Santander e defenderam sua substituição por um sistema de compensação semestral, conforme previsto na pauta de reivindicações.

Licenças e ausências abonadas

Outro eixo da negociação tratou das licenças e ausências. O movimento sindical reivindica cinco dias de ausências abonadas por ano, licença não remunerada para estudos, licença para acompanhamento de familiares em casos de doença grave ou internação e a possibilidade de parcelamento do adiantamento salarial das férias em dez parcelas.

Para justificar a negativa às reivindicações, o banco limitou-se a informar que já mantém um programa de licença não remunerada de até 60 dias, com possibilidade de extensão por meio das férias, destinado à qualificação profissional no exterior. Também afirmou que, neste momento, não há possibilidade de avançar na proposta de cinco dias de ausência abonada.

Proteção às mulheres 

Os bancários também cobraram o fortalecimento das medidas de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. A proposta dos trabalhadores prevê o repúdio a qualquer forma de violência contra a mulher e o compromisso do Santander de oferecer apoio às empregadas que acionarem o banco, com garantia de sigilo.

Entre as medidas reivindicadas estão a possibilidade de transferência do local de trabalho, a adoção do teletrabalho quando solicitado pela vítima e a manutenção do salário e dos benefícios durante eventual afastamento determinado pela Justiça.

A coordenadora da COE Santander, Ana Marta Lima, afirmou que o banco precisa apresentar avanços concretos para os trabalhadores.

“Foi uma mesa importante para aprofundarmos temas que impactam diretamente a vida dos trabalhadores. Reafirmamos a necessidade de avanços em garantias de emprego, direitos sociais, inclusão e proteção às mulheres. Agora esperamos que o banco transforme esse diálogo em compromissos concretos”, destacou.

Sustentabilidade 

Na área de sustentabilidade, a COE defendeu que o banco espanhol reforce seus compromissos com a transição justa, o combate ao desmatamento e a adoção de critérios socioambientais na concessão de crédito.

A próxima rodada de negociação entre a COE e o Santander está marcada para a próxima terça-feira (28).

Próximas negociações

Dia 28/07 – das 10h às 13h
Dia 05/08 – das 15h às 18h
Dia 12/08 – das 15h às 18h
Dia 19/08 – das 15h às 18h

*Texto com reprodução das informações da matéria do jornalista Rodrigo ZevziKovas, da Contraf-CUT