A MOBILIZAÇÃO CONTINUA

Bancários cobram que saúde do trabalhador seja prioridade nas negociações com a Fenaban

Sindicato do Rio realizou manifestação durante o Dia Nacional de Luta contra o adoecimento mental da categoria que é provocado por metas abusivas

O Sindicato do Rio realizou uma manifestação no Largo dos Bancários, no Centro da Cidade, por melhores condições de saúde e de trabalho para a categoria Foto: Nando Neves

O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro realizou, na segunda-feira (20), uma manifestação no Largo dos Bancários, no Centro da cidade, para cobrar da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) medidas efetivas de prevenção e promoção da saúde da categoria. A atividade integrou o Dia Nacional de Luta e teve como objetivo pressionar os bancos a avançarem nas negociações desta terça-feira (21), em São Paulo, cuja pauta principal é a saúde do trabalhador. (Confira o resultado da reunião em nosso site: www.bancariosrio.org.br).

O ato público, animado pela tradicional bandinha, foi precedido, pela manhã, por uma palestra da neuropsicóloga Cler Orbato sobre a importância do acolhimento e do apoio às mães trabalhadoras de filhos neurodivergentes. (matéria na página 4).
“Este ato público denuncia o adoecimento físico e mental da categoria bancária provocado pela cobrança abusiva de metas. O bancário parece ter se transformado em um vendedor de produtos, obrigado a atingir metas sem sequer saber se manterá o emprego no dia seguinte”, afirmou a diretora do Sindicato, Jô Araújo, que é bancária do Itaú.
“A categoria bancária registra um número de afastamentos por adoecimento quase duas vezes maior que a média dos demais trabalhadores”, denunciou o diretor do Sindicato e empregado da Caixa, Sérgio Amorim.
“Ao contrário do que muitos imaginam, apesar de trabalharem em um ambiente organizado e climatizado, os bancários enfrentam diariamente intensa pressão psicológica por metas”, afirmou a diretora Rita Mota, do Banco do Brasil. Ela também defendeu o fim da escala 6×1 para os demais trabalhadores, garantindo mais tempo para o lazer, a convivência familiar e a preseração da saúde física e mental.

Números estarrecedores

Mais da metade dos afastamentos acidentários (55,9%) e previdenciários registrados no setor financeiro está relacionada a transtornos mentais e comportamentais. Entre os gerentes de banco, a proporção de benefícios por incapacidade reconhecidos como doença do trabalho (B91) chega a 37,76%, uma das maiores entre todas as profissões analisadas, segundo dados oficiais do INSS.
As principais causas apontadas nos registros oficiais são a cobrança abusiva de metas, a sobrecarga de trabalho e o assédio moral.

Dilema ético

O presidente do Sindicato, José Ferreira, destacou o dilema ético enfrentado diariamente pela categoria para cumprir as metas impostas pelos bancos.
“O bancário vive um conflito ético porque é obrigado a vender produtos que muitas vezes não considera os mais adequados para o cliente. Na verdade, gostaria de prestar um atendimento de qualidade à população”, afirmou.
José Ferreira também criticou o fechamento de agências bancárias, que resulta em demissões, sobrecarga de trabalho e piora no atendimento aos clientes. Segundo ele, o Centro financeiro da cidade conta hoje com mais farmácias do que agências bancárias.
A manifestação contou ainda com uma apresentação da Companhia de Emergência Teatral – fundada pelo saudoso ator e diretor Marco Hamelin – que encenou um esquete denunciando o adoecimento dos bancários provocado pelas práticas dos bancos.
Ao final da atividade, os dirigentes sindicais seguiram em caminhada até a esquina com a Avenida Presidente Vargas, onde encerraram o protesto.