MOVIDOS PELA LUTA

Pauta de reivindicações da categoria bancária já está em mãos da Fenaban

Comando Nacional entregou o documento nesta quarta-feira (24), na sede patronal, em São Paulo. Primeira negociação é no dia 2 de julho

Juvandia Moreira (D), presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional, durante o ato de entrega da minuta dos bancários Fotos: Contraf-CUT

O Comando Nacional dos Bancários e das Bancárias entregou, na manhã desta quarta-feira (24), a minuta de reivindicações para a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).

O encontro marca oficialmente o início oficial da Campanha Nacional Unificada para a reposição da inflação, reajustes salariais e outros direitos na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). A data-base é 1º de setembro, portanto, na véspera, o acordo deve ser assinado.

A mobilização já começou 

A primeira mesa de negociação da Campanha Nacional Unificada também já tem data marcada. Será no dia 2 de julho, na capital paulista.

O presidente do Sindicato do Rio de Janeiro e membro do Comando Nacional, José Ferreira, fez uma avaliação do processo de construção da minuta dos bancários.

“Após cumprir mais uma etapa da Campanha Nacional 2026 ratificando nacionalmente nas assembleias a Minuta que hoje entregamos à Fenaban, assim como as pautas específicas aos bancos públicos, a campanha de nossa categoria começou oficialmente hoje e a mobilização já está nas redes sociais com a hashtag #MovidosPelaLuta”, afirmou, convocando os bancários e bancárias do Rio a também participarem da mobilização. .

O dirigente sindical tem ressaltado que esta será uma das mais duras campanhas salariais dos últimos anos para a categoria.

A presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional falou do processo democrático da minuta.

“Esse é um documento construído coletivamente, a partir de conferências regionais, estaduais e com base na Consulta Nacional que, neste ano, teve a participação de cerca de 55 mil bancários e bancárias de todo o país”, destacou a coordenadora do Comando Nacional e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, completando que a minuta contém reivindicações gerais e de grupos específicos, a exemplo das pessoas com deficiência. “É o resultado de uma construção ampla”, pontuou.

Juvandia ressaltou ainda que o Comando Nacional representa federações de todas as regiões do país, três centrais sindicais (CUT, UGT, Intersindical e CTB) e diferentes forças políticas.

Lucros do setor cresceram

De 2020 a 2025, o lucro líquido do Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 114%, com destaque para os bancos digitais, que registraram salto de 2.137% no lucro, seguido pelas cooperativas com 180% de aumento. No mesmo período, os bancos privados e públicos também mantiveram tendência de alta, com crescimento de 114% e 46%, respectivamente.

Apesar de ganhos bilionários, os bancos seguem fechando agências e reduzindo postos de trabalho. “A luta da categoria bancária por valorização salarial e profissional é uma luta de distribuição dos lucros multibilionários do setor. Os cinco maiores bancos do país lucraram R$ 145 bilhões em 2025, e neste ano, só os três maiores bancos privados – Bradesco, Itaú e Santander – já obtiveram lucro de R$ 35 bilhões no primeiro trimestre, resultado 16% maior que do mesmo período do ano passado”, reforçou Juvandia Moreira.

Redução do emprego bancário 

Juvandia registrou ainda que, entre 2024 e 2025, foram fechados 14 mil postos de trabalho e mais de 1.300 agências foram encerradas pelos cinco maiores bancos. “Essa reestruturação está preocupando categoria, aumentando a insegurança sobre a manutenção do seu emprego, onde será o seu local de trabalho. Tudo isso estará em debate nessa campanha nacional”, arrematou.

Aumento real é prioritário 

O Comando Nacional apresentou aos bancos os principais resultados da Consulta Nacional dos Bancários 2026, e que ajudou a nortear o conteúdo da minuta de reivindicações. Este ano, a participação da categoria foi recorde: 54.952 respostas em todo o país.

Entre as cláusulas econômicas, a principal prioridade apontada pela categoria foi o aumento real de salário, indicado por 93% dos respondentes. Em seguida aparecem aumento da PLR, com 63%; aumento maior para o vale-alimentação e o vale-refeição, com 51%. “Esses resultados apontam que o aumento real, a recomposição salarial acima da inflação, é um fator importante para a categoria”, destacou Juvandia Moreira.

A Consulta Nacional, realizada entre os dias 17 de abril e 31 de maio, revela a preocupação da categoria com a saúde mental e combate ao assédio moral e outras formas de violência no ambiente de trabalho.

Manutenção dos direitos 

Nas cláusulas sociais, a manutenção de direitos aparece como a principal prioridade, citada por 65% dos respondentes. Emprego foi indicado por 45%; plano de saúde, por 39%; combate ao assédio moral, por 35%; igualdade de oportunidades, por 24%; previdência complementar, por 19%; e impacto das inovações tecnológicas, por 17%.

A consulta também revelou que 40% dos bancários usaram medicamentos controlados, como antidepressivos, ansiolíticos ou estimulantes, nos últimos 12 meses. Além disso, 72,6% afirmaram que o ambiente de trabalho no banco em que atuam traz impactos negativos para a saúde mental dos trabalhadores e trabalhadoras. Apenas 14,3% disseram que não há impactos negativos e 12,6% responderam que não sabem.

Importância da ultratividade

O Comando Nacional também defendeu a assinatura de um pré-acordo para garantir a ultratividade da Convenção Coletiva de Trabalho, fundamental para dar segurança aos trabalhadores durante o processo de negociação. A ultratividade assegura a manutenção de todas as cláusulas e conquistas da categoria até a celebração de um novo acordo, preservando direitos e garantindo equilíbrio nas negociações.

Participe da mobilização 

Também nesta quarta-feira (24), ocorreu o lançamento digital da Campanha Nacional Unificada da Categoria com o tema “Bancárias e bancários feitos de esperança, movidos pela luta”. A ação nas redes sociais começou às 11h, mas a categoria pode participar durante todo o dia e, mesmo, no decorrer da campanha.

O secretário de Comunicação da Contraf-CUT, Elias Hennemann Jordão, explica que o objetivo da mote aprovado na 28ª Conferência Nacional dos Bancários e Bancárias é reforçar a defesa da vida, da dignidade e dos direitos na mobilização da categoria.

“A campanha afirma que somos feitos de esperança porque acreditamos na capacidade de transformação da luta coletiva. Mas também deixa claro que essa. esperança não é passiva: ela se move pela organização, pela mobilização e pela defesa concreta de salário, emprego, PLR, saúde, direitos e dignidade no trabalho”, completou.

O presidente do Sindicato do Rio de Janeiro e membro do Comando Nacional, José Ferreira (E), durante a entrega da minuta da categoria à Fenaban, em São Paulo: avaliação é de que está será uma das mais duras campanhas dos últimos anos
Fotos: Contraf-CUT

 

Principais eixos da pauta de reivindicações da categoria

– 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;

– Fim das metas abusivas;

– Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);

– Manutenção dos direitos conquistados;

– Manutenção da mesa única, da CCT para toda a categoria e dos direitos já conquistados;

– Defesa do emprego bancário;

– Defesa dos bancos públicos;

– Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, com o fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.