Os funcionários do Bradesco não têm sequer um dia de trabalho tranquilo. Vivem sob pressão e medo de ser demitido. A bola da vez no pacote de maldades promovido pelo banco é o Departamento Jurídico.
Em mais uma medida considerada cruel pelo movimento sindical, o banco decidiu fechar o departamento jurídico localizado no prédio da Diretoria, na Rua Senador Dantas, no Centro do Rio de Janeiro. A decisão unilateral, sem qualquer comunicado ou diálogo com o movimento sindical, atingiu pais e mães de família. Entre os dispensados estão também trabalhadores com deficiência (PCDs) e empregados reabilitados, amparados por liminares vigentes da Justiça do Trabalho.
“A intransigência e a arrogância do banco são tão evidentes que saltam aos olhos de qualquer pessoa com o mínimo de respeito ao próximo”, afirma o diretor do Sindicato dos Bancários do Rio, Ricardo Ducoff.
Sem critérios
Para o dirigente sindical Sergio Menezes, o Russo, o Bradesco demonstra que não faz distinção quando o objetivo é cortar postos de trabalho.
“Independentemente do cargo, da função ou da produtividade do empregado, o banco escancara, de forma patética, sua postura desumana na relação entre capital e trabalho. Nem mesmo profissionais que contribuíram durante anos para os lucros da instituição são poupados”, critica.
Gestão ainda pior
Na avaliação do movimento sindical, a atual administração do banco, presidida por Marcelo de Araújo Noronha desde 2023, aprofundou o desrespeito aos funcionários e aos clientes. Embora as gestões anteriores também tenham sido marcadas pelo fechamento de agências, pressão e demissões, os dirigentes afirmam que o cenário se agravou nos últimos anos, com o aumento do assédio moral, do adoecimento dos trabalhadores e da redução do quadro de pessoal.
“As gestões anteriores também cometeram muitos abusos, mas nada se compara às maldades do período de Marcelo Noronha e sua diretoria. É uma vergonha”, critica Arlesen Tadeu, também diretor do Sindicato.
Trabalhadores descartados
Os empregados atingidos pela decisão sequer receberam uma opção de permanecer no banco, como a possibilidade de realocação em outras áreas.
“Foram simplesmente descartados, sem qualquer oportunidade de aproveitamento interno, apesar da experiência e do conhecimento acumulados ao longo de anos de dedicação, ajudando a construir os lucros bilionários do Bradesco”, afirma o Serginho.
Somente no primeiro trimestre de 2026, o Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,811 bilhões, crescimento de 16,1% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Terceirização precariza ainda mais
Além das demissões, outra medida que provoca indignação na categoria é a terceirização de parte dos serviços jurídicos, antes executados por empregados contratados diretamente pela empresa. Para o Sindicato, a substituição de trabalhadores por serviços terceirizados representa um passo a mais no processo de precarização das condições de trabalho, reduzindo direitos, enfraquecendo as condições de emprego e comprometendo a valorização dos profissionais.
O Sindicato informou que irá denunciar à sociedade, a prática injustificável do banco, que retira o sustento de famílias inteiras, mesmo com a empresa pertencendo ao setor mais lucrativo do país. A entidade representativa estuda ainda acionar a Justiça Trabalhista, se necessário, para defender os empregos dos bancários.