Junho Violeta: medidas do Santander preocupam aposentados

Matéria publicada no site da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), neste mês de conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa, o Junho Violeta, a Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp (Afubesp) reforçam o alerta para formas de violência muitas vezes invisíveis, mas que afetam diretamente a qualidade de vida e os direitos da população idosa. Entre elas estão a exclusão digital, a perda de autonomia e as dificuldades de acesso a serviços essenciais, como atendimento bancário e assistência à saúde.

O texto explica que a entidade, que representa aposentados, pensionistas e trabalhadores da ativa do antigo Banespa, destaca que decisões adotadas pelo Santander e por instituições ligadas aos beneficiários têm produzido impactos cada vez mais severos sobre uma população que envelhece e que necessita de atendimento acessível e adequado às suas necessidades.

“Um dos principais pontos levantados pela campanha é o fechamento contínuo de agências bancárias e a redução do atendimento presencial. Para a Afubesp, a digitalização dos serviços financeiros não pode significar exclusão daqueles que enfrentam dificuldades com a tecnologia ou que dependem do atendimento humano para resolver questões relacionadas às suas finanças”, acrescenta a matéria da Contraf-CUT.

A presidenta da Afubesp, Maria Rosani, frisa que a exclusão digital não pode ser tratada apenas como uma questão tecnológica. Quando uma pessoa idosa perde acesso ao atendimento presencial, ela também perde segurança, acolhimento e autonomia para exercer direitos básicos. “O problema ocorre justamente em um momento de acelerado envelhecimento da população brasileira, tornando ainda mais importante a manutenção de canais de atendimento acessíveis e inclusivos”, afirma.

Defesa da Cabesp – A campanha também destaca a preocupação das entidades representativas dos banespianos com o futuro da Cabesp, plano de assistência à saúde criado há quase seis décadas pelos trabalhadores do Banespa e que atualmente atende cerca de 47 mil beneficiários, entre aposentados, pensionistas e familiares.

A apreensão está relacionada à proposta de alteração do estatuto da entidade, que será submetida à deliberação dos associados em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), marcada para o dia 19 de junho. Segundo as entidades, as mudanças podem reduzir a participação direta dos associados nos processos decisórios da Cabesp e enfraquecer o papel da Assembleia Geral, principal instrumento de governança da instituição.

Para a Afubesp e entidades sindicais, a discussão vai além de questões administrativas e envolve diretamente o direito de participação de uma população majoritariamente idosa em decisões que afetam sua assistência à saúde.

“Quando falamos da Cabesp, estamos falando da saúde de milhares de aposentados e pensionistas que dependem dessa estrutura justamente na fase da vida em que mais precisam de atendimento médico e apoio. Garantir transparência, participação e acesso à informação são formas de proteger essas pessoas”, destaca Maria Rosani.

Para a secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT e funcionária do Santander, Rita Berlofa, a defesa da participação dos beneficiários nas decisões da Cabesp também é uma forma de combater a violência contra a população idosa.

“Quando falamos em violência contra a pessoa idosa, não podemos pensar apenas nas agressões físicas. Também é violência criar obstáculos para que aposentados e pensionistas participem de decisões que impactam diretamente sua saúde, sua segurança e sua qualidade de vida. Defender uma Cabesp democrática, transparente e com a participação efetiva dos associados é defender o direito dessas pessoas de serem ouvidas e respeitadas. A exclusão digital e a restrição dos espaços de participação acabam atingindo justamente quem mais depende desses serviços”, afirma Rita Berlofa.

A entidade também manifesta preocupação com o formato adotado para a votação das alterações estatutárias. Segundo a associação, a complexidade das perguntas, a existência de opções de voto consideradas ambíguas e a predominância de mecanismos digitais podem criar barreiras adicionais para beneficiários com limitações visuais, dificuldades tecnológicas ou menor familiaridade com plataformas eletrônicas.

Exclusão é violência contra idosos – Para a Afubesp, o Junho Violeta é uma oportunidade para ampliar o debate sobre o conceito de violência contra a pessoa idosa. Além das agressões físicas e do abandono, a entidade chama atenção para situações que restringem direitos, limitam a participação social e dificultam o acesso a serviços fundamentais.

Nesse sentido, a associação defende que o envelhecimento da população brasileira exige políticas e práticas voltadas à inclusão, à acessibilidade e ao respeito à autonomia dos idosos, especialmente em áreas estratégicas como saúde, previdência e serviços bancários.

“Nosso objetivo é mostrar que a violência contra a pessoa idosa também pode ocorrer quando ela é excluída de processos de decisão, quando perde acesso a serviços fundamentais ou quando encontra obstáculos para exercer seus direitos. São situações menos visíveis, mas que afetam diretamente sua qualidade de vida e sua dignidade”, conclui Maria Rosani.