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Conferência Estadual RJ alerta para desafios da categoria e dos demais trabalhadores em 2026

Defesa dos empregos e da saúde da categoria, renovação da CCT com preservação de direitos, apoio ao fim da escala 6x1 e eleição de candidatos comprometidos com os trabalhadores estão entre as prioridades para 2026

A abertura solene da 6ª Conferência Estadual RJ dos Bancários e Bancárias do Estado do Rio de Janeiro foi realizada nesta sexta-feira (22), no auditório do Sindicato dos Bancários do Rio, no Centro da capital fluminense. O evento, transmitido ao vivo pelo canal da Federa-RJ (Federação das Trabalhadoras e dos Trabalhadores no Ramo Financeiro no Estado do Rio de Janeiro), organizadora do encontro, tem como lema “Lutar por direitos, soberania e democracia”.

A mesa de abertura foi composta pelos presidentes dos sindicatos de Campos dos Goytacazes, Rafanele Alves Pereira; de Niterói, Jorge Antônio Martins; de Petrópolis e São José do Vale do Rio Preto, Sávio Barcellos Eiras; e de Teresópolis, Cláudio de Souza Mello. Também participaram o vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius de Assumpção, e a presidenta da Federa-RJ e vice-presidenta da CUT-RJ, Adriana Nalesso.

Tensionamento político

O presidente do Sindicato do Rio, José Ferreira, que não pôde comparecer presencialmente por estar em viagem, enviou um vídeo saudando o encontro regional da categoria.

“Temos este ano desafios enormes e vamos precisar de uma forte organização da categoria para garantir a manutenção da nossa Convenção Coletiva e dos nossos direitos. Vivemos também um tensionamento criado pela extrema direita através das fake news, num momento em que precisamos renovar o Congresso Nacional e a Alerj [Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro], envolvidos em escândalos de corrupção, além de reelegermos o presidente Lula. De nada adianta renovar a Convenção Coletiva se tivermos um governo que negue aumento real e ataque direitos dos trabalhadores”, declarou, defendendo maior responsabilidade social por parte dos bancos.

“Temos que mudar o sistema financeiro e pôr fim às metas individuais cada vez mais difíceis de serem alcançadas. Juntos, teremos força para conquistar nossos objetivos”, concluiu Ferreira, saudando os participantes presentes no Sindicato e os bancários que acompanharam a transmissão pelo YouTube.

Vinícius Assumpção, que representou a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira — em Belo Horizonte para o encontro estadual mineiro — iniciou sua fala destacando a mobilização popular pelo fim da escala 6×1. Na próxima segunda-feira (25), haverá manifestações em todo o país em defesa da redução da jornada de trabalho sem redução salarial. No Rio, o ato terá caminhada da Candelária à Cinelândia, a partir das 16h.

No mesmo dia, deverá ser finalmente realizada a leitura do parecer do relator da proposta, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), prevista inicialmente para quarta-feira (20).

“Eu digo que a escravidão no Brasil ainda persiste em função de uma série de preconceitos e formas de exploração, e uma delas é essa jornada 6×1, abolida com sucesso em vários países”, afirmou, classificando como “falácias” os argumentos de empresários de que a mudança “vai quebrar empresas e gerar desemprego”.

“As elites diziam a mesma coisa em relação a direitos conquistados pelos trabalhadores, como o 13º salário e a multa de 40% paga pelo empregador em casos de demissão sem justa causa”, acrescentou o dirigente da Contraf-CUT.

Vinícius destacou ainda que a escala 6×1 afeta especialmente as mulheres, submetidas à tripla jornada.

“Em grandes cidades, trabalhadores gastam cerca de 48 dias por ano dentro do transporte público, no deslocamento entre casa e trabalho. As mulheres ainda acumulam os afazeres domésticos em função de uma sociedade machista, e muitas mães sequer conseguem conviver adequadamente com seus filhos”, afirmou.

O dirigente também defendeu o aprofundamento do debate sobre o ramo financeiro. “Precisamos de força política para eleger parlamentares comprometidos com a pauta da classe trabalhadora”, concluiu.

Ataque global aos trabalhadores

Representando a CTB, o diretor do Sindicato do Rio Carlos Alberto Lima, o Caco, afirmou que há uma “onda mundial de ataques aos trabalhadores”, tanto em governos reacionários quanto em guerras, citando Gaza e o conflito envolvendo o Irã.

“Mas também vemos reação popular, como na Bolívia, onde protestos liderados por Evo Morales e pela Central Operária Boliviana mobilizaram a população em uma greve geral por tempo indeterminado”, afirmou. Segundo ele, o governo respondeu às manifestações com violência policial.

Caco criticou forças políticas e religiosas que utilizam o lema “Deus, Pátria e Família” para atacar direitos da classe trabalhadora.

“As máscaras estão caindo. Eles são antipatriotas, antifamília e usam as igrejas para enganar o povo. Defendem a invasão americana no Brasil, portanto não são patriotas. A bandeira deles é a dos EUA, mas os trabalhadores começam a perceber isso”, declarou.

O sindicalista também defendeu que os trabalhadores se apropriem do debate sobre novas tecnologias.

“O grande capital utiliza as novas tecnologias para demitir trabalhadores. Temos que lutar para que esses avanços sirvam para o povo trabalhar menos, ganhar melhores salários com o aumento dos lucros das empresas e viver melhor. O capital quer que trabalhemos até morrer, sem tempo para nada, nem mesmo para nos dedicarmos à fé religiosa”, concluiu.

Regulamentação do sistema financeiro

Jacy Menezes, dirigente da Federa-RJ e da Intersindical, defendeu a recuperação do poder de compra do piso salarial da categoria bancária e da PLR, além de propor um “pacto pela saúde dos trabalhadores”.

“Nossa categoria é a terceira que mais adoece no Brasil, ficando atrás apenas dos professores e policiais”, criticou.

O dirigente lembrou ainda o impacto negativo do fechamento de agências bancárias para trabalhadores e população.

“Cerca de 48% dos municípios brasileiros não têm nenhuma agência bancária funcionando”, afirmou.

Jacy também defendeu a regulamentação do sistema financeiro nacional e condenou a lavagem de dinheiro praticada por setores do mercado financeiro ligados à Faria Lima.

Passo importante na Câmara

O deputado Reimont (PT-RJ), funcionário aposentado do Banco do Brasil, enviou um vídeo saudando a Conferência Estadual e anunciou uma iniciativa voltada aos trabalhadores do ramo financeiro no Congresso Nacional.

“A pedido da presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, fiz um movimento na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados em favor da equalização de todos os trabalhadores e trabalhadoras do ramo financeiro”, informou, classificando a medida como um passo importante para a representação sindical do setor.

Reimont também defendeu a mobilização popular pela aprovação do fim da escala 6×1.

“É fundamental garantir qualidade de vida para todo o povo brasileiro”, completou.

Ataques à CLT

Encerrando o primeiro dia da Conferência Estadual, a presidenta da Federa-RJ e presidenta interina da CUT-RJ, Adriana Nalesso, criticou o que classificou como “desconstrução da consciência de classe”, promovida por empresas e pela grande mídia por meio de termos como “colaboradores” e “parceiros”.

“Plataformas digitais convidam bancários para trabalhar como pejotizados, utilizando a carteira de clientes construída ao longo da carreira. Ao reduzir o número de trabalhadores cobertos pela CLT, essa tendência coloca em risco a própria Previdência Social”, afirmou.

Adriana também defendeu a eleição de parlamentares comprometidos com a pauta dos trabalhadores e trabalhadoras.

Nalesso criticou ainda igrejas que se transformaram em fintechs, citando a Batista da Lagoinha e instituições ligadas ao bispo Edir Macedo. Segundo ela, o modelo abre espaço inclusive para organizações criminosas criarem suas próprias fintechs, o que pode representar risco sistêmico para a economia.

“Se um banco digital como o Nubank quebrar, haveria um efeito cascata sobre todo o sistema financeiro e isso colocaria em risco a economia do país”, alertou.

A dirigente ressaltou que a regulamentação do sistema financeiro depende da alteração da correlação de forças no Congresso Nacional, com a eleição de parlamentares alinhados aos interesses da classe trabalhadora.

Adriana saudou ainda a presença dos trabalhadores moedeiros da Casa da Moeda do Brasil (CMB).

Neste sábado (23), a partir das 9h, acontece o segundo dia da Conferência, no Clube de Engenharia (Av. Rio Branco, 124, 25º andar, Centro do Rio). A programação contará com palestras e debates sobre a conjuntura econômica e política, incluindo a importância das eleições deste ano para a classe trabalhadora.

Também serão debatidos temas como as transformações no sistema financeiro com o avanço das novas tecnologias, a desregulamentação do emprego bancário, o adoecimento da categoria e os desafios da luta por melhores condições de saúde e trabalho.

Este ano também será marcado pela renovação da Convenção Coletiva de Trabalho e dos acordos específicos de cada banco.

 

 

Programação do segundo dia da 6ª Conferência Estadual RJ