O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro participou, na última sexta-feira (15), no Museu de Arte do Rio (MAR), da Primeira Conferência Estadual dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). A entidade foi representada pela diretora executiva de Meio Ambiente do Sindicato, Cida Cruz.
Os ODS foram estabelecidos em 2015, ao fim das negociações iniciadas em 2013 durante a Cúpula das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável. O Brasil participou de todas as etapas de negociação. À época, a ONU era presidida pelo diplomata ganense Kofi Atta Annan.
Compromisso global
Os ODS integram a Agenda 2030, compromisso global voltado à construção de uma sociedade mais igualitária e sustentável.
“As propostas aprovadas na Conferência Estadual seguirão para a Conferência Nacional, que será realizada entre os dias 30 de junho e 2 de julho de 2026, em Brasília”, informou Cida Cruz.
“Os ODS têm grande importância para a construção de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável, garantindo condições dignas de vida para todas as pessoas sem destruir o planeta. Preservar as florestas, os mananciais de água e a flora é também proteger nossas vidas”, avaliou a dirigente sindical.
Cida destacou ainda a participação de representantes do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), agência da ONU dedicada ao combate à pobreza, à redução das desigualdades e à promoção do desenvolvimento humano sustentável.
“Vimos que a agenda dos ODS não é obrigatória, mas representa um compromisso político e uma orientação para a implementação da sustentabilidade. Os países que não adotarem essas práticas tendem a perder investimentos, financiamentos e credibilidade internacional”, acrescentou.
A dirigente lembrou ainda que a ONU tem alertado para os impactos sociais da pobreza. “O aumento da pobreza gera medo e desconfiança nas populações. Antes da Agenda 2030 existia a Agenda do Milênio, válida de 2000 a 2015, construída de cima para baixo, sem diálogo com a sociedade civil. Já a Agenda 2030 é mais participativa, universal e integrada. O Brasil aplica as diretrizes dos ODS e o programa Fome Zero, por exemplo, está alinhado a esses objetivos”, afirmou.
Os juros como desafio
Segundo Cida Cruz, um dos principais obstáculos para o avanço dos ODS é a dificuldade de financiamento de projetos inclusivos e sustentáveis. “Os países em desenvolvimento enfrentam juros altos sobre suas dívidas públicas e acabam sem condições de investir em desenvolvimento sustentável como deveriam, caso do Brasil”, completou.
A ONU já admite a necessidade de uma reforma no sistema financeiro mundial, para que ele seja mais voltado à redução da miséria, ao acesso à educação de qualidade e ao desenvolvimento econômico sustentável, com redução das desigualdades, e menos direcionado ao rentismo — temas também defendidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.