DIREITO À SAÚDE

Bancários do Rio voltam a protestar em defesa de plano de saúde viável para aposentados

Após dedicar toda uma vida de trabalho ao banco, trabalhadores aposentados chegam a pagar, no mínimo, R$4.000 por pessoa de mensalidade, tornando os custos do plano inviáveis

O Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro participou, na segunda-feira (18), de mais um protesto contra o Itaú em defesa de um plano de saúde viável para os aposentados do banco.

O ato teve concentração em frente à agência da Rua Sete de Setembro, no Centro do Rio. Participaram da manifestação aposentados, aposentadas e dirigentes sindicais. Em seguida, os manifestantes seguiram até o Museu do Amanhã, na Região Portuária, onde acontecia um evento patrocinado pelo Itaú em que o técnico Carlo Ancelotti anunciou a convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo que será realizada no México e nos Estados Unidos, em junho.

Pegos de surpresa 

Milhares de pessoas se reuniram no entorno do Museu do Amanhã para as festividades da convocação da seleção brasileira. Se a torcida brasileira ficou surpresa com a convocação do veterano Neymar, a bem da verdade é que os protestos da categoria bancária também surpreenderam os diretores do Itaú que participavam do evento ao lado de empresários, dirigentes de futebol e jornalistas.

A imprensa brasileira, claro, não noticiou as manifestações, já que a grande mídia é também financiada pelos bancos, mas a população percebeu explicitamente que o Itaú era alvo de um protesto e no contato de dirigentes sindicais com populares, houve quem expressasse solidariedade às reivindicações da categoria bancária.

Prática desumana

Com lucros crescentes — somente no primeiro trimestre de 2026, o Itaú faturou R$ 12,28 bilhões, crescimento de 10,4% em comparação ao mesmo período do ano passado — o maior banco privado do país impõe aos funcionários aposentados um drama: escolher entre se alimentar e viver com dignidade ou pagar o plano de saúde, cujos custos chegaram a níveis inviáveis. As mensalidades chegam, no mínimo, a R$ 4.000 por pessoa. Para um casal, este valor chega a dobrar, tornando impossível a manutenção do benefício para muitos trabalhadores.

“O que o Itaú faz com os trabalhadores é uma desumanidade. Explora e adoece seus funcionários com práticas cotidianas de assédio moral para o atingimento de metas e, quando não os descarta por meio de demissões, impede o acesso a uma aposentadoria com um plano de saúde que o bancário consiga pagar”, afirmou a vice-presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio, Kátia Branco, que participou da atividade.

“Vamos continuar protestando e denunciando à opinião pública essa crueldade até que o banco viabilize um plano de saúde digno, com preços justos para todos os aposentados e aposentadas”, completou Kátia.

A vice-presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro Kátia Branco disse que as manifestações vão continuar até o Itaú garantir um plano de saúde digno e viável para todos os aposentados e aposentadas do banco, que também participaram das manifestações
Fotos: Nando Neves