A cada divulgação dos lucros dos bancos, uma certeza se reforça: é possível, sim, atender às reivindicações da categoria bancária. Em um ano de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) e dos acordos específicos, a Campanha Nacional dos Bancários ganha ainda mais importância para os trabalhadores do setor.
Os números do trimestre
O Itaú Unibanco registrou lucro líquido gerencial de R$ 12,282 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 10,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, mantendo-se como o banco mais lucrativo do país. O conglomerado encerrou 2025 com redução de aproximadamente 3.530 postos de trabalho no Brasil e planeja fechar outras 250 agências físicas em 2026, medida que prejudica bancários e clientes.
O Bradesco faturou R$ 6,811 bilhões no mesmo período, crescimento de 16,1% em relação ao primeiro trimestre de 2025, proporcionalmente a maior alta entre os grandes bancos no período.
O Santander registrou no Brasil lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Apesar da queda de 1,9% em relação ao mesmo período de 2025, os ganhos no país continuam impulsionando o faturamento global do grupo espanhol.
O calote do agro
O Banco do Brasil é um caso à parte. A instituição registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre deste ano, queda de 53,5% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O recuo, porém, tem uma explicação preocupante: o aumento da inadimplência do agronegócio.
O papel social da Caixa
A Caixa Econômica Federal registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,469 bilhões no primeiro trimestre de 2026, queda de 34,4% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A estatal exerce um papel social que não pode ser comparado ao de nenhuma outra instituição financeira do país. A redução no lucro neste primeiro trimestre, porém, tem outra explicação: uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN 4.966/2021) obrigou o banco a destinar R$ 6,5 bilhões em provisões, sob o argumento de cobertura de eventuais perdas com risco de crédito.
Fato é que, com lucros na casa dos bilhões, os bancos têm todas as condições de atenderem as reivindicações da categoria.