CORRUPÇÃO NA POLÍTICA

Ex-governador Cláudio Castro (PL) é alvo da PF por supostas fraudes fiscais na Refit

Polícia Federal faz busca e apreensão na residência de Castro e Polícia Federal faz busca e apreensão na residência de Castro e aponta que ele atuou de forma decisiva para blindar e favorecer empresa de Ricardo Magro, a maior devedora de impostos do Brasil

NO CENTRO DA CORRUPÇÃO - O ex-governador Bolsonarista Cláudio Castro (PL), inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, é acusado por suposta ocultação de patrimônio e evasão de dinheiro em fraude fiscal da empresa Refit, a maior devedora de impostos do Brasil Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), foi alvo, nesta sexta-feira (15), de uma operação da Polícia Federal (PF) na capital fluminense. Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão no âmbito de uma investigação sobre supostas fraudes fiscais envolvendo a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos e uma das maiores devedoras de impostos do país.

O esquema segundo a PF

A Polícia federal apontou, em relatório ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o então governador Cláudio Castro atuou de forma decisiva para blindar e favorecer os interesses do Grupo Refit, do empresário Ricardo Magro.

Os mandados de buscar e apreensão foram expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, destacando um “retrato da cooptação integral do Estado do Rio de Janeiro pela Refit”.

O relatório da PF revela uma relação entre Castro e a Refit marcada por “uma série de medidas políticas, administrativas e jurídicas que criaram um ambiente institucional favorável à continuidade do esquema criminoso atribuído ao grupo”. O documento detalha como Castro teria promovido trocas estratégicas em cargos do alto escalão do estado, sancionado leis sob medida para beneficiar a empresa e orientado órgãos estaduais a atuar em prol da refinaria, mesmo diante de graves irregularidades e dívidas bilionárias.

“Sob a batuta de Cláudio Castro e mediante suas diretrizes, o RJ direcionou todos os esforços de sua máquina pública, em um verdadeiro engajamento multiorgânico em prol do conglomerado capitaneado por Ricardo Magro”, afirma a PF.

Ocultação de patrimônio e bens

O empresário Ricardo Magro, proprietário da Refit, é alvo de mandado de prisão e teve o nome incluído na lista de procurados da Interpol, a maior organização policial internacional do mundo.

Segundo a PF, a investigação apura suspeitas de que a Refit tenha utilizado sua estrutura societária e financeira “para ocultar patrimônio e bens” e promover evasão de recursos para o exterior.

A ação de busca e apreensão ocorreu na residência de Cláudio Castro, localizada em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. O ex-governador estava no imóvel acompanhado de seu advogado no momento da operação.

Em nota, a defesa de Castro afirmou ter recebido a operação “com surpresa” e declarou que o ex-governador “está à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos, convicto de sua lisura”.

Inelegível até 2030

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Cláudio Castro inelegível por oito anos em março de 2026, decisão formalizada no mês seguinte. A condenação ocorreu por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, o que o impede de disputar eleições até 2030.

A trajetória política de Castro já vinha sendo marcada por controvérsias desde que assumiu o Palácio Guanabara após o afastamento e posterior cassação do então governador Wilson Witzel (PSC). Em abril de 2021, Witzel perdeu o mandato por unanimidade em decisão do Tribunal Especial Misto (TEM), sob acusação de crime de responsabilidade e corrupção relacionados a desvios de recursos públicos na Secretaria Estadual de Saúde durante a pandemia de Covid-19.

Caso Master

Durante a gestão de Castro, o Rio-Previdência – fundo responsável por aposentadorias e pensões dos servidores do estado – destinou cerca de R$1 bilhão ao Banco Master, de propriedade do empresário Daniel Vorcaro. Aumenta as suspeitas sobre a decisão do governo do Rio, o fato de que Castro, em novembro de 2025, embarcou a bordo de um jato executivo das empresas de Vorcaro para a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores, partida em que o Flamengo, seu clube de coração, sagrou-se campeão da compeitção.

Herança política

Os governos de Witzel e Castro — aliados políticos que romperam após a condenação do ex-governador — foram marcados por denúncias de corrupção, aumento do endividamento estadual, redução de investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação, arrocho salarial sobre os servidores públicos e crescimento da violência ligada ao tráfico de drogas e às milícias, especialmente na capital fluminense.