Flávio Bolsonaro vem para retirar direitos, privatizar Previdência e estatais

O historiador Castro Rocha: “A vitória de uma candidatura da extrema-direita seria a ‘pinochetização’ do Brasil, como começou a fazer Michel Temer, com a reforma trabalhista e, em seguida, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Foto: Nando Neves.

Em sua palestra de abertura conjunta dos Encontros dos Funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, na manhã deste sábado (9/5), no auditório do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, o escritor e historiador João Cezar de Castro Rocha alertou que a candidatura a presidente da extrema-direita no Brasil, no caso, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem em seu projeto a privatização de todos os ativos da União (bancos e demais empresas públicas, previdência e saúde) a eliminação dos direitos dos trabalhadores, principalmente do serviço público e o fim da reposição das perdas inflacionárias das aposentadorias e pensões.

“É a ‘pinochetização’ do Brasil, como começou a fazer Michel Temer, com a reforma trabalhista que atingiu os trabalhadores, os sindicatos e a Justiça Trabalhista e, em seguida, Jair Bolsonaro e Paulo Guedes (ex-ministro da Economia) com as privatizações de setores estratégicos (como a Eletrobras) e a reforma da Previdência, com a tentativa, não alcançada, de privatizá-la. E, agora, o mesmo projeto é defendido por Flávio Bolsonaro, o novo candidato da extrema-direita”, frisou. Explicou que a expressão ‘pinochetização’ foi usada para lembrar que o projeto da extrema-direita em todo o mundo segue a lógica neoliberal colocada em prática a partir de golpe de Estado no Chile, em 11 de setembro de 1973, comandado pelo general Augusto Pinochet que privatizou estatais, a Previdência Social e retirou direitos dos trabalhadores.

Observou que governos autoritários, como o de Donald Trump (Estados Unidos), Javier Milei (Argentina) e Jair Bolsonaro (Brasil), impuseram e impõem estas medidas contra a população para manter o objetivo central do capitalismo que é a acumulação de riqueza. “O capitalismo se aproxima da sua crise final, porque não tem mais como se expandir. Sempre fez isto se apropriando das riquezas naturais, mas agora enfrenta a crise climática que impede que isto continue a ser feito. E a saída encontrada é, através de governos autoritários de extrema-direita, manter o uso dos recursos naturais, e, ao mesmo tempo, privatizando em todo o mundo o que é público e promovendo a retirada sem fim de direitos sociais e trabalhistas”, afirmou.

Ressaltou que a extrema-direita se utiliza do que chamou de ‘guerra cultural’ que consiste em fazer circular através das redes sociais narrativas falsas para convencer as pessoas a eleger candidatos da extrema-direita, mesmo sabendo que são autoritários e que vão retirar direitos. “É a guerra da desinformação que leva a população a votar em candidatos que trabalham contra os interesses desta mesma população”, explicou, citando como exemplo o voto dado a maioria dos parlamentares que ocupam o Congresso Nacional.

Acrescentou que o Brasil vive uma situação delicada tendo como solução a eleição do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro turno. “Mas não só. É preciso acabar com o projeto da extrema-direita de fazer maioria de membros no Senado Federal de modo a transformar em refém um provável governo Lula”, argumentou.