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Imprensa SeebRio
Reajuste do Programa Complementar de Resultados (PCR) e solução imediata dos problemas do programa de gestão e desempenho GERA. Estes foram os principais temas tratados nesta terça-feira (11/3), em São Paulo, na negociação entre a Comissão de Organização dos Empregados (COE) e o Itaú.
Os representantes sindicais destacaram as perdas acumuladas ao longo dos anos no valor do PCR, especialmente em relação ao reajuste da categoria e ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Apesar do crescimento contínuo do lucro do banco, os valores pagos no PCR não acompanham a evolução desses itens.
A COE ressaltou que o reajuste deveria refletir a isenção fiscal aplicada à Participação nos Lucros e Resultados (PLR) do banco, garantindo um aumento mais justo. O Itaú, por sua vez, afirmou que os valores foram definidos em negociações anteriores e não reconheceu perdas para os trabalhadores.
Ficou definido que uma nova reunião será agendada para que o banco apresente valores para que os próximos encontros de negociação possam ser realizados. “O banco tem apresentado lucros bilionários, ano após ano, mas o PCR não reflete essa realidade. O mínimo que esperamos é um reajuste condizente com o crescimento da instituição”, destacou Valeska Pincovai, coordenadora da COE Itaú.
Problemas no GERA – Outro ponto colocado em debate, foi a solução de problemas do Gera, o programa de gestão e avaliação de desempenho dos funcionários. Para a coordenadora Maria Izabel Menezes, esta é uma questão que precisa ser resolvida com urgência para evitar impactos ainda maiores na saúde dos bancários. “O GERA, em vez de ser um instrumento de reconhecimento e incentivo, tem se tornado uma ferramenta de adoecimento e pressão. Precisamos de um modelo mais justo e transparente”, afirmou.
A COE apresentou ao Itaú uma série de falhas e dificuldades enfrentadas pelos bancários e cobrou soluções imediatas. O banco se comprometeu a levar as demandas para análise da área responsável e, na próxima reunião, um gestor do programa estará presente para prestar esclarecimentos e discutir possíveis ajustes.
Entre os principais problemas apontados estão:
- Dificuldades no acesso ao ‘Fale com GERA’: funcionários precisam recorrer a controles paralelos, como prints de tela, para abrir ocorrências, pois muitos pedidos são considerados improcedentes e as respostas são automatizadas e pouco resolutivas.
- Sistema de Qualidade de Vendas (SQV): trabalhadores são penalizados injustamente por denúncias consideradas improcedentes. A outra reclamação é a penalização para a agência que originou a ocorrência – funcionário veio transferido de outra agência e a penalização caiu para a agência receptora.
- Metas desiguais e abusivas: agências menores possuem metas iguais ou superiores às de unidades maiores, sem considerar a realidade operacional.
- Pressão excessiva: apesar de o GERA ser trimestral, há cobranças diárias e mensais, criando um ambiente de trabalho hostil.
- Programas paralelos de premiação: campanhas internas criam disputas desleais entre os bancários e aumentam a pressão.
- Demora na divulgação de resultados: as agências enfrentam dificuldades devido ao atraso na publicação dos dados de desempenho.
- Pontuação mínima ineficaz: os 1.000 pontos, considerados como garantia de empregabilidade, na prática não são suficientes, gerando cobranças constantes para atingir patamares mais altos.
- Atualização do VB: segmentos como o Personalitte não recebem atualização de valores há mais de três anos.
- Espelhamento de vendas: a COE solicitou que o prazo para efetivar uma venda registrada seja ampliado de 7 para 14 dias.