Bancários e bancárias voltam a realizar nova mobilização nacional nesta segunda-feira (19)

Foto: Nando Neves
Atividade em frente à agência do Itaú, no Rio: sindicatos cobram valorização da categoria

 

Carlos Vasconcellos 

Imprensa SeebRio 

Bancários e bancárias voltam a realizar, na segunda-feira (19), uma mobilização nacional para cobrar da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), uma proposta global digna para toda a categoria. 

Nas mesas específicas do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e bancos privados as negociações praticamente também não avançaram na valorização dos funcionários. 

Negociação na terça 

Na terça-feira (20) tem nova mesa de negociação com a Fenaban. No mesmo dia haverá campanha nas redes sociais 

Na última quinta-feira (15), os sindicatos organizaram manifestações nos locais de trabalho e nas vias públicas e, em alguns casos, houve retardamento da abertura em agências.

Setor mais lucrativo 

Os bancos continuam a ser o setor mais lucrativo do país. Em 2023 lucraram R$ 145 bilhões no Brasil. No primeiro semestre deste ano, quatro dos cinco maiores bancos do país, que já apresentaram seus resultados (Banco do Brasil, Itaú, Santander e Bradesco) lucraram juntos R$ 53,6 bilhões. 

Os banqueiros alegam “dificuldades” para atender as reivindicações da categoria “por causa da concorrência com as fintechs”, mas o argumento não condiz com a realidade, pois os bancos detêm 82% do mercado de crédito e 81% dos ativos do mercado financeiro no país. A rentabilidade média dos bancos no Brasil é 15% enquanto que nos Estados Unidos é 6,5%, e em países da Europa, como Espanha e Inglaterra, 10% e 9%, respectivamente. 

“Ainda assim, os bancos não apresentaram propostas de reajuste salarial, faltando duas semanas para o fim da campanha nacional de renovação da CCT”, explica a coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira. 

Data-base da categoria 

A data-base da categoria é 1⁰ de setembro. 

“O êxito da campanha salarial está diretamente relacionado ao nível de participação dos trabalhadores. Vamos intensificar a mobilização e pressionar os bancos a apresentaram uma proposta decente”, disse o presidente do Sindicato do Rio José Ferreira. 

 

Cláusulas Econômicas: principais reivindicações 

– Reajuste salarial que corresponda à reposição pelo INPC acumulado entre setembro de 2023 e agosto de 2024, acrescido do aumento real de 5%.

– Melhoria nos percentuais da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

– Valorização da PLR: o Dieese alerta que os percentuais de distribuição da participação nos lucros dos bancos caíram ao longo dos últimos anos, mesmo após reajustes, introdução da parcela adicional e mudanças de parâmetros dos cálculos de distribuição.

– Melhorias nas demais verbas, incluindo tickets alimentação e refeição, auxílio creche e auxílio babá.

 

Outras reivindicações 

– Fim da gestão por metas abusivas que tem gerado adoecimento na categoria;

– Reforço aos mecanismos de combate ao assédio moral e sexual;

– Direito à desconexão;

– Direito às pessoas com deficiência (PCDs) e neurodivergentes;

– Suporte aos pais e mães de filhos com deficiência;

– Mais mulheres na TI;

– Combate à terceirização e garantia de empregos;

– Jornada de trabalho de quatro dias;

– Ampliação do teletrabalho.