Movimento sindical cobra fim de modelo de metas paralelas que prejudicam a maioria do funcionalismo do BB

Foto: Contraf-CUT
Os sindicatos cobram mudanças no modelo de metas do Banco do Brasil, que está adoecendo os funcionários

 

Carlos Vasconcellos 

Imprensa SeebRio 

Com informações da Contraf-CUT 

A CEBB (Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil) participou na tarde desta quarta-feira (7), em São Paulo, da sexta mesa de negociação com representantes da direção do banco para a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). Na pauta, as metas, Gestão de Desempenho Pessoal (GDP), plano de cargos e remuneração, Performa, carreira de mérito, caixas, supervisores de atendimento e gerentes de serviço.

Os dirigentes sindicais começaram a reunião apresentando relatos de uma situação que tem ocorrido no ambiente de trabalho em todo o sistema financeiro: o aumento de metas. Uma das reivindicações apresentadas neste item é a transformação da mesa temática sobre cobrança de metas em uma mesa permanente com reuniões trimestrais. 

“Isso visa melhorar as condições de trabalho e minimizar o impacto do assédio moral associado ao cumprimento de metas”, explicou Fernanda Lopes, coordenadora da comissão.

Gestão de Desempenho 

Os dados apresentados pelo BB sobre a GDP (Gestão de Desempenho Pessoal) mostraram uma redução significativa nos casos insatisfatórios de desempenho de funcionários na avaliação do banco e nos descomissionamentos nos últimos três anos. De 2021 para 2022, os casos insatisfatórios reduziram 15,9% e os descomissionamentos 56,8%. Já no ano seguinte, os casos insatisfatórios caíram de 25,8% e os descomissionamentos 93,3%.

Mesmo com os números positivos, os representantes dos trabalhadores reivindicam três ciclos avaliatórios insatisfatórios consecutivos antes de ser aplicado o descomissionamento. 

Além disso, o sistema de GDP, na avaliação dos sindicatos, deve possibilitar a defesa do funcionário. 

O movimento sindical cobra ainda a exclusão de anotações negativas em caso de não cumprimento de todas as fases do ciclo avaliatório ou indícios de vício de origem.

Melhorias no PCR

A CEBB reivindica também que a carreira de mérito possa incrementar a remuneração dos comissionados, com as promoções com base em uma pontuação acumulada ao longo do tempo de serviço. As promoções também devem considerar o tempo de permanência em cargos no banco, com diferentes grupos de funcionários recebendo pontos diários para progressão na carreira. 

A diretora do Sindicato do Rio e representante da CEBB, Rita Mota, que participou da negociação na capital paulista, fez uma avaliação da questão do Performa e o adoecimento dos bancários causado pelo modelo paralelo de metas.

“A eliminação dos efeitos negativos do Performa 2020 é fundamental para a gente avançar nas negociações deste ano. Aa metas têm levado ao adoecimento psíquico de muitos trabalhadores. Ainda que se esforce ao máximo, o funcionário não consegue atingir os resultados definidos pelo banco. O bancário precisa ser valorizado e pontuado também por seu esforço e dedicação. Não pode continuar também a ter demandas paralelas de metas com o Conexão que desvirtuam o empenho dos funcionários para alcançar o objetivo do banco e isto favorece as distorções, como a premiação para os cargos mais altos que chegam a valores exorbitantes, com carros e viagens”, disse Rita. 

“Não é possível que haja metas estabelecidas pelo Conexão em paralelo com metas relacionadas à seguridade, sempre favorecendo os altos executivos e em prejuízo para a maior parte do funcionalismo”, acrescentou. 

Demais funções 

A preocuoação di movimento sindical é com relação aos prejuízos sofridos por funçoes como caixas, supervisores de atendimento e gerentes de serviço no atual modelo de metas. A reivindicação dos trabalhadores é que o exercício da função de caixa seja pontuado tanto para concorrências de ascensão profissional quanto para a carreira de mérito, desde o primeiro dia na função. 

Para a CEBB, a substituição de comissionados deve ser garantida a partir do primeiro dia de ausência do titular do cargo, assegurando ao substituto o mesmo salário do substituído.

“Essas metas paralelas premiam quem exerce altos cargos e prejudica os bancários que têm que se empenhar em metas que pontuam para a avaliação deles e estão relacionadas à manutenção da função e ao risco descomissionamento”, concluiu a sindicalista do Rio. 

O BB garantiu que a situação está sendo avaliada e promete dar resposta a estas demandas até o fim das negociações da Campanha Nacional.