Mudança de nome de agência da Caixa para Pequena África resgata história da comunidade na região do Valongo

Foto: Divulgação
Empregados e empregadas da Caixa comemoram mudança do nome de agência que fica na região da 'Pequena África ', na região portuária do Rio

 

Carlos Vasconcellos 

Imprensa SeebRio 

No último dia 13 de junho, funcionários e funcionárias da antiga Agência Barão de Tefé, da Caixa Econômica Federal, no Centro do Rio de Janeiro, viveram um momento histórico na luta contra o reconhecimento da história da comunidade negra no Brasil: a cerimônia do rebatismo da unidade, que passou a se chamar Pequena África. A iniciativa foi da Superintendência Capital Rio de Janeiro. Estiveram presentes autoridades federais, estaduais e locais que tratam das questões raciais, bem como os representantes dos bancários e bancárias negros e negras da empresa.

Na abertura do evento, Sérgio Sales, superintendente da Caixa destacou a importância e o comprometimento da instituição pelo reconhecimento cultural e resgate histórico.

A mudança do nome está relacionada a campanha dos movimentos negros pelo resgate da história do bairro que se chama Pequena África (bairros da Saúde, Gamboa e Santo Cristo), que fica na zona portuária da cidade do Rio de Janeiro. 

A região é palco de uma expressiva presença de negros e negras escravizados alforriados e comunidades quilombolas. Entre 1850 a 1920 permaneceram trabalhando na região mesmo após o comércio de escravos se tornar ilegal no Brasil, em 1831. 

Patrimônio cultural 

A comunidade preta ergueu ali casarões, espaços de convívio cotidiano e centros religiosos cujos resquícios arquitetônics são um verdadeiro patrimônio histórico e cultural da cidade, no chamado Cais do Valongo. 

“Esta mudança da troca do nome da agência que era de um escravocrata para a ‘Pequena África’ é um vitória para todos os negros e negras e vamos continuar a luta para que por fim ao preconceito contra negras e negros e pela igualdade de oportunidades e políticas de ações afirmativas na Caixa e em todas as instituições bancárias. Queremos nossa comunidade ocupando cargos de decisão nas empresas”, explica o secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, que junto com os diretores do Sindicato,

O dirigente sindical destaca ainda a importância dos compromissos firmados no VII Fórum pela Visibilidade Negra no sistema financeiro, que prpòem um protocolo de intenções entre os bancos públicos e os Ministérios da Igualdade Racial e da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, para promover a reserva de 30% dos cargos de confiança no ramo financeiro para cotas raciais, atendendo ao Decreto 11.443/2023, que dispõe sobre o preenchimento por pessoas negras de percentual mínimo de cargos em comissão e funções de confiança no âmbito da Administração Pública Federal.

“Estamos em campanha salarial e os sindicatos cobram o cumprimento destes compromissos propostos no último fórum pela visibilidade negra no setor financeiro”, acrescentou Almir. 

Rogério Campanate e Sérgio Amorim também  participaram da cerimônia de mudança de nome da agência.  

Grupo Caixa Preta 

Na Caixa foi criado um movimento em defesa da comunidade negra na empresa, o grupo Caixa Preta. 

Gustavo Neves, funcionário da Caixa desde 2004 e gerente há 10 anos, explica um dos fatos que inspiraram a criação do movimento negro no banco. 

“Após ser convidado a participar de uma reunião exclusiva dos gerentes-gerais do Rio de Janeiro e eu à época estava como substituto. Quando cheguei, olhei em volta. Parecia que eu estava na Europa, só tinha três gerentes negros, duas mulheres e um homem, numa reunião com mais de 160 gerentes-gerais presentes”, explicou.

A diretora do Sindicato do Rio, Carla Guimarães, que também faz parte do Grupo Caixa Preta, falou da importância da visibilidade negra nos bancos.

“Esta mudança de nome da agência é um resgate histórico que está dentro do contexto desta retomada de todo o patrimônio histórico e cultural da comunidade negra nesta região da cidade. Mas é preciso também garantir a negras e negros o acesso aos cargos de comando nos bancos e a igualdade de oportunidades “, disse Carla.