Brasil tem juros reais maiores que a Rússia em guerra

Carlos Vasconcellos 

Imprensa SeebRio 

Em função dos gastos com a guerra contra as forças militares da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na Ucrânia – cerca de 9,7 trilhões de rublos (US$ 101 bilhões) – e do bloqueio imposto pelos EUA e aliados da Europa de cerca de US$ 58 bilhões, o governo de Moscou teve que elevar drasticamente os juros desde o início do conflito e como consequência das ações do Ocidente capitalista contra a economia para tentar abalar o governo de Vladimir Putin.  

No entanto, de forma até surpreendente o Kremlin reduziu as taxas de juros do país e a economia do país cresceu 4,9% no segundo trimestre de 2023, através do aumento das exportações para a China e países não alinhados com os EUA. 

Não há justificativa 

Apesar de parecer inacreditável, mesmo com as consequências da guerra, a Rússia ainda tem juros reais inferiores aos do Brasil e de alguns países da América Latina. 

O México liderou em 2023 os juros reais (descontado a inflação) no planeta, com 6,8% ao ano. O Brasil foi o segundo do ranking no período com 6,11%. Seguem a Colômbia (5,07%), Chile (3,81%), Indonésia (3,73%) e Rússia (2,94%). 

É que a guerra por aqui parece ser da nação contra a ganância dos banqueiros e o descaso das elites brasileiras para com o povo trabalhador e o setor produtivo. 

“É inacreditável o que este cartel dos bancos faz contra a economia brasileira. O que justifica essa política de juros, uma das mais altas do mundo, praticada pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto? É um escândalo. Somente a ganância dos banqueiros explica um absurdo destes. O sistema financeiro impede a retomada do crescimento econômico e o salto do Brasil para um desenvolvimento sustentável e para a geração de mais empregos e renda para a população “, criticou o diretor da Secretaria de Bancos Privados do Sindicato dos Bancários do Rio, Geraldo Ferraz. 

Dilema continua em 2024

Apesar da tímida redução dos juros básicos (Selic) pelo BC , os índices ainda estão entre os maiores do mundo. O mercado financeiro prevê juros básicos anuais de 9% em 2024.

Em juros reais, apesar da queda das taxas, o Brasil continua em segundo no ranking global: 5,9%, logo atrás do México (6,4%). Aparecem em seguida, Colômbia (4,81%), Turquia (3,78%) e Indonésia (3,48%). 

A Rússia, pasmem, reduziu os juros básicos para 2,04%, caindo para 11⁰ no ranking mundial das maiores taxas de juros este ano. Já o Brasil continua no topo da comparação mundial.