Sindicatos derrubam nova tentativa de impor trabalho nos finais de semana

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Jefferson Meira, o Jefão, articulou apoio de parlamentares para derrubar, na CDC da Câmara dos Deputados, projeto que tenta impor trabalho de bancários nos finais de semana

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

No final do governo Bolsonaro, os jogos da Copa do Mundo, os bancos e parlamentares comprometidos com o sistema financeiro tentaram, mais uma vez, aprovar o Projeto de Lei 1043/19, que se aprovado, obrigaria os bancários a trabalhar nos finais de semana. A proposta entrou na pauta da Comissão de Direitos do Consumidor (CDC) da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 30 de novembro, em Brasília, mas bancários e bancárias de todo o país pressionaram nas redes sociais os deputados federais e conseguiram barrar a proposta. Pela manhã o tuitaço com a hashtag #OSábadoÉMeu chegou ao topo dos assuntos mais comentados nas redes sociais. Em julho deste ano, outra mobilização do movimento sindical e da categoria havia adiado a votação do mesmo projeto.  Pela manhã o tuitaço com a hashtag #OSábadoÉMeu chegou ao topo dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

A proposta é de autoria do deputado David Soares (União/SP) e recebeu parecer favorável do deputado Eli Corrêa Filho (União/SP). 

A mobilização continua

O secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT (Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), Jefferson Meira, o Jefão, que articulou o apoio de parlamentares para derrotar a proposta na CDC da Câmara, comemorou a vitória.

“Acabamos de sair aqui do Congresso Nacional e, mais uma vez, com muito trabalho, luta e articulação, conseguimos barrar o PL 1043/19 que tenta impor o trabalho dos bancários aos sábados e domingos. Mas a categoria precisa estar atenta e mobilizada para que a proposta não entre em pauta este ano e a gente possa derrotar este projeto de vez”, destacou.

Direito inegociável

Na avaliação do presidente do Sindicato do Rio, José Ferreira, o governo Bolsonaro e os parlamentares que tentam impor este projeto não têm a menor noção da realidade do trabalho da categoria bancária.

“É cada vez maior o número de bancários e bancárias que adoecem em função de metas desumanas, pressão e assédio moral. O final de semana remunerado é para o trabalhador descansar, viajar, curtir a família, ir à igreja. Este é um direito consagrado do qual não abrimos mão”, disse o presidente do Sindicato do Rio José Ferreira. O sindicalista disse ainda que os bancos precisam é melhorar o atendimento aos clientes e usuários, contratando mais funcionários e não fechando agências físicas e demitindo em massa.

Os números da Consulta Nacional revelam que 77% dos bancários afirmaram que sentem muita fadiga e preocupação com o emprego e 35% usam medicamento controlado.

Proposta dos sindicatos

A insistência com o PL 1043/19 traz ainda outra contradição: com as novas tecnologias de plataformas digitais, a maior parte dos clientes é atendida remotamente, inclusive nos sábados e domingos.

“Defendemos o trabalho em dois turnos durante a semana, respeitando a jornada de seis horas. Se aceito pelos bancos, o atendimento ganharia qualidade e o setor geraria mais empregos”, completou Ferreira.