Sábado, 24 de julho, é todo o Brasil nas ruas pelo impeachment de Bolsonaro

Foto: Nando Neves
A cada manifestação, crescem a adesão e a participação popular pelo impeachment de Bolsonaro. Organizadores preveem uma multidão muito maior neste sábado (24)

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

 

Como nas Diretas Já, nos anos 80, em que milhões de brasileiros foram às ruas pedir democracia e o fim da ditadura militar, cresce o movimento popular em defesa da vida, da geração de empregos e renda e da retomada do desenvolvimento econômico e pelo impeachment do presidente Bolsonaro.

A expectativa é de que neste sábado, 24 de julho, multidões tomem as ruas de todo o país para protestar. No Rio, a concentração será novamente em frente ao monumento de Zumbi dos Palmares, a partir das 10 horas, na Avenida Presidente Vargas, seguindo em passeata até à Candelária.

Cresce apoio ao impeachment

Partidos de centro e centro-direita, como o PSDB, também já aderiram ao movimento que tem na vanguarda, partidos de esquerda e movimentos sociais.

“Não faltam motivos para todos os trabalhadores e até os micros e pequenos empresários participarem do ato. O desprezo de Bolsonaro pelas mortes de Covid-19 e o fato do governo não ter comprado 70 milhões de vacinas Pfizer no ano passado, a corrupção na compra de vacinas e a política econômica de Paulo Guedes de retirar direitos e privatizar bancos e empresas públicas, aumentos seguidos de combustíveis e gás de cozinha e a inflação que afeta ainda mais os pobres são razões mais do que suficientes para todos participarem dos protestos. O Brasil não aguenta mais um dia deste desgoverno”, disse Almir Aguiar, secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT.

Bolsonaro e o Centrão

Fragilizado e com a popularidade derretendo, Bolsonaro indignou muitos de seus próprios seguidores ao descumprir uma de suas principais promessas de campanha eleitoral, em 2018: o de não se aliar jamais ao Centrão. Na ocasião, o general Heleno Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), cantarolou: “Se gritar pega Centrão, não fica um, meu irmão”…

Agora, Bolsonaro loteia mais cargos e cria mais ministérios para o setor mais fisiológico do Congresso Nacional e declarou: “Eu sou e sempre fui do Centrão”. Já o general Heleno teve a cara de pau de dizer que “mudou de opinião em relação ao Centrão”. A aliança inusitada busca salvar Bolsonaro do impeachment, já que não faltam crimes de responsabilidade cometidos pelo Presidente da República comprovados pela CPI da Covid-19 e investigações do Supremo Tribunal Federal de participação da família Bolsonaro nas fake news do chamado “Gabinete do ódio”. De olho também na reeleição em 2022, o governo busca base de apoio nos estados para um governo que não tem nenhum projeto, nenhuma obra relevante como cartão de visitas para apresentar e aprofundou a crise econômica, levando o Brasil para o fundo do poço numa das mais graves crises da história.

Proteste e previna-se – Os organizadores do movimento lembram que todos os participantes devem usar máscaras e álcool em gel, pois os cuidados de prevenção à pandemia precisam continuar.

 

Você tem muitos motivos para participar dos protestos

 

  • Bolsonaro não comprou 70 milhões de vacinas Pfizer, em 2020, matando milhares de brasileiros e brasileiras

 

  • Corrupção: o governo comprou vacinas 1.000% mais caras e máscaras 77% acima do preço

 

  • Bolsonaro disse que a Covid-19 era “uma gripezinha” e em suas lives sempre debochou da pandemia, desrespeitando as famílias em luto

 

  • O ministro Paulo Guedes quer privatizar bancos e empresas públicas, gerando mais desemprego e extinguindo a função social destas instituições, que o setor privado jamais irá desempenhar

 

  • A reforma tributária de Guedes põe fim aos tíquetes refeição e alimentação, acabando com a redução fiscal para empresas que oferecem o benefício aos seus empregados. O projeto vai falir milhares de bares e restaurantes.

 

  • A reforma da previdência reduziu pela metade o valor das pensões e reduziu em até 40% as aposentadorias e o trabalhador terá que contribuir 40 anos para receber o valor integral

 

  • Seguidas vezes, o Presidente da República e seus ministros militares ameaçam a democracia com discurso em defesa de um golpe e contra a democracia.