O último ato da 28ª Conferência Nacional dos Bancários, na tarde deste domingo (21/6), foi a aprovação da minuta de reivindicações da Campanha Nacional Unificada. Matéria postada no site da Contraf-CUT lembra que foram três dias de debates, na capital paulista, com base em propostas aprovadas ao longo de meses em conferências estaduais, regionais, congressos por banco e na Consulta Nacional dos Bancários que, neste ano, bateu recorde com a participação de 54.952 respondentes de todo o país.
Mais de 630 delegados e delegadas (372 homens e 261 mulheres) e 140 convidados, representantes da categoria bancária, de norte a sul do país, aprovaram a pauta de reivindicações. “Foram recebidas mais de 70 propostas, sendo a grande maioria incorporada à minuta de reivindicações, que será levada às mesas de negociações, nesta Campanha Nacional Unificada, para a renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria”, explicou o assessor jurídico da Contraf-CUT, Jefferson Martins Oliveira.
A presidenta da Federação das Trabalhadoras e Trabalhadores do Ramo Financeiro no Estado do Rio de Janeiro (Federa-RJ), Adriana Nalesso, ressaltou que a conferência é um momento muito especial. “Somos bancárias e bancários de todo país que se reúnem trazendo as propostas dos estados para debates, nenhuma categoria tem essa organização, nossa convenção garante direitos em todo país”, afirmou.
“Debatemos temas muito importantes como os impactos das novas tecnologias no emprego e também para clientes com fechamento de agências, saúde e condições de trabalho, a regulamentação do sistema financeiro entre outros, analisando a conjuntura atual e olhando pro futuro da nossa categoria”, frisou.
A coordenadora do Comando Nacional dos Bancários e presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, reforçou que a minuta de reivindicações expressa as preocupações da categoria, “como aumento real, valorização e proteção do emprego bancário, combate ao assédio moral, às metas abusivas, por um ambiente de trabalho saudável e para que as transformações estruturais do setor decorrentes da implementação das novas tecnologias resultem em benefícios para a categoria, não em fechamento de agências e postos de trabalho”.
“Saímos desta plenária revigorados, mais unidos e dispostos para seguir em frente na luta pela manutenção e avanço em direitos às bancárias e bancários de todo o país. A luta da categoria bancária é a luta de toda a classe trabalhadora. Quando nós avançamos, inspiramos toda a nossa classe a seguir avançando”, completou a dirigente.
“Mais uma vez construímos nossa pauta de forma democrática, a partir das demandas e anseios da categoria e dos intensos debates na nossa Conferência Nacional. Nesses três dias discutimos questões fundamentais como a melhoria das condições de trabalho e de saúde nos bancos, uma das prioridades apontadas pelos bancários na Consulta. Reforçamos ainda a luta por qualidade de vida, por mais tempo de lazer e com a família. E claro: a luta por valorização. Queremos remuneração digna, com aumento real nos salários, PLR, VA e VR”, destacou a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Neiva Ribeiro, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.
Adriana lembrou, ainda, que este é um ano eleitoral e que é fundamental, além de reeleger o presidente Lula eleger também deputados e senadores que de fato representem o povo brasileiro e não as elites, como tem acontecido. “É fundamental que pesquisemos os candidatos e votemos conscientemente sabendo que nossas escolhas têm consequências”, disse.
A seguir, os principais eixos da pauta de reivindicações, que será entregue dia 24 de junho pelo Comando Nacional dos Bancários à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban):
– 5% de aumento real no salário e nas demais verbas, como PLR, VA e VR;
– Fim das metas abusivas;
– Manutenção do formato atual da PLR (percentual do salário mais parcela fixa e adicional);
– Manutenção dos direitos conquistados;
– Manutenção da mesa única, da CCT pra toda a categoria e dos direitos já conquistados;
– Defesa do emprego bancário;
– Defesa dos bancos públicos;
– Distribuição melhor dos ganhos da tecnologia, e pelo fim do monitoramento excessivo no teletrabalho, preservando a privacidade do bancário.
Os delegados e delegadas também aprovaram neste domingo (21) os seguintes eixos de luta política para o próximo período:
– Por um sistema financeiro mais regulado;
– Importância das eleições de 2026 e de apoio a candidaturas comprometidas com a classe trabalhadora, para a Presidência da República, governos estaduais e do Distrito Federal e, com especial atenção, para Câmara dos Deputados e Senado;
– Organização do movimento: autorregulação e comunicação;
– Segurança tecnológica para os clientes.
As moções aprovadas foram:
– Em defesa da dignidade, da saúde e pela valorização das trabalhadoras e trabalhadores aposentados e idosos no setor bancário;
– Por uma dupla missão para o Banco Central do Brasil – Estabilidade de preços e proteção de emprego;
– De repúdio às práticas antissindicais, à precarização do trabalho e ao desmonte do atendimento pelo banco Santander;
– Manifesto de solidariedade ao povo bolivariano e à Cuba. Lutar contra o imperialismo.
E as resoluções:
– Contras os ataques à democracia e soberania nacional, e pela reeleição do presidente Lula;
– Contra a PEC 65/2023, independência do Banco Central, e que afasta a instituição do controle democrático, priorizando os interesses do setor financeiro em detrimento do desenvolvimento social. A resolução inclui ainda posicionamento contra a porta giratória no Banco Central e pela redução dos juros bancários.