Sexta, 22 Outubro 2021 17:54
NA CORDA BAMBA

Política eleitoreira de Bolsonaro agrava crise e nem mercados confiam em Guedes

Contrariado, o ministro Paulo Guedes é obrigado a reconhecer que o teto de gastos e a austeridade fiscal ultraliberal inviabilizam qualquer investimento social e a retomada econômica
OS RESPONSPAVEIS PELA CRISE - Bolsonaro ao lado de Paulo Guedes. O ministro da Economia tenta explicar a crise que o próprio governo criou com o negacionismo do presidente no combate à pandemia e o fracasso de sua política ultraliberal OS RESPONSPAVEIS PELA CRISE - Bolsonaro ao lado de Paulo Guedes. O ministro da Economia tenta explicar a crise que o próprio governo criou com o negacionismo do presidente no combate à pandemia e o fracasso de sua política ultraliberal Foto: Antonio Molina/Estadão

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

 

O anúncio de que o ministro da Economia Paulo Guedes iria ultrapassar o teto de gastos e se não o fizesse seria demitido pelo presidente Jair Bolsonaro por pressão do Centrão gerou uma grave crise nesta sexta-feira (22), resultando na disparada do dólar e na queda da bolsa de valores. O teto de gastos é um preceito “sagrado” para economistas neoliberais, como Guedes, mas a medida criada ainda no governo Temer inviabiliza qualquer possibilidade de desenvolvimento econômico e social. A prova disso é que, pressionado por Bolsonaro, que insiste em garantir o programa social Auxílio Brasil de R$400 e quer estender a ajuda aos caminhoneiros, categoria que vem criticando o governo pelos seguidos aumentos do diesel, Guedes já admite furar o teto e partir para um “ajuste fiscal menos intenso”.

Tudo pela reeleição

O novo nome do programa social que é, na verdade, a continuidade do Bolsa Família, criado pelo então presidente Lula e é fundamental num país tão desigual, em especial após a recessão gerada pela política econômica do atual governo e pela pandemia da Covid-19, é visto por Bolsonaro não como uma forma de ajuda aos mais pobres, mas uma possibilidade desesperada de salvar seu projeto político. Fato é que Bolsonaro criticou a vida inteira o Bolsa Família, mas, assustado com o derretimento de sua popularidade, viu no programa uma possibilidade de reeleição. A crise econômica foi agravada pelo negacionismo do presidente da República e seus bajuladores na gestão de combate à pandemia e pela política econômica desastrosa de Guedes. Agora o governo tenta, atabalhoado, consertar os próprios estragos que produziu.

Turbulência nos mercados

Durante o todo o dia desta sexta (22), a bolsa chegou a cair 4% e o dólar subiu, no pico, a R$5,67. A crise levou integrantes da equipe econômica a pedirem demissão e informações de bastidores dão conta que Guedes teria pedido para sair, mas atendeu aos apelos desesperados de Bolsonaro, culminando com uma coletiva dos dois para tentar acalmar aos mercados.

O fracasso ultraliberal

Fato é que a realidade provou o fracasso da política econômica ultraliberal de Guedes, cujo cargo ficou na corda bamba. E o "totem" dos tecnocratas neoliberais, o “teto de gastos”, caiu por terra. O mundo real mostrou que é necessário ultrapassar os limites estabelecidos que impedem o estado de investir e o Brasil de crescer. É o fim desta falácia, que contra a sua vontade, Guedes teve de operar para tentar frear a queda de popularidade do governo. Se a medida antiliberal foi necessária para manter um programa social, que dirá para a retomada do desenvolvimento econômico e social do país.

Fato é que Bolsonaro, que não está nem aí para os mais pobres e nem para os caminhoneiros (vide os aumentos dos combustíveis, a explosão inflacionária e a fome crescendo à luz do dia) confia cegamente em seu “Posto Ipiranga” e fará de tudo para tentar a sua reeleição que naufraga ante o desastre econômico. Já Paulo Guedes, o ministro banqueiro da escola ultraliberal de Chicago e que acha um absurdo empregada doméstica ir à Disney – referindo-se ao acesso dos mais pobres à sociedade de consumo no governo Lula – e ganha uma fortuna com a alta do dólar em paraísos fiscais não tem sequer a confiança dos mercados internacionais, que dirá da população brasileira.

O atual governo caminha para o seu último ano de vida e a bem da verdade vai ficando cada vez mais claro que com Guedes e Bolsonaro o Brasil estaria, definitivamente, proibido de crescer.

Mídia