Terça, 14 Janeiro 2020 18:34

Guedes pode ter se beneficiado de bilhões de fundos de pensão

Um dos principais investigados na operação Greenfield, força tarefa da Procuradoria Federal do Distrito Federal que levanta informações sobre investimentos fraudulentos dos fundos de pensão, é o Ministro Paulo Guedes e pessoas a ele ligadas, inclusive o seu próprio irmão. Segundo o deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) Guedes estaria vinculado a inúmeras empresas que captaram recursos públicos que são alvo de investigação através de fundos de investimentos “O ministro não pode continuar blindado, pois tem seus tentáculos em outras instituições públicas, a começar pelo BNDES”, afirmou o parlamentar.
Tudo leva a crer que Guedes, após aderir à campanha de Bolsonaro, comandou ‘uma série de reestruturações societárias nas empresas, fundos e todo tipo de investimento em que tivesse participação, a fim de se ocultar’. Ramos enviou os dados suspeitos contra Guedes à Procuradoria-Geral da República, que remeteu o caso à Procuradoria no Distrito Federal, ao Tribunal de Contas da União e à Comissão de Ética Pública. O deputado promete ainda acionar o Supremo Tribunal Federal, quando a corte voltar de férias em fevereiro.
Ministro barra investigações
Para o deputado, a permanência de Guedes no Ministério da Economia representa um sério obstáculo às investigações e um atentado a moralidade pública. O ministro foi investigado de maneira independente pelo parlamentar. Ramos aproveitou a CPI do BNDES para obter dados sobre as empresas que teriam Guedes por trás, mas enfrentou a blindagem da atual presidência do banco.
Ainda assim, com os documentos que juntou, o deputado afirma que o ministro “integra, seja como administrador ou sócio – inclusive possivelmente oculto – uma vasta rede composta por bancos e fundos de investimentos” que “possuem íntimas relações com entes estatais de mesmo gênero, notadamente o BNDES”.
Ao examinar dados de empresas às quais Guedes era, ou é, ligado, o deputado identificou uma ‘curiosa coincidência’: outros sócios ou cotistas ‘se revezam não apenas na mesma sociedade, como também em várias outras, coligadas ou não, formando uma espécie de teia societária’, a fim de ‘ocultar seu verdadeiro controlador’.