Segunda, 13 Janeiro 2020 21:39

Palhano: símbolo da luta contra a ditadura

Sindicato é invadido pelos militares. Seu presidente por duas vezes (1959-1961 e 1961-1963) Aluizio Palhano é preso, torturado e dado como desaparecido, em 1971. Greves estão proibidas. Mesmo assim, em 1978 metalúrgicos do ABC Paulista e canavieiros de Pernambuco entram em greve. Em 1979 é a vez dos bancários. Sancionada a Lei da Anistia, com a volta de exilados políticos. Sindicato é invadido pelos militares. Seu presidente por duas vezes (1959-1961 e 1961-1963) Aluizio Palhano é preso, torturado e dado como desaparecido, em 1971. Greves estão proibidas. Mesmo assim, em 1978 metalúrgicos do ABC Paulista e canavieiros de Pernambuco entram em greve. Em 1979 é a vez dos bancários. Sancionada a Lei da Anistia, com a volta de exilados políticos.

Aluizio Palhano foi sequestrado, preso e morto covardemente em maio de 1971 após ser torturado por militares, com a participação do então major Carlos Brilhante Ulstra. Bancário, duas vezes presidente do Sindicato (1959-1961 e 1961-1963); presidente da Contec (1963-1964) e primeiro vice-presidente do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), foi cassado pelo golpe de 1964, demitido do Banco do Brasil e morto no Doi-Codi de São Paulo.
A partir do AI-5, a ditadura militar ampliou a repressão aos movimentos sociais e às organizações políticas que optaram pela luta contra o regime. Seu corpo estava desaparecido desde 21 de maio de 1971 e foi encontrado no cemitério clandestino de Perus, renomeado como Colina dos Mártires, na zona norte de São Paulo. No local uma vala foi utilizada para enterrar corpos não identificados, tendo servido durante os anos da ditadura (1964-1985) para esconder corpos de militantes de esquerda que lutavam contra o regime.
Foi descoberta em 1990 depois de dez anos de investigação, com mais de mil ossadas de vítimas da repressão. A identificação de Palhano foi confirmada em 27 de novembro de 2018 e anunciada durante o I Encontro Nacional de Familiares promovido pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos.
Aluízio Palhano foi a quinta identificação desde o descobrimento dos restos mortais há quase três décadas e o segundo nome divulgado desde a retomada dos trabalhos de investigação de análise das ossadas, em 2014, quando todo o material foi enviado para um laboratório especializado na Bósnia.
Assassinos anistiados - Para Rogério Sottili, diretor do Instituto Vladimir Herzog, a vala clandestina de Perus é mais um capítulo terrível da nossa história a ser investigado e os responsáveis, punidos. Mas para isso é fundamental a revisão da Lei da Anistia. “Crimes de tortura são crimes políticos e o Brasil assinou um tratado internacional onde se compromete a seguir todas as determinações deste pacto internacional de direitos civis e políticos. Isso significa que quem cometeu tortura e quem matou não pode ser contemplado pela lei da Anistia”, afirmou.
Foram mais de 10 anos de investigação para a descoberta da vala clandestina no final da década de 1980. A abertura da vala só aconteceu na gestão da prefeita Luiza Erundina, no dia 4 de setembro de 1990, graças a pressão da Comissão dos Familiares dos Desaparecidos Políticos. Havia 1049 sacos com ossadas não identificadas.