Segunda, 30 Dezembro 2019 13:25

Conhecer o passado, entender o presente e planejar o futuro

Sempre que um ano termina, fazemos um balanço de nossas vidas, avaliamos no que tivemos êxito e o que deixamos de conquistar por algum motivo. Em nosso caso, como bancá[email protected], conhecer nossa história é fundamental para que saibamos como chegamos até esse momento.
Nosso Sindicato completa em janeiro de 2020, 90 anos. Nossos desafios foram muitos ao longo desse tempo.  Em 1933, uma das primeiras lutas que travamos, foi por saúde.
A categoria era acometida de várias doenças como tuberculose e neurose. Depois de uma forte mobilização conquistamos a jornada de seis horas. Já em 6 de julho de 1934 a categoria fez sua primeira greve que durou dois dias e mobilizou todas as capitais. Com a pressão, foi conquistada a estabilidade aos dois anos de trabalho.
Sempre com muita luta e determinação, o sindicato segue nas conquistas. Em 1960, obtivemos uma grande vitória: o fim do trabalho aos sábados. Em 1964 veio o golpe e a ditadura militar se instalou no país.
Foi um período difícil com intervenção no sindicato e perseguições aos dirigentes sindicais. O ex-presidente Aloysio Palhano foi morto e seus restos mortais só encontrados em dezembro de 2018.
A resistência mostra que nossa história e organização nacional foram determinantes para nossas conquistas. Em 1992, assinamos pela primeira vez nossa Convenção Nacional. Muitas vitórias com conquistas importantes vieram a seguir como auxílio cesta alimentação, PLR, complementação salarial para os licenciados, criação das comissões de saúde e de raça, gênero e orientação sexual, prevenção do tratamento das Ler/Dorts, entre muitas outras.
Iniciamos o século 21 unificando a Campanha Nacional entre bancos públicos e privados.
Assinamos a primeira CCT, em 2005, e várias conquistas foram alcançadas como a 13ª cesta alimentação, licença maternidade de 180 dias, mudanças no modelo de cálculo da PLR, inclusão dos parceiros do mesmo sexo no plano de saúde, mecanismos de combate ao assédio moral, fim da divulgação dos rankings, ampliação do aviso prévio proporcional, cinco mil novas contratações na CEF, fim do transporte de numerário por bancários e avanços na igualdade de oportunidades.
O ano de 2015 foi marcado pela luta contra a terceirização irrestrita e pela Caixa Econômica Federal 100% pública. Conquistamos pela 12ª vez aumento real consecutivo, os ganhos acima da inflação valorizaram nossos salários.
Já em 2016/2017, depois de várias rodadas de negociação fechamos acordo de dois anos, e conseguimos manter direitos e reajuste com ganho real apesar da reforma Trabalhista.
Diante do cenário do país, foi uma imensa vitória. Tenho certeza que seguimos no caminho certo. Nosso último acordo, 2018/2020, manteve direitos e avançou no parcelamento de férias, garantindo um novo censo da diversidade com a criação dos agentes da diversidade.
Resumi um pouco de nossa história e nossas conquistas. Para entendermos o presente é necessário que conheçamos o nosso passado, agora recentemente conseguimos assinar um aditivo que impede o funcionamento dos bancos aos sábados, às vezes parece que estamos refazendo nossas lutas, temos um governo que ataca os direitos dos trabalhadores e uma política econômica que privilegia os ricos.
E o futuro como fica nessa história? Temos grandes desafios, como manter nossos direitos, enfrentar o avanço tecnológico que nos impõe a ampliação de nossa organização, lutar pela manutenção dos empregos e contra as privatizações, por respeito, igualdade e por um país mais justo, solidário e soberano, onde os trabalhadores sejam respeitados e tenham salário justo.
Enfim, nossa luta será nas ruas, nos locais de trabalho e no parlamento, porque tudo está interligado e o Sindicato trava a luta coletiva, por tudo isso, é fundamental que você faça parte dessa história.


Adriana Nalesso – Presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio