Segunda, 07 Outubro 2019 19:25

Bolsonaro e Maia articulam projeto para pôr fim à estabilidade do servidor público

Texto da reforma administrativa atinge em cheio direito histórico de funcionários públicos e de estatais, inclusive do Banco do Brasil e da Caixa

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente Jair Bolsonaro tiveram um encontro fora da agenda, no Palácio da Alvorada. Na pauta, um projeto de reforma administrativa que será encaminhado ao Congresso Nacional, já nos próximos dias, que prevê o fim da estabilidade para servidores públicos. A alegação do governo é reduzir as despesas correntes com salários, benefícios de aposentadoria, contas de luz e outros custeios da máquina pública. Segundo Maia, o novo texto da “regra de ouro” terá “gatilhos para controlar as despesas obrigatórias do governo”. Ele considera “prioridade” o envio de propostas que possam controlar gastos.
“O Estado nunca será eficiente se as despesas correntes continuarem crescendo em detrimento da capacidade de investimento do estado brasileiro”, disse Maia.
“O problema é que este governo só com segue enxergar economia das despesas retirando o emprego, a aposentadoria e direitos dos trabalhadores e extinguindo o estado social. Agora tenta acabar com a estabilidade, que num governo arbitrário como este representa, além de demissões em massa, perseguição política. Bolsonaro está aparelhando o estado com oficiais militares, quer acabar com os concursos públicos e Paulo Guedes quer privatizar tudo. Os companheiros do Banco do Brasil, da Caixa e do BNDES precisam estar unidos e mobilizados para impedir a onda privatista deste governo”, disse o vice-presidente do Sindicato dos Bancários do Rio, Paulo Matiletti.

Guedes quer entregar FGTS aos bancos privados

O governo quer aproveitar a Medida Provisória que libera os saques do FGTS para promover uma ampla reformulação do Fundo. A principal delas é a quebra do monopólio da Caixa como operadora do FGTS, permitindo o acesso aos recursos a bancos privados. Bradesco, Itaú e Santander estão de olho grande no dinheiro que é usado no financiamento a projetos de infraestrutura, saneamento e habitação. Em 2018, a Caixa desembolsou R$ 62,3 bilhões em crédito para esses setores. Investimentos sociais, como o projeto Minha Casa, Minha Vida, estão ameaçados pela sanha dos banqueiros. Afinal, todo mundo sabe que os bancos privados querem especular com o dinheiro dos trabalhadores, colocando em risco os investimentos sociais e o governo quer acabar com o FGTS.