Sexta, 04 Outubro 2019 13:41
Mobilização

Dia de Luto pelo Brasil mobiliza milhares de pessoas por todo o país

No dia do aniversário da Petrobrás, brasileiros vão às ruas protestar contra as privatizações de estatais, além de outras pautas políticas impopulares promovidas pelo Presidente Jair Bolsonaro
Escrito por Gabriel de Oliveira Costa
Dia de Luto pelo Brasil mobiliza milhares de pessoas por todo o país Partido dos Trabalhadores

O ato Luto pelo Brasil ocorreu nesta quarta-feira (3) atraindo milhares de pessoas por diversos estados do país. Reunindo milhares de brasileiros, a mobilização no dia do aniversário da Petrobrás foi um gesto simbólico de protesto contra às medidas incentivadas pelo Presidente Jair Bolsonaro em implementar privatizações em estatais, incluindo a empresa petrolífera, além de pautas pedindo mais investimento na educação, preservação da Amazônia e uma série de mensagens em conscientização dos danos causados por essas atitudes neoliberais reprovadas pela sociedade brasileira.

Encorpada por estudantes, educadores, trabalhadores de diversas categorias, funcionários públicos, entidades sindicais, representantes de movimentos e políticos, a mobilização ganhou grandes proporções ao anoitecer, foi iniciada a caminhada em direção à sede da Petrobrás, que em meio aos seus 66 anos de existência, é carro-chefe para a privatização desenhada pelo Ministro da Economia Paulo Guedes e toda sua equipe. 

Em frente ao edifício da estatal, a concentração de trabalhadores e estudantes mobilizados com a causa foi de grande proporção. Composta em seu primeiro bloco por petroleiros e funcionários da empresa, além de representantes sindicais, a deputada federal Jandira Feghali (PC do B) subiu ao carro de som e afirmou a importância da não privatização da maior estatal do país.

É um orgulho estar na frente da Petrobras hoje. O Brasil é muito maior do que esses governos que estamos tendo. Por mais que tentem destruir o que é nosso, não vão conseguir, vamos defender nosso patrimônio. Eles não conhecem nossa capacidade de luta. Nós vamos responder à altura. Esse ato é em defesa da nossa história, da nossa raiz e da nossa identidade.

Além da deputada, as parlamentares Gleisi Hoffmann (PT) e Benedita da Silva (PT), junto dos deputados Roberto Requião (MDB), Marcelo Freixo (PSOL), Gláuber Braga (PSOL) e Lindbergh Farias (PT) estiveram presentes e ativos durante todo o ato. Saindo de Caraguatatuba, em São Paulo, Edmilson Carmelito, que é integrante do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LT), também afirmou a importância da manutenção de patrimônios públicos. "Privatizar as estatais é vender o patrimônio público para empresários. Essa ideia de que barateia serviços é uma mentira, podemos ver o exemplo da telefonia e tantos outros. Eles querem apenas lucrar, não tem interesse igual a maioria da população. Estamos na mira de um governo que está acabando com as garantias que conquistamos. Se a gente não barrar isso, vamos perder tudo”, aponta Edmilson.

 A caminhada reuniu aproximadamente 20 mil pessoas e começou da Candelária, no Centro, até o edifício sede da Petrobrás, que fica na Avenida República do Chile, também no Centro. Em defesa das 17 estatais listadas pelo ministro da economia, uma parada estratégica foi feita em frente à sede da Caixa Econômica Federal, também alvo de Guedes e Bolsonaro.

Descobridor do Pré-Sal, o geólogo Guilherme Estrella esteve presente ao ato, e apesar de celebrar o aniversário da estatal, Estrella alerta sobre as privatizações e como consequência suas implicações para o desenvolvimento nacional do país. "Hoje é um dia de alegria, porque completamos 66 anos de Petrobras. É uma vitória do povo brasileiro, para aqueles que a fundaram do zero. Não havia uma empresa trabalhando com petróleo no país e hoje ela é a mais competente do planeta no ramo.”

Pelo Brasil

Em Curitiba, petroleiros se concentraram em frente à sede da Polícia Federal. Junto das reivindicações citadas, a mobilização para a liberdade do ex-Presidente Lula, que tem histórica importância no fortalecimento da Petrobrás, foi ressaltada com destaque durante o ato. Já em Minas Gerais a mobilização destacou a representatividade dos metalúrgicos, estudantes e também de representantes de causas que afetaram todo o estado, como por exemplo, o rompimento das barragens.

Pelo nordeste, Bahia e Ceará foram os estados que mais levaram populares às ruas. Na capital baiana foi cortado um bolo de aniversário da Petrobrás, com forte teor irônico relacionado ao atual momento vivido pela estatal, enquanto em Fortaleza os estudantes estiveram em peso nas mobilizações contra privatização de universidades.

No centro de São Paulo estudantes e trabalhadores se reuniram em frente ao MASP para uma caminhada ao final da tarde na Avenida Paulista. No Amazonas e em Mato Grosso do Sul, atos pela educação levaram centenas de pessoas às ruas com cartazes, faixas e bandeiras, em protesto a favor da educação e preservação da Amazônia.

Estiveram presentes

Junto do Sindicato dos Bancários, a CUT-RJ e as demais centrais sindicais da organização, petroleiros, radialistas, bancários, funcionários da Casa da Moeda, eletricitários, urbanitários e outros trabalhadores de estatais. Representantes partidários do PT, PC do B e PSOL , líderes de movimentos estudantis, educadores e populares mobilizados com a causa. 

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