Sexta, 24 Abril 2026 17:04
PRIORIDADE NA CAMPANHA

Bancários debatem saúde mental em Encontro Nacional de Saúde

No evento, a Contraf-CUT lançou uma cartilha sobre os riscos psicossociais relacionados ao trabalho
Jô Araújo representou os bancários e bancárias do Município do Rio de Janeiro no Encontro Nacional de Saúde, em São Paulo Jô Araújo representou os bancários e bancárias do Município do Rio de Janeiro no Encontro Nacional de Saúde, em São Paulo Foto: Contraf-CUT

 

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

Com informações da Contraf-CUT

No Encontro Nacional de Saúde da categoria bancária, realizado em São Paulo na última quinta-feira (23), a Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) lançou a cartilha “Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho no Setor Financeiro — Identificação, Intervenção e Monitoramento”, elaborada pela professora Cristiane Queiroz, especialista em ergonomia e sistemas de produção.

O material aborda as mudanças previstas nas normas de segurança e saúde no trabalho, que tornam obrigatória, a partir de 2026, a gestão dos riscos psicossociais pelas empresas brasileiras dentro do Programa de Gerenciamento de Riscos.

A síndrome de burnout, assim como sintomas de ansiedade e depressão, além de doenças cardiovasculares e problemas osteomusculares, foi reconhecida em 2019 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como fenômeno ocupacional, ou seja, decorrente da atividade profissional.

Setor financeiro impactado

A cartilha destaca que o setor financeiro está entre os mais impactados pelos riscos psicossociais. Entre os principais fatores apontados estão a gestão por metas e desempenho, muitas vezes acompanhada de monitoramento em tempo real; a vigilância digital, com uso de softwares de produtividade, rastreamento de atividades e geolocalização, além da sobrecarga e intensificação do trabalho, ampliadas pela conectividade permanente do ambiente digital, que não limita o trabalho da vida vida privada e familiar do empregado. 

Lançamento de livro

O psicólogo Carlos Stockinger lançou o livro “Burnout: Conflitos de Valores Éticos e Alterações de Identidades" O especialista havia participado de evento semelhante no Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, em 13 de abril deste ano.

Carlos Stockinger falou sobre o avanço da síndrome de burnout, também conhecida como esgotamento profissional, entre trabalhadores — especialmente entre bancários no Brasil, apontados como a categoria mais afetada no mundo, com índice que chega a 84%. Explicou que a pessoa com burnout apresenta desmotivação, queda de produtividade e sentimentos persistentes de ineficiência. Alterações de identidade, sensação de vazio, confusão emocional, distanciamento entre identidade pessoal e profissional, além de perda de espontaneidade e autoestima, também são sintomas recorrentes.

Números do INSS

Cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros são afetados por transtornos relacionados ao esgotamento profissional. Outras pesquisas indicam que esse número pode chegar a 33 milhões de pessoas.

Em 2024, mais de 470 mil brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais e comportamentais — o maior número já registrado. Os casos diagnosticados de burnout no Brasil foram, no ano retrasado, seis vezes superiores aos registrados em 2021, enquanto os afastamentos concedidos pelo INSS cresceram quase 1.000% na última década.

Saúde é prioridade

A saúde de bancários e bancárias será prioridade na campanha nacional da categoria em 2026, ano em que será renovada a Convenção Coletiva de Trabalho. Para o secretário de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles, o encontro reforça a necessidade de tratar a saúde mental como prioridade nas negociações e na organização do trabalho no setor financeiro.

A diretora do Sindicato dos Bancários do Rio, Jô Araújo representou a base do município do Rio de Janeiro. Pelo estado do Rio, participaram também os dirigentes sindicais Miguel Pereira (Fetraf-RJ/ES) e Edilson José Gabriel (Federa-RJ).

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