Quarta, 22 Abril 2026 17:38
VIDA AMEAÇADA

No Dia da Terra, exploração de terras raras desafia a sustentabilidade do planeta

 

Carlos Vasconcellos 

Imprensa SeebRio 

Nesta quarta-feira, 22 de abril, é comemorado o Dia Internacional da Mãe Terra. A data foi criada nos Estados Unidos para ampliar a conscientização pública sobre os problemas ambientais e, hoje, é celebrada em todo o mundo.

Como surgiu a data

O primeiro Dia da Terra foi celebrado em 22 de abril de 1970, por iniciativa do senador norte-americano Gaylord Nelson, mobilizando cerca de 20 milhões de pessoas em protestos e atividades em defesa do meio ambiente 

O movimento ganhou dimensão global a partir de 1990.

Em 2009, a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou a data como Dia Internacional da Mãe Terra, reforçando a necessidade de equilíbrio entre desenvolvimento econômico, social e ambiental 

Anualmente, a data mobiliza milhões de pessoas em ações como coleta de lixo, plantio de árvores, campanhas educativas, exibição de filmes e mobilizações em defesa do planeta.

Exploração de terras raras

A preservação da vida no planeta enfrenta desafios cada vez maiores. Entre eles, destaca-se a crescente demanda por minerais estratégicos — conhecidos como “terras raras” — essenciais para tecnologias como a inteligência artificial, baterias e equipamentos eletrônicos.

A disputa global por esses recursos intensifica tensões geopolíticas e levanta preocupações ambientais. Especialistas alertam que, na corrida pela exploração mineral, muitas vezes faltam debate público e avaliação dos impactos, como a destruição de ecossistemas, a contaminação de solos e a ameaça a mananciais de água.

Alvo do capital estrangeiro 

O Brasil figura entre os países com maiores reservas de terras raras e é hoje o segundo no mundo com esta riqueza natural, o que o coloca no centro da disputa internacional por esses recursos.

Recentemente, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD) anunciou, envolvendo a exploração de minerais raros, a venda da empresa brasileira Verde, única nonpaís com expertise na exploração destes minerais, para investidores dos EUA. O tema gera controvérsia e críticas de especialistas e ambientalistas, que apontam falta de transparência e de debate com a sociedade.

Desafios do planeta

Além da exploração mineral, outros desafios permanecem centrais: a redução das emissões de CO₂, a proteção de terras indígenas, o avanço da poluição sobre rios e mares e o desmatamento de florestas, cerrados e pantanais. Essas questões impactam diretamente a qualidade de vida e a própria sobrevivência humana. Por isso, o 22 de abril deve ser mais do que uma data simbólica: um momento de reflexão, mobilização e cobrança por políticas públicas que enfrentem os efeitos da ação predatória sobre a natureza.

Soberania e uso sustentável 

A diretora executiva do Meio Ambiente Cida Cruz criticou a venda de uma empresa brasileira que explora terras raras para o capital estrangeiro e sem preocupação ambiental. 

"Esta é uma data importante para a conscientização da sociedade, a fim de que nos atentemos para a necessidade de preservação ambiental e do uso sustentável dos recursos naturais, de modo que a humanidade se beneficie desses recursos, melhorando a qualidade de vida por meio de uma exploração sustentável — e não de um modelo que destrua a vida e a natureza no planeta", disse a dirigente sindical.

"As terras raras representam uma possibilidade para o desenvolvimento do Brasil, a partir do uso racional dessas riquezas para a reindustrialização do país. A privatização e a venda de empresas e recursos nacionais ao capital estrangeiro são uma irresponsabilidade. Somos o segundo país do mundo em reservas desses minerais. Precisamos usar esse patrimônio natural com responsabilidade, para gerar empregos e renda para os trabalhadores e melhorar a qualidade de vida do nosso povo, sem destruir o meio ambiente", concluiu Cida.

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