Quarta, 08 Abril 2026 18:02
QUALIDADE DE VIDA E PRODUTIVIDADE

70% das empresas alemãs aprovaram jornada 4 x 3 sem diminuir salários

Experimento que começou em 2024 mostrou que trabalhar quatro dias por semana melhora a vida dos empregados e a eficiência das empresas. No Brasil trabalhadores lutam pelo fim da escala 6 x 1 em projeto no Congresso
Mais tempo para descansar, estar com a família e se dedicar aos estudos e a prática religiosa: redução da joranda de trabalho eleva a qualidade de vida dos empregados e a eficiência das empresas Mais tempo para descansar, estar com a família e se dedicar aos estudos e a prática religiosa: redução da joranda de trabalho eleva a qualidade de vida dos empregados e a eficiência das empresas Foto: Divulgação

 

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

Enquanto o governo brasileiro tenta avançar com a redução da jornada de trabalho de milhões de brasileiros, pondo fim a escala 6 x 1, que vem encontrando resistência por parlamentares do Centrão e da extrema-direita que fazem lobby dos empresários, a Alemanha revela o resultado de um programa piloto de semana de trabalho de quatro dias iniciado em 2024 com 45 empresas. Dois anos depois, 70% das empresas mantiveram alguma forma de redução da jornada de trabalho. Os empresários chegaram a conclusão que melhorar a qualidade de vida dos empregados eleva a produtividade e a eficiência. A fórmula é muito simples: trabalhador com mais saúde, mais tempo para se dedicar a família, a prática religiosa e ao descanso, produz mais do que funcionários explorados, sobrecarregados e adoecidos.

Entenda a mudança

O projeto original da semana de trabalho de quatro dias na Alemanha foi baseado no chamado modelo 100-80-100: 100% do salário, 80% da jornada de trabalho e 100% da produtividade. Este modelo de redução da jornada de trabalho é o mesmo implementado em Valência em 2023, em Portugal e no Reino Unido. Participaram da fase inicial do projeto, 45 empresas de diversos setores, incluindo manufatura, seguros, tecnologia, mídia, varejo e educação. Além disso, para garantir a máxima representatividade do panorama industrial alemão, foram selecionadas empresas de diferentes portes.

Resistência na direita

Direita é direita no mundo inteiro. Na mesma Alemanha em que a redução da jornada mostra mais eficiência e produtividade, o premier alemão, Friedrich Merz, do partido de direita União Democrata-Cristã (CDU), disse que “é preciso trabalhar mais e, sobretudo, com mais eficiência”. Apesar de dados oficiais mostrarem o contrário, Merz reclamou que os alemães “faltam ao trabalho por motivo de doença com muita frequência” e, em geral, “sofrem de falta de ética de trabalho”, o que, dados oficiais do próprio governo, mostram não ser verdade.

Na Argentina, o presidente Javier Milei, de extrema-direita, elevou a jornada de trabalho para 12 horas por dia, fragmentou as férias conforme a vontade dos patrões e achata os salários. A taxa de desemprego na Argentina subiu para 7,5% no final de 2025 (quarto trimestre), marcando o nível mais alto para um fim de ano desde a pandemia de Covid-19.

No Brasil, parlamentares de extrema-direita tentam barrar a proposta do fim da escala 6x1 sem redução de salários, projeto enviado pelo governo Lula. O Partido Liberal (PL), liderado por figuras alinhadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, tem expressado críticas contundentes à proposta de fim da escala de trabalho de seis dias de trabalho por um de descanso. O pré-candidato do PL à presidência da República Flávio Bolsonaro repetiu o slogan do pai de que o trabalhador tem que escolher entre “ ter um emprego ou manter os direitos”  

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) havia declarado “que o governo não iria enviar o texto da redução de jornada”, o que foi desmentido nesta terça-feira (7), pelo governo federal..

“O impasse no Congresso Nacional mostra que é a mobilização popular que poderá garantir a aprovação do projeto que prevê o fim da escla 6 x 1 e o quanto é importante para os trabalhadores derrotar a extrema-direita nas eleições 2026”, avalia a vice-presidenta do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Kátia Branco.   

Na quarta-feira, dia 15 de abril, as centrais sindicais organizam, em Brasília, uma manifestação para pressionar o Congresso Nacional a aprovar o projeto que põe fim a escala 6 x 1. 

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