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Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
Com informações da Contraf-CUT
Uma das maiores preocupações da categoria bancária que tem sido debatida pelo movimento sindical são os avanços das fintechs e das plataformas digitais no sistema financeiro e seus impactos sobre os empregos dos bancários, com a extinção de agências físicas e demissões. O tema é pauta do 7º Congresso Nacional da Contraf-CUT, que começa nesta sexta-feira (27) e vai até dominfo (29), em Guarujá, no litoral paulista.
Avanço digital
Atualmente, cerca de 75% das transações bancárias são realizadas por celulares e smartphones, enquanto o número de agências e postos de trabalho segue em queda. Em matéria do site da Contraf-CUT, o economista Gustavo Cavarzan, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), disse que a transformação tecnológica exige respostas da organização coletivas dos trabalhadores. “A digitalização trouxe ganhos significativos de produtividade e redução de custos para o sistema financeiro, mas também intensificou a reestruturação do emprego. O desafio é garantir que os benefícios dessa transformação sejam distribuídos de forma mais equilibrada, sem aprofundar a precarização das relações de trabalho”, explica.
Reorganização coletiva
A economista Vivian Machado, também do Dieese, destaca a importância da organização coletiva para garantir os direitos dos trabalhadores do ramo finananceiro. “A entrada de fintechs e cooperativas, somada às mudanças regulatórias e tecnológicas, exige repensar as estratégias de organização e negociação. Sem isso, uma parcela crescente dos trabalhadores ficará fora das conquistas históricas da categoria bancária”, alertou Vivian.
Qualidade de vida
Os sindicatos defendem que, o inegável aumento da produtividade e dos lucros com as novas tecnologias, sejam distribuídos nos ganhos da categoria, ou seja, que o avanço tecnológico representante redução de jornada sem diminuição de salários para melhor qualidade de vida dos trabalhadores, elevação da renda média e preservação dos empregos.
O secretário de Relações do Trabalho da Contraf-CUT, Jeferson Meira (Jefão), responsável pelo acompanhamento das pautas de interesse dos trabalhadores no Congresso Nacional, destaca que a entidade atua para que mudanças estruturais no setor não resultem em perdas de direitos. “Estamos dialogando com parlamentares e acompanhando a tramitação de projetos que impactam o mundo do trabalho no sistema financeiro. A tecnologia não pode ser usada como justificativa para precarizar ou reduzir postos de trabalho. Nosso objetivo é construir uma agenda legislativa que garanta proteção social, negociação coletiva forte e distribuição dos ganhos de produtividade”, afirmou.
Redução de empregos
Desde 2012, o setor bancário perdeu mais de 90 mil vínculos de trabalho e registrou o fechamento de milhares de agências. Ao mesmo tempo,surgiram novas ocupações ligadas à tecnologia e novas formas de contratação.
As fintechs já superam em número as instituições bancárias tradicionais, e as cooperativas de crédito ampliaram significativamente sua participação no sistema financeiro nacional
Para Jefão, essa reorganização reforça a necessidade de ampliar o alcance da representação sindical. “O setor financeiro se tornou mais diversificado e fragmentado. Precisamos organizar todos os trabalhadores do ramo, independentemente do tipo de empresa ou vínculo, para garantir condições dignas de trabalho e participação nos resultados gerados pelo crescimento do sistema”, explica.