Quinta, 19 Fevereiro 2026 12:19
AVANÇO DA DEMOCRACIA

Qual a lição para os brasileiros da vitória dos socialistas contra a extrema direita em Portugal?

António José Seguro vence André Ventura com quase 70% dos votos

 

Carlos Vasconcellos

Imprensa SeebRio

A vitória do socialista António José Seguro no segundo turno das eleições presidenciais realizadas no domingo (8), em Portugal, marcou um momento histórico ao impor ampla derrota ao candidato de extrema direita André Ventura.

Seguro, de 63 anos, obteve 68,8% dos votos, enquanto Ventura, de 43 anos, somou 32,2%. Ele sucederá, no início de março, ao conservador Marcelo Rebelo de Sousa, que ocupa o cargo há dez anos.

O socialista venceu em todos os distritos do país, com destaque para Lisboa, Porto e Coimbra, onde superou a marca de 70% da preferência do eleitorado.

Lições para o Brasil

O resultado das eleições em Portugal confirma que a experiência com governos de direita e de extrema direita costuma ser prejudicial aos trabalhadores, especialmente aos mais pobres, sobretudo no que se refere aos direitos trabalhistas e qualidade de vida. 

Outro exemplo é a Argentina, governada pela ultradireita de Javier Milei, cujo parlamento aprovou recentemente um projeto que amplia a jornada de trabalho para até 12 horas diárias e retira direitos históricos da classe trabalhadora.

A proposta, além de autorizar jornadas de até 12 horas, flexibiliza o descanso mínimo, elimina o pagamento de horas extras, reduz férias — que passam a ser fragmentadas conforme decisão do empregador — e permite o parcelamento de verbas rescisórias e do 13º salário. Além disso, trabalhadores que adoecerem ou sofrerem lesões fora do ambiente laboral poderão receber apenas 50% do salário, medida que penaliza ainda mais quem já se encontra em situação de vulnerabilidade.

No caso português, a vitória de Seguro também tem forte valor simbólico contra o fascismo. Portugal derrotou nos 70 a ditadura fascista que esteve no poder desde 1933, sob o comando de António de Oliveira Salazar, destituído durante a Revolução dos Cravos — levante popular apoiado por setores militares e pela sociedade civil — vitoriosa em 25 de abril de 1974.

Crise como desafio

O recém-eleito presidente português António José Seguro terá como principal desafio enfrentar a crise econômica que afeta Portugal e outros países da União Europeia, agravada pelos impactos da guerra da Rússia na Ucrânia e pelo custo do envolvimento militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) contra o exército de Vladimir Putin e o fim do fornecimento de energia russa mais barata devido ao embargo econômico dos EUA e da União Europeia contra Moscou.

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