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Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
Publicado: 27 Janeiro, 2026 - 12h04
Escrito por: Redação CUT | Editado por: Walber Pinto

Sete anos após o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, que resultou em 272 mortes, Minas Gerais volta a registrar um episódio envolvendo estruturas da mineração, reacendendo o debate sobre segurança, fiscalização e reparação dos danos causados pela atividade mineral.
Neste domingo (25), um novo vazamento de água foi registrado em uma mina da Vale no município de Congonhas, na região Central do estado. Segundo a prefeitura, o extravasamento foi identificado na mina Viga, localizada na estrada do Esmeril. A Defesa Civil confirmou que houve vazamento de água para o rio Maranhão, o que levanta preocupação sobre possíveis impactos ambientais.
Equipes da Defesa Civil e do município acompanham a situação. Até o momento, não há registro de feridos nem necessidade de evacuação de moradores. A prefeitura informou que segue monitorando a área e cobrando explicações da mineradora sobre as causas do vazamento e as medidas adotadas para contenção.
O novo episódio ocorre em um momento simbólico, marcado pelos sete anos da maior tragédia ambiental e humanitária do país. Segundo o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a reparação em Brumadinho ainda está longe de ser concluída. Em nota, a entidade afirma que, apesar de Vale, Ministério Público, Defensoria Pública e Governo de Minas Gerais divulgarem o acordo de reparação firmado em 2021 como um sucesso, a realidade enfrentada pelos atingidos é diferente.
População ainda aguarda reparação econômica
De acordo com o MAB, a Vale afirma ter indenizado cerca de 17 mil pessoas, o que representa aproximadamente 10% do total de atingidos já reconhecidos. Enquanto isso, milhares de processos judiciais seguem aguardando decisão. Projetos comunitários voltados à reparação econômica estão previstos para iniciar apenas em 2026 e, até agora, não foram efetivamente implementados.
Sete anos depois, a população de Brumadinho continua convivendo com os impactos da tragédia, como o aumento dos adoecimentos físicos e mentais e a insegurança em relação ao futuro. O uso do rio Paraopeba segue proibido devido à contaminação por rejeitos da mineração, e a limpeza do curso d’água — obrigação da Vale — não alcançou sequer três quilômetros de extensão.
Um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) aponta que 70% dos domicílios de Brumadinho relatam algum tipo de adoecimento físico ou mental após o rompimento da barragem. Sintomas como estresse, insônia, ansiedade, hipertensão e episódios depressivos permanecem recorrentes. Ainda segundo a pesquisa, 52% dos adultos do município passaram por tratamento psicológico ou psiquiátrico desde a tragédia.
Rejeitos se espalham em Brumadinho
Os rejeitos da barragem da mina Córrego do Feijão se espalharam por uma área de ao menos 2,4 mil hectares em Brumadinho e municípios da região após as enchentes registradas em 2020 e 2022. A conclusão é de um estudo realizado por pesquisadores do Nacab (Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens), de acordo com o jornal Folha de S. Paulo.
Com base em imagens públicas de satélite, os pesquisadores identificaram o aumento da incidência de óxido de ferro, a supressão de vegetação e a maior concentração de argila nas áreas afetadas pelas cheias. Segundo o estudo, as enchentes provocaram o transbordamento do rio Paraopeba, o curso d’água mais impactado pelos rejeitos liberados com o rompimento da barragem da Vale.
O levantamento reforça que, mesmo anos após a tragédia, os rejeitos continuam se deslocando e ampliando a área atingida, aprofundando os danos ambientais e sociais em Brumadinho e em municípios da bacia do Paraopeba.
O quer disse a Vale sobre o novo vazamento
Em comunicado ao mercado divulgado hoje (26), a Vale informou que os extravasamentos de água identificados nas minas de Congonhas e de Ouro Preto “foram contidos”.