Segunda, 26 Janeiro 2026 20:24

96 anos do Sindicato

O presidente do Sindicato, José Ferreira, e a vice, Kátia Branco, ao centro, apresentam os convidados O presidente do Sindicato, José Ferreira, e a vice, Kátia Branco, ao centro, apresentam os convidados

 

Dando seguimento às comemorações dos 96 anos do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, uma solenidade reuniu, na noite de sexta-feira (23/1), no auditório da entidade, cinco de seus ex-presidentes. Edmilson de Oliveira, Cyro Garcia, Fernanda Carisio, Vinícius de Assumpção e Almir Aguiar lembraram dos fatos que mais marcaram a história do Sindicato. Foram unânimes em avaliar o Sindicato como uma das mais importantes entidades sindicais brasileiras, seja pela luta em prol da categoria bancária, seja pela participação na organização das mobilizações mais gerais da sociedade contra a ditadura, em defesa da democracia e de direitos sociais, passando a ser referência de luta e resistência para todo o país.

Da mesa de apresentação participaram o presidente da entidade, José Ferreira, e a sua vice, Kátia Branco, que lembrou da importância crescente das mulheres na vida sindical bancária. Na ocasião foi feito o lançamento do livro de Edmilson de Oliveira, “Crônicas do Crato e de Outros Lugares”.

O escritor e ex-presidente lembrou como momento mais marcante da sua vida no Sindicato a intervenção da ditadura militar sobre a entidade. “Foi uma repressão violenta, que começou em 1972. Era o momento mais pesado da ditadura: o governo Médici. A intervenção terminou apenas em 1979, com a eleição do Ivan Pinheiro para presidente do Sindicato”, contou.
O dirigente frisou a importância de relembrar estes fatos (a ditadura) para que não se repitam.

Antes de discursar, Cyro Garcia pediu uma salva de palmas para a militante bancária Maria Imaculada Vasquez, recentemente falecida. Em seguida, citou a greve de 1985 como fato mais marcante do Sindicato. “Essa greve aconteceu quando estava na vice-presidência da entidade. Fizemos uma assembleia gigantesca no Maracanãzinho. Foi uma greve de dois dias que conquistou todas as reivindicações, impulsionou as lutas da categoria bancária, ao longo da década de 1980, e de outras categorias”, rememorou.

Citou a greve do Banco Nacional como outro momento importante na sua gestão como presidente (1988-1991). “Com ela foi quebrado o paradigma de que banco privado não fazia greve, e suas conquistas foram estendidas para todos os funcionários do banco a nível nacional”. disse.

José Ferreira: primeira greve

Também o presidente do Sindicato José Ferreira, lembrou da greve de 1985. “Era o meu primeiro ano na categoria bancária, em meio ao processo eleitoral que iria eleger Ronald Barata presidente, e Cyro Garcia, vice-presidente do Sindicato. Era a campanha salarial dos bancários.

Participei do encontro histórico em Campinas e, depois, da greve que marcou muito, porque a sua deflagração foi aprovada em uma assembleia que lotou o Maracanãzinho. Aquela foi a primeira grande imagem de mobilização bancária que trago comigo”, contou. “Essa greve foi um grande incentivo para o início da militância do jovem bancário de 20 anos que eu era naquela época, participando dos piquetes.”, afirmou José Ferreira.

Para Fernanda Carisio, os momentos mais marcantes e difíceis do Sindicato foram as privatizações. “Foi um processo muito dramático, com a privatização do Banerj, do Banespa e da maioria dos bancos estaduais”, durante o governo Fernando Henrique, e do estado, Marcelo Alencar. “Causou e causa muita tristeza e outros problemas graves não só para os bancários, como para toda sociedade e o país, fora as perdas brutais de companheiros como Antonio Carlos Vilela, do Banespa”, avaliou a ex-presidenta.

Unificação da campanha de públicos e privados

O ex-presidente do Sindicato, e atual vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção, disse na solenidade que um dos fatos mais importantes da sua trajetória no Sindicato foi a reunificação da categoria, quando bancários do setor privado e do setor público voltaram a fazer uma campanha única, com mesa de negociação conjunta.

“A partir daí pudemos consolidar nossa Convenção Coletiva de Trabalho, o que aconteceu quando eu era presidente do Sindicato. Foi em 2004. Este debate da unificação começou em 2003, tivemos uma grande greve de 30 dias em 2004, e fomos consolidando a mesa única de negociação, trazendo os bancos públicos para a mesa da Fenaban. Foi muito importante porque consolidou a CCT e ajudou a fortalecer a unidade nacional da categoria que fez avançar as questões específicas por banco”, avaliou.

Já o ex-presidente Almir Aguiar frisou que conhecer a história do Sindicato é um fato primordial. Citou alguns fatos mais antigos, como a doação de um avião para os aliados no combate aos nazistas, na II Guerra, e a luta contra a ditadura militar. “E há outros mais recentes. Na minha gestão (2009-2015), tivemos grandes conquistas nas campanhas salariais, tanto mais gerais da categoria, quanto específicas, como a ampliação do plano de saúde para casais homoafetivos. O Sindicato obteve conquistas também para outros segmentos sociais. A nossa entidade luta e resiste e é uma referência importante para toda a sociedade”, afirmou. Outra conquista foi a criação em 2015 da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, da qual é o titular.

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