Sexta, 23 Janeiro 2026 20:13

Em comemoração aos 96 anos do Sindicato, ex-presidentes lembram momentos históricos marcantes

Solenidade reuniu lideranças históricas do Sindicato. Foto: Nandio Neves. Solenidade reuniu lideranças históricas do Sindicato. Foto: Nandio Neves.

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Imprensa SeebRio

Uma solenidade com muita emoção reuniu, na noite desta sexta-feira (23/1), no auditório nobre do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, o presidente desta importante entidade sindical, José Ferreira, e cinco de seus ex-presidentes. O evento fez parte das comemorações dos 96 anos de existência do Sindicato, completados em 17 de janeiro. Fizeram parte da mesa de apresentação, além de Ferreira, a vice-presidente da entidade, Kátia Branco, que lembrou da participação crescente das mulheres na vida do Sindicato, o que levou a conquistas importantes mais gerais da sociedade e do movimento de mulheres, como o direito ao voto, e, mais recentemente, a inclusão de cláusula na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) prevendo um canal de denúncia (o Basta!) de casos de violência contra as bancárias.

Edmilson de Olveira, Cyro Garcya, Fernanda Carísio, Vinícius de Assumpção e Almir Aguiar lembraram momentos marcantes que transformaram o Sindicato dos Bancários em uma das mais importantes entidades sindicais brasileiras, seja pela luta em prol da categoria bancária, seja pela sua relação sempre estreita na organização das mobilizações mais gerais da sociedade juntamente com segmentos sociais importantes contra a ditadura, em defesa da liberdade, da democracia e de direitos sociais, servindo como referência de luta e resistência para todo o país.

Na ocasião foi feito o lançamento do livro de Edmilson de Oliveira, “Crônicas do Crato e de Outros Lugares”. Na publicação ele conta acontecimentos sociais que marcaram a sua vida, desde a adolescência. “Nasci no Sertão, na roça, mas vivi na cidade de Crato, onde vivi as histórias que conto, e também sobre fatos acontecidos em outros locais do Ceará, e mesmo, depois, no Rio de Janeiro”, resumiu.

(Assista à solenidade pelo canal do Sindicato no YouTube: https://youtube.com/live/72i_iH_kqdU)

Intervenção militar – Durante o evento, o escritor e ex-presidente lembrou como momento mais marcante da sua vida no Sindicato a intervenção da ditadura militar sobre a entidade. “Foi uma forte repressão, violenta, que começou em 1972. Eu era o presidente. Era o momento mais pesado da ditadura, com o governo Médici, com prisões e perseguições. Fiquei 43 dias preso. Foram sete anos de intervenção, que terminou apenas em 1979, com a eleição do Ivan Pinheiro para presidente do Sindicato”, contou.

Para o dirigente é importante relembrar estes fatos (a ditadura) para que não se repitam, e para frisar que o Sindicato fez e faz parte da luta de resistência a toda a forma de arbítrio, e que lembrar desta história é fundamental para as gerações que se seguem.

Antes de fazer seu discurso, Cyro Garcia pediu uma salva de palmas para a militante bancária Maria Imaculada Vasquez, recentemente falecida. Em seguida, citou como fato mais marcante de sua trajetória no Sindicato a greve de 1985. “Minha trajetória no Sindicato teve muitos momentos relevantes, mas não tenho como não lembrar da greve de 1985, quando estava na vice-presidência da entidade. Fizemos uma assembleia gigantesca no Maracanãzinho, saindo direto para os CPDs para a Compensação, com vários comandos fecha-bancos colocando durepox nas fechaduras, parando todas as agências. Foi uma greve de dois dias em que conquistamos 100% das reivindicações, e que impulsionou não só as lutas da categoria bancária, ao longo da década de 1980, como de outros segmentos da classe trabalhadora”, rememorou.

Citou outro momento importante, que foi a greve do Banco Nacional, na sua gestão como presidente (1988-1991). “Essa greve quebrou o paradigma de que banco privado não fazia greve. Foi uma greve só do Nacional cujas conquistas foram estendidas para todos os funcionários do banco a nível nacional. Foram muitas greves durante a minha gestão”, disse.

José Ferreira: primeira greve –Também o presidente do Sindicato José Ferreira, lembrou da greve de 1985. “Era o meu primeiro ano na categoria bancária, em meio ao processo eleitoral que iria eleger Ronald Barata presidente, e Cyro Garcia, vice-presidente do Sindicato. Era a campanha salarial dos bancários. Participei do encontro histórico em Campinas e, depois, da greve que marcou muito, porque a sua deflagração foi aprovada em uma assembleia que lotou o Maracanãzinho. Aquela foi a primeira grande imagem de mobilização bancária que trago comigo”, contou. “Essa greve foi um grande incentivo para o início da militância do jovem bancário de 20 anos que eu era naquela época. Participei nos piquetes daquela greve vitoriosa”, afirmou José Ferreira.

Para Fernanda Carísio, os momentos mais marcantes e difíceis do Sindicato foram as privatizações. “Foi um processo muito dramático, com a privatização do Banerj, do Banespa e da maioria dos bancos estaduais”, durante o governo federal Fernando Henrique, e do estado, Marcelo Alencar. “Causou e causa muita tristeza e outros problemas graves não só para os bancários como para toda sociedade e o país”, avaliou a ex-presidenta. “Fora a perda de pessoas muito caras a nós; perdemos amigos. Uma perda brutal para o Sindicato foi a do nosso companheiro Antônio Carlos Vilela, funcionário do Banespa”, lembrou.

Unificação de públicos e privados – O ex-presidente do Sindicato, e atual vice-presidente da Contraf-CUT, Vinícius Assumpção, disse na solenidade que um dos fatos mais importantes na sua trajetória no Sindicato foi a reunificação da categoria, quando bancários do setor privado e do setor público voltaram a fazer uma campanha com mesa de negociação conjunta.

“A partir daí pudemos consolidar nossa Convenção Coletiva de Trabalho, o que aconteceu quando eu era presidente do Sindicato. Foi em 2004. Este debate da unificação começou em 2003, tivemos uma grande greve de 30 dias em 2004, e fomos consolidando a mesa única de negociação, trazendo os bancos públicos para a mesa da Fenaban. Foi muito importante porque consolidou a CCT e ajudou a fortalecer a unidade nacional da categoria que fez avançar as questões específicas por banco”, avaliou.

O ex-presidente Almir Aguiar frisou que conhecer a história do Sindicato é um fato primordial, sobretudo para os novos dirigentes. Citou entre eles, alguns fatos mais antigos, como a doação de um avião para os aliados no combate aos nazistas, durante a II Guerra e a luta contra a ditadura militar. “E há outros fatos, estes maias recentes, na minha gestão – presidi o Sindicato de 2009 a 2015 –, e durante este período tivemos grandes conquistas nas campanhas salariais, tanto mais gerais da categoria, quanto específicas, como a ampliação do plano de saúde para casais homoafetivos. O Sindicato obteve conquistas também para outros segmentos sociais. A nossa entidade luta e resiste e é uma referência importante para toda a sociedade”, afirmou.

Acrescentou que os bancos estão se reestruturando, mas que o Sindicato está mobilizando a categoria para garantir os direitos que ela tem. Outra conquista foi a criação em 2015 da Secretaria Nacional de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, da qual é o titular. “A Secretaria tem feito um trabalho neste sentido, na categoria e junto a toda a sociedade, contra o racismo que é estrututural”, disse.

 

 

  

 

 

 

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