Quarta, 14 Janeiro 2026 17:58

Polícia Federal vai à Faria Lima colher documentos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master

Olyntho Contente

Imprensa SeebRio

Matéria da agência de notícias Reuters, publicada pelo site Jornal do Brasil informa que a Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira, 14, a segunda fase da Operação Compliance Zero, que mira suspeitas envolvendo o banco Master. “Um dos alvos de busca e apreensão, pela segunda vez, é o banqueiro Daniel Vorcaro. A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli”, informa a agência.

O texto relata que a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Além de Vorcaro, a operação também realiza buscas contra a irmã dele, seu cunhado e um primo, todos suspeitos de envolvimento em operações financeiras fraudulentas do banco.

Essa ação tem como objetivo aprofundar as suspeitas de irregularidades colhidas na Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro, que havia resultado na prisão do banqueiro. O foco dessa nova fase é aprofundar as suspeitas de gestão fraudulenta do banco Master.

Saiba mais – A operação tem como base as provas colhidas na primeira fase, que apurou suspeitas de irregularidades na operação de venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB). A partir dessas provas colhidas e de novas informações recebidas pelos investigadores, a PF deflagrou essa segunda fase.

A Reuters informa que, procurada, a defesa de Vorcaro não respondeu de imediato a pedido de comentário. A Reuters procura localizar a defesa de outros alvos da operação. Em nota, sem citar nomes, a PF disse que a segunda fase da Operação Compliance Zero tem por objetivo apurar a prática dos crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

"Estão sendo cumpridos 42 mandados de busca e apreensão (São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro), expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$5,7 bilhões", disse o comunicado.

BBC: conexões com políticos do Centrão – No ano passado, o Master figurava apenas como 22º na lista de maiores bancos brasileiros, segundo um ranking do jornal Valor Econômico. Com R$ 63 bilhões em ativos financeiros, o Master — que já não existe mais como banco desde que foi liquidado pelo Banco Central em novembro — representava 2% do tamanho do Itaú Unibanco, o maior banco do país, segundo o mesmo ranking.

A liquidação do Master ocorreu após suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do banco para o Banco de Brasília (BRB) no valor de R$ 12,2 bilhões — em revelações feitas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero, em novembro

Segundo a BBC, Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro, e Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, são tidos como uma ponte entre Vorcaro e o mundo político, segundo apuração da imprensa no caso.

Nogueira e Rueda teriam ajudado a negociar a venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), que acabou sendo vetada pelo Banco Central em setembro deste ano. Meses antes, o acordo havia sido aprovado pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Nogueira e Rueda teriam acesso ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). Seu governo manifestou interesse em comprar o Banco Master para ampliar a presença do BRB no mercado e fortalecer sua atuação no setor financeiro.

Rocha sancionou uma lei da Câmara Legislativa para autorizar o BRB a adquirir 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do capital social do Banco Master. Mas o negócio não andou devido ao veto do Banco Central.

O BRB também é alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal. As autoridades investigam a suposta venda de falsas carteiras de crédito consignado do Master ao BRB por R$ 12 bilhões — um negócio que ajudaria o Master a melhorar sua posição financeira antes de ser vendido.

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi intimado a depor. Em novembro, Ibaneis disse ao jornal O Globo que esteve com Vorcaro "uma ou duas vezes em eventos sociais, mas nunca para tratar de banco".

No passado, Ciro Nogueira chegou a propor elevar o limite da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF. A garantia do FGC a investidores foi um dos fatores que ajudou o Banco Master a se expandir nos últimos anos.

 

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