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Diagramação: Marco Scalzo
Diretora de Imprensa: Vera Luiza Xavier
Mauro Salles (Contraf-CUT), Edelson Figueiredo (Seeb-Rio), Miguel Pereira (Fetraf- RJ/ES) e Edilson Cerqueira (Federa-RJ) no encontro do Coletivo Nacional de Saúde, em São Paulo
Foto: Divulgação
Carlos Vasconcellos
Imprensa SeebRio
Com informações da Contraf-CUT
O Coletivo Nacional de Saúde da Contraf-CUT realizou, na quinta-feira (27), na sede da entidade em São Paulo, sua reunião de planejamento para a Campanha Nacional dos Bancários de 2026. O encontro teve como objetivo definir estratégias de luta e estabelecer prioridades para fortalecer a defesa da saúde dos trabalhadores e trabalhadoras do sistema financeiro. O avanço das metas desumanas, a pressão psicológica, o assédio moral e o temor de demissões seguem como as principais preocupações da categoria.
“Em um contexto em que a intensificação do trabalho, a pressão por metas, a vigilância digital e o avanço das tecnologias ampliam o adoecimento físico e mental, reafirmamos nossa missão: colocar a vida, a dignidade e os direitos dos bancários no centro da ação sindical. Estamos aqui para enfrentar as causas do sofrimento e também para garantir acolhimento e proteção a quem já foi atingido pelo adoecimento”, destacou o secretário de Saúde da Contraf-CCUT, Mauro Salles. “O nosso grande desafio é que a categoria enfrenta um modelo organizacional que assedia e adoece para, em seguida, descartar o trabalhador com demissões”, afirmou o diretor executivo de Saúde do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Edelson Figueiredo, que participou da reunião na capital paulista.
Novas tecnologias
A intensificação do uso de novas tecnologias e de ferramentas de Inteligência Artificial nos controles internos tem ampliado a pressão, a vigilância, o medo e a sensação de invasão de privacidade entre os trabalhadores.
Queixas dos bancários
Segundo o Coletivo, os bancos não possuem uma política efetiva de prevenção às doenças do trabalho, sobretudo no que diz respeito ao adoecimento mental — hoje o principal motivo de afastamento de trabalhadores pelo INSS.
“Os serviços médicos dos bancos permanecem subordinados à lógica da produtividade, e não à promoção da saúde e do bem-estar do empregado”, acrescentou Edelson.
Os bancários relatam dificuldades para acessar tratamento médico e, quando retornam ao trabalho, enfrentam discriminação e estigmatização. Esse cenário impõe ao movimento sindical um duplo desafio: enfrentar as causas estruturais do adoecimento e garantir proteção, acolhimento e reparação aos trabalhadores atingidos.
Principais estratégias
O Coletivo Nacional de Saúde definiu como metas centrais: dar visibilidade pública à situação de adoecimento da categoria; ouvir e dialogar com os bancários, criando espaços permanentes de escuta; envolver dirigentes e delegados sindicais no enfrentamento ao adoecimento; cobrar atuação dos órgãos públicos responsáveis por promover e fiscalizar a saúde (MPT, INSS, MS, MT); negociar mudanças estruturais na gestão de metas dos bancos; atualizar estudos, protocolos e materiais formativos sobre novas formas de controle e vigilância digital; manter a pressão contra metas abusivas e práticas de assédio moral e sexual; propor cláusulas específicas para coibir a pressão por resultados; lutar por acolhimento e prevenção efetiva nos bancos e nos planos de saúde; reforçar a interlocução com o movimento sindical internacional, universidades e instituições públicas.
Prioridades para 2026
1. Defesa da saúde e da vida dos bancários
- Consolidar a saúde como eixo estratégico da ação sindical, articulado às pautas de emprego, remuneração e condições de trabalho.
- Garantir o cumprimento integral das cláusulas de saúde da CCT.
- Fortalecer espaços bipartites e tripartites de negociação.
- Ampliar o acompanhamento dos casos de adoecimento físico e mental relacionados ao trabalho, com foco na prevenção e na reabilitação.
2- Enfrentamento ao assédio e às metas abusivas
- Intensificar denúncias e negociações sobre metas inalcançáveis, gestão por pressão e assédio algorítmico.
- Promover campanhas nacionais permanentes de combate ao assédio moral.
- Elaborar protocolos e materiais formativos sobre novas formas de controle e vigilância digital.
- Aprofundar o debate sobre riscos psicossociais.
3. Regulamentação da tecnologia e da IA
- Exigir transparência e participação sindical nos processos de digitalização e automação.
- Lutar por cláusulas específicas que protejam saúde e empregos diante da introdução de tecnologias e sistemas algorítmicos.
- Promover debates e formações sobre o impacto psicossocial das tecnologias digitais na categoria.
4- Produção e sistematização de dados
- Implementar um banco de dados nacional sobre afastamentos, readaptações e causas de adoecimento no setor.
- Promover estudos em parceria com universidades, Dieese e entidades públicas.
- Utilizar essas informações para qualificar a negociação coletiva e fortalecer a incidência política.
5. Defesa do SUS e das políticas públicas de saúde
- Reafirmar a saúde como direito universal e dever do Estado.
- Combater a privatização e a financeirização da saúde.
- Atuar junto à CUT e às frentes nacionais em defesa do SUS e da Política de Saúde do Trabalhador.
- Denunciar práticas patronais que transferem para o sistema público os custos do adoecimento causado pelos bancos.