Quinta, 13 Junho 2024 16:22

Trabalhadores defendem na OIT diálogo para garantir empregos ante impactos da IA

Representantes da Contraf-CUT participam de encontro, em Genebra, na Suíça, para buscar meios de garantir os empregos da categoria bancária em função do avanço de novas tecnologias
Encontro discutiu políticas realistas que revertam a destruição de empregos e o aprofundamento das desigualdade. Encontro discutiu políticas realistas que revertam a destruição de empregos e o aprofundamento das desigualdade.

Olyntho Contente*

Imprensa SeebRio

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) fez, em sua sede, em Genebra, na Suíça, nesta quarta-feira (12/6), uma reunião com representantes de diversos países, entre eles, do Brasil, cujo objetivo foi discutir soluções para os impactos causados aos trabalhadores pelo uso da inteligência artificial. O encontro fez parte da 112ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho (CIT).

Foi unânime o entendimento de que a solução para a forte redução de empregos decorrentes da implementação das tecnologias disruptivas, como a IA, não acontecerá sem o diálogo tripartite entre representantes do governo, empregadores e trabalhadores. A comitiva brasileira tinha representantes do movimento sindical bancário e empregadores do setor, além de membros do judiciário, legislativo e executivo do país.

A presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e vice-presidenta da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Juvandia Moreira, falou sobre a reunião. “Este é um tema que precisávamos, de fato, que fosse debatido, porque esse processo já está acontecendo no setor financeiro brasileiro, onde, atualmente, um trabalhador exerce a função de dois, três e até quatro, com a implementação da inteligência artificial na automação de tarefas”, frisou. Acrescentou que a tecnologia é importante, mas é preciso que a sua implementação não venha acompanhada do aumento das desigualdades sociais, mas do contrário.

IA é rolo compressor sobre o emprego – O ministro do Trabalho do Brasil, Luiz Marinho, destacou no encontro a necessidade de valorizar a negociação coletiva, argumentando que, sem o diálogo entre todos os setores envolvidos, não será possível encontrar soluções para a redução de empregos que a IA já está gerando. O ministro citou dados de estudo feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e divulgado em janeiro. "O levantamento mostra que o aumento do uso da Inteligência Artificial afetará 40% dos empregos em todo o mundo, o que poderá aprofundar ainda mais as desigualdades sociais", completou.

A presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região (Seeb-SP) e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, observou que o avanço da IA no sistema financeiro está sendo acompanhado do aumento da insegurança, com possibilidades de mais vazamento de dados no setor. 

"O uso intensivo da IA faz com que compartilhemos dados de voz e imagens, assinaturas nossas, que são armazenados em bancos de dados que estão fora do nosso controle", reforçou. Ela alertou ainda para o risco de golpes e de fraudes, como, por exemplo, "os sequestros para transferências com PIX", no caso do Brasil que possui esse sistema de pagamentos. "Com o aumento da tecnologia no sistema financeiro o que estamos assistindo, também, é a transferência de riscos do negocio para os clientes. Precisamos ter uma regulamentação que traga ganhos e segurança para trabalhadores, empregadores e governos", completou.  

IA aumenta a pobreza – A secretária de Relações Internacionais da Contraf-CUT, Rita Berlofa, que também participou da reunião, destacou que o evento foi histórico por ser a primeira reunião tripartite setorial, sobre o tema, na conferência da OIT, “necessária para o diálogo na busca por resoluções no mundo do trabalho e que precisam ser enfrentadas, em âmbito regional e mundial, sob o risco de aumento acelerado da pobreza".

A presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, completou que o evento, apesar de, neste primeiro momento, somente ter exposto o diagnóstico dos impactos da IA sobre o mercado de trabalho, foi necessário para dar início às estratégias que precisam ser consideradas para que a humanidade encontre resoluções.

"Entre as conclusões que tivemos está a de que precisamos aprofundar estudos para pensar uma política que seja mais realista e que não destrua os empregos e gere uma transição justa. E todos nós, representantes dos trabalhadores, empregadores e do governo, chegamos à conclusão que tem que haver diálogo", pontuou.


Quem esteve na OIT – Participaram também do encontro, na comitiva brasileira, o representante da Confederação Nacional do Sistema Financeiro (CONSIF), Adauto de Oliveira Duarte, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Lelio Bentes Corrêa, e o procurador-geral do Trabalho, José de Lima Ramos Pereira.

Também estiveram presentes, Christ Hoffman, secretária-geral da Uni Global Union; Vinícius Carvalho Pinheiro, diretor do Escritório da OIT para o Brasil; o senador Laercio Oliveira; o deputado federal Luiz Gastão; o  economista da OIT Janine Berg; o presidente da CONTEC Lourenço Ferreira do Prado; o secretário de Relações Internacionais da CUT, Lisboa Amâncio; além do representante da Finance Uni Global Union, Angelo di Cristo; o vice-presidente do TST, Ministro Aloysio Correia da Veiga; a ministra do TST, Maria Cristina Peduzzi; o deputado Federal, Vinícius Carvalho; o professor de direito acadêmico da Faculdade 28 de Agosto, Moisés Marques; o membro da CONSIF, Heliomar dos Santos Junior; e o doutor em economia e sócio da Oliver Wyman, Thomas Hoffman.

*Com informações da Contraf-CUT.

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