Terça, 23 Janeiro 2024 18:26

Greve geral na Argentina contra corte de direitos que o presidente Milei quer impor

Tudo pronto para a greve geral contra medidas anunciadas pelo presidente argentino de extrema-direita. Foto: Agência Brasil Tudo pronto para a greve geral contra medidas anunciadas pelo presidente argentino de extrema-direita. Foto: Agência Brasil

Olyntho Contente

Imprensa SeebRio

Nesta quarta-feira (24), trabalhadoras e trabalhadores da Argentina fazem uma greve geral contra as medidas de ajuste fiscal do presidente Javier Milei. De extrema-direita, Milei, desde a sua posse, em dezembro do ano passado, anunciou uma "terapia de choque", acabando com centenas de direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, alegando ser uma forma de lidar com a crise econômica do país.

Como um ditador, sem qualquer debate com a sociedade, em seus primeiros dias na presidência, Milei publicou o “Decreto de Necessidade e Urgência (DNU)”, dando a si próprio poderes para regular uma ampla variedade de atividades econômicas no país, como mercado de trabalho, planos de saúde, aluguéis e privatização de empresas estatais, entre outras. O chamado “decretaço” traz ataques aos direitos trabalhistas, entre eles, os que incluem tornar a demissão mais fácil e menos dispendiosa.

Milei também enviou ao Congresso o que chamou de “Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos”, conhecida como a “Lei Ônibus", um projeto com um amplo leque de reformas antipopulares. Ao declarar emergência pública nas áreas econômica, financeira, fiscal, de segurança e defesa, a lei estabelece amplos poderes para Milei até dezembro de 2025, podendo ser prorrogada por mais dois anos, abrangendo todo o seu mandato.

Congelamento de salários

Os principais ataques aos trabalhadores desde a posse foram congelamento salarial e demissão de servidores públicos; retirada de direitos de trabalhadores do setor privado; fim dos reajustes para aposentados; propostas de privatizações; autoritarismo e repressão aos opositores do governo; desvalorização da moeda; disparada dos preços de alimentos e do transporte público; entre ouros.

Como sempre acontece com governos autoritários, a Previdência Social também está na mira do novo governo. Milei quer ter todas as prerrogativas para lidar com as aposentadorias de acordo com seus critérios. Ao mesmo tempo, atua para cercear o direito à manifestação e à oposição, com ameaças de prisão, descontos salariais e até suspensão de benefícios sociais de quem protestar contra o governo, além de multas pesadas às entidades organizadoras.

O presidente de extrema-direita, impôs, ainda, pesados aumentos dos chamados preços administrados – como energia elétrica, gás, gasolina, logo no começo de sua gestão – em mais de 30%; além disto, alterou a lei do inquilinato, permitindo aos senhorios despejar inquilinos sem que para isto precisem apresentar qualquer motivo.

Apoio internacional

Centrais sindicais, e outras grandes organizações por todo o mundo, vêm prestando solidariedade à greve geral argentina. A CUT (Central Única dos Trabalhadores) realizará um ato contra Javier Milei, nesta quarta-feira (24/1) em frente à Embaixada da Argentina no Brasil, em Brasília. A mobilização é em apoio à luta dos argentinos que farão a greve geral no mesmo dia contra o corte de inúmeros direitos proposto pelo presidente de extrema-direita, uma espécie de Bolsonaro portenho.

Em comunicado, a CUT pede a revogação das  medidas. A greve geral terá início às 12 horas e seguirá até a meia-noite. Em Brasília, o ato iniciará às 10h. O ato foi convocado para um dia antes da votação das novas medidas de Milei no Congresso, em 25 de janeiro de 2024.

Mídia